Ensino Superior igual a valores superiores? Em contra corrente...

01
Mai 12

A praxe (дедовшина, Dedovschina) no então poderoso Exército Vermelho. Muito igual à actual Praxe Negra, dos Capas e Batinas:
"Trata-se de um sistema de humilhacões en que os graduados e veteranos submetem os recrutas. Um dos tumores malignos que corroem o Exército Vermelho. A sociedade soviética reduzida a um tamanho de um pelotão ou companhia e vestida de uniforme. E a essência desta sociedade: o mais forte martiriza o mais débil. Como o recruta é o mais débil, os soldados de maior patente ou antiguidade convertem-no num escravo, num pária, num limpa-botas".
Tradução livre, "O Império", Ryszard Kapuscinski (ed. Anagrama, Espanha, 1994)


20
Abr 12

Pano para Mangas: cortar a direito.

por João Gobern

18.04.2012

 

http://www.rtp.pt/programas-rtp/index.php?p_id=2587&c_id=1&dif=radio&idpod_audio=110180&idpod=

publicado por contracorrente às 07:55

16
Abr 12

Vamos esperar para ver. Se a intenção se converte em acto.

É um bom princípio, vamos aguardar que tenha consequências e um bom fim.

 

Reitor de Coimbra rejeita violência nas praxes

O reitor da Universidade de Coimbra, João Gabriel Silva, considera “completamente inaceitável qualquer tipo de violência” na praxe académica, com os docentes a defenderem a criação de um gabinete de apoio aos alunos visados.
“Os relatos que tenho visto são no sentido de ter havido actos de violência”, lamenta o reitor, numa alusão a queixas de alunos, que levaram o Conselho de Veteranos a abrir um inquérito e a suspender, “por tempo indeterminado”, a chamada Praxe de Gozo e de Mobilização, ou seja, a interação dos “doutores” com os caloiros.

O dux veteranorum entende que participar na praxe implica “civismo, juízo e educação, exige uma postura de cavalheiros, no sentido figurado”.
http://publico.pt/Educa%C3%A7%C3%A3o/reitor-de-coimbra-rejeita-violencia-nas-praxes-1542306

publicado por contracorrente às 23:58

05
Abr 12

Nuno Crato pede maior civilidade nas praxes

O ministro da Educação, Nuno Crato, considerou hoje lamentáveis os incidentes nas praxes de Coimbra, defendendo que estes comportamentos há muito deveriam ter sido ultrapassados e aconselhando maior civilidade aos estudantes que recebem os caloiros.
Questionado sobre a necessidade de regulação, o ministro disse que esta existe: "Tal como quando vamos na rua temos o direito de não sermos humilhados, também nas escolas existe o mesmo tipo de regulação".
De acordo com Nuno Crato, é preciso "uma cultura diferente" e "uma maior intervenção da parte de todos" para não se repetirem atos violentos nas praxes.
http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=2402982

publicado por contracorrente às 00:11

01
Abr 12

Docentes de Letras fazem petição para interditar praxe académica indigna em Coimbra
01.04.2012 - 19:20 Por PÚBLICO, Lusa

Um grupo de docentes da Faculdade de Letras de Coimbra pôs, neste domingo, a circular entre os colegas um abaixo-assinado a solicitar aos órgãos da universidade a interdição de certas formas de praxe académica que consideram indignas.
Catarina Martins, uma das promotoras do abaixo-assinado, disse à Lusa que tais práticas, dentro e fora das instalações da faculdade, põem em causa a imagem da instituição, e são atentatórias “ao que deve ser a universidade e a sua função”, de educação para a cidadania, promoção dos direitos individuais, do saber e do sentido crítico.
Afirma que os docentes promotores do documento entendem que “não podem continuar a ficar passivos face à passividade dos órgãos responsáveis”.
Invasões de aulas por grupos de alunos de outras faculdades, cânticos obscenos envolvendo o nome de docentes e “coacção violenta a alunos”, gravadas em vídeo de forma ilegal, são alguns dos comportamentos que identifica e censura.

 

http://publico.pt/Sociedade/docentes-de-letras-fazem-peticao-para-interditar-praxe-academica-indigna-em-coimbra-1540325

publicado por contracorrente às 21:57
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31
Mar 12

Estamos quase em Abril e o ritual das praxes não dá tréguas.

Cabe perguntar, quando começará o ano lectivo?

Esta semana no Largo Camões em Lisboa:

Praxes no Largo Camões
publicado por contracorrente às 23:19
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Violência
Praxe suspensa em Coimbra após agressões a duas alunas
31.03.2012 - 17:51 Por PÚBLICO

As duas “caloiras” do curso de Psicologia foram esbofeteadas e cabeceadas por um aluno mais velho, que conduzia uma praxe na madrugada de quinta-feira da semana passada, escreve o Jornal de Notícias. Segundo as testemunhas anónimas citadas pelo diário, as alunas recusaram-se a participar, devido à hora avançada, o que não foi aceite. De seguida, o colega tê-las-á obrigado a assinar um documento que as impediria de participar em futuras actividades académicas.

A violência usada pelo aluno mais velho levou as duas “caloiras” ao hospital, para receber cuidados médicos, e depois à apresentação de uma queixa formal na polícia contra o agressor. As jovens, que foram ainda examinadas no Instituto de Medicina Legal, pretendem levar o caso a tribunal.

http://publico.pt/Sociedade/atitudes-desviantes-conduzem-a-suspensao-da-praxe-academica-em-coimbra-1540221#Comentarios

 
Praxe suspensa em Coimbra devido à agressão violenta a duas alunas

http://www.jn.pt/PaginaInicial/Sociedade/Educacao/Interior.aspx?content_id=2395540&page=-1


09
Mar 12

Agradecemos esta referência.

Um exercício de cidadania que, para nós, é obvio.

 

Éste fin de semana hemos descubierto que no sólo en España hay novatadas, tambien descubrimos que no sólo nosotros luchamos contra ellas:
En Portugal las novatadas se llaman "praxe" y no están prohibidas ni condenadas. Anti-Praxe lucha contra ellas al igual que lo hacemos nosotros.

 

http://noalasnovatadas.blogspot.com/search/label/novatadas%20portugal%20francia%20agresiones%20animaladas%20rito%20de%20iniciacion%20bautizo%20humillaciones%20delitos

 

publicado por contracorrente às 00:47

05
Fev 12

Destaque para uma interessante reportagem de Mariana Correia Pinto, no site P3 do Público.

A quem agradecemos o contacto. Para ver a reportagem basta seguir o link.

 

> From: Mariana.Pinto@publico.pt
> To: amilcarla@hotmail.com
> Date: Mon, 30 Jan 2012 15:23:46 +0000
> Subject: reportagem P3/ PÚBLICO
> Boa tarde,
> Sou jornalista do P3, o novo site do PÚBLICO, e temos hoje um trabalho sobre o documentário do Bruno Moraes Cabral, o Praxis.
http://p3.publico.pt/cultura/filmes/2098/praxe-o-desejo-de-obedecer-hoje-para-comandar-amanha
> Estou a recolher algumas reacções a este documentário - e sobre a praxe em geral - e gostava de falar convosco. Têm algum contacto para onde possa ligar durante a tarde de hoje?
> Melhores cumprimentos,
> Mariana Correia Pinto

publicado por contracorrente às 20:30

03
Fev 12

"Bem vindo à Escola dos Líderes"
Por Manuel Loff

Como é possível que milhares de jovens que entram anualmente no ensino superior, se sujeitem a semelhante humilhação?

Há dias participei no Porto num debate sobre o documentário Praxis que o realizador Bruno Cabral dedicou à observação da chamada "praxe académica", e que foi projetado por proposta da Associação Milímetro. O filme ganhou o prémio do DocLisboa para a melhor curta-metragem nacional, não está em circuito comercial, e foi apresentado apenas em debates, em universidades ou fora delas, e na própria Assembleia da República.

Aquilo a que se tem chamado "praxe" é essa série de práticas mais ou menos ritualizadas de que são alvo (para não dizer diretamente "vítima") os estudantes recém-entrados nas escolas de ensino superior, antes mais ou menos restritas a Coimbra, mas que hoje, 30-40 anos passados sobre o seu desaparecimento, em plena contestação da ditadura e durante o processo revolucionário, se generalizaram a um conjunto de escolas e de cidades incomparavelmente mais diverso do que no passado.

A filosofia do documentário (de que Carlos Isaac é diretor de fotografia) é mesmo a de mostrar, cruamente, com o cuidado de não recorrer a qualquer discurso interpretativo. O que nos permite, aliás, obriga, a tomar partido. A câmara mostra-nos práticas de gosto completamente duvidoso (obrigar estudantes a comer alho até ao vómito, para conseguir, na linguagem dos "veteranos" que organizam e supervisionam a cena, a sua "desparasitação"; despejar garrafões de vinho sobre estudantes seminus; enfarinhá-los; vendá-los; obrigá-los a demonstrar a sua maturidade através da ingestão de álcool; ...) que estão muito longe de nos surpreenderem. O mais revoltante, contudo, é toda a representação de um ambiente de caserna que transforma uma experiência tão entusiasmante quanto deveria ser a dos primeiros meses de entrada na universidade numa simulação reles de uma recruta de tropa especial, integrando o pior, o mais violento, o mais indignante, da cultura militar. Grita-se permanentemente ao "caloiro" que ele não pode "olhar nos olhos dos veteranos"; reúnem-se centenas de estudantes num "juramento de praxe" no qual se exige aos "caloiros" declarações solenes de obediência a outros estudantes que, um/dois anos mais velhos, se tanto, por terem passado pelas mesmas experiências humilhantes, pensam ter ganho o direito de as infligir a outros recém-chegados. Entoam-se refrões com que se pretende sublinhar a "superioridade" de uma determinada escola/curso, que podem chegar a impronunciáveis grosserias que, permitam-me, fazem rimar a sigla ISCTE com órgãos sexuais masculinos sempre em pé...

Sucedem-se exercícios a que se obriga os recém-entrados, repetidos até à náusea, numa auto-humilhação que os torna terrivelmente constrangedores, quase todos centrados numa paródia psicótica da sexualidade: forçam-se estudantes a repetir, um a um, perante os seus colegas, em cima de uma mesa, quadras grosseiras sobre o seu pretenso gosto em práticas homossexuais; simulam-se em público, perante centenas de colegas, atos sexuais, enquanto os "caloiros" verbalizam expressões de prazer que lhes são impostas; num caso, um "caloiro" deve esfregar terra e bosta húmidas no cabelo de uma colega sua e simular que a penetra analmente...

O filme deixa-nos incrédulos. Como é possível que milhares de jovens que entram anualmente no ensino superior, se sujeitem a semelhante humilhação psicológica, afetiva, física?! E como é possível que banais estudantes universitários (que não são propriamente membros de seitas neonazis ou de claques de futebol) a pratiquem, em Portugal, no séc. XXI? É um jogo, dizem-me, uma "brincadeira". Na qual, para espanto meu (ou talvez não...), não há um sorriso, uma gargalhada da parte das vítimas/protagonistas deste disparate todo, o que é parte intrínseca do ritual! Grita-se, insulta-se, suja-se, magoa-se... Um teatro da provação, da submissão do dominado a quem se exige que a aceite, e da tortura sádica da parte do que representa o papel do dominador. Digam-nos o que disserem, é inaceitável não se perceber as consequências psicológicas e morais de semelhantes rituais.

A grande maioria destes rituais foram filmados (e são realizados) dentro das faculdades, ou no perímetro imediatamente exterior, o que incumpre abertamente a lei. Não há como evitar perceber que eles se fazem. Desolador é ver, por exemplo, um padre que fala a "caloiros", sentados no chão, vestidos de forma absurda e vigiados pelos "veteranos", de pé. O sacerdote repete-lhes que "praxe tem uma dimensão de integração" (tese atrás da qual se protege quem a organiza) e perora sobre a distinção entre a "verdadeira" e a "falsa alegria" naquela que se designa a "bênção ao caloiro"...

Rituais de iniciação a que se submeteram, e submetem, aprendizes e todo o tipo de recém-chegados a profissões, ciclos de estudo e de formação militar ou outra, existiram ao longo dos tempos e dispersos por modelos de sociedade muito diversos. Tal não as faz mais aceitáveis. Sempre produziram violência, física e psicológica, ferimentos, mortes. Nas universidades, são erroneamente descritas como produto de uma pretensa "tradição académica" que não passa de uma adaptação a cada momento histórico da aplicação prática de valores e princípios mais ou menos dominantes em determinada comunidade. É arrepiante perceber que aqui esses valores são os da legitimidade e bondade de uma humilhação que permite à vítima poder sentir-se parte do grupo, da confusão entre "integração" e "submissão" a uma autoridade absurda. De uma "praxe incutidora de valores", que "nos ajuda nesta grande escola de vida que é a Universidade", fala uma caloira, que agradece, de joelhos e autodescrevendo-se como "reles bicho", aquilo por que a tinham feito passar.

Num átrio em que se realizam algumas destas práticas, em letras garrafais, alguém escreveu: "Bem vindo à Escola dos Líderes". É o ISCTE. Por acaso. Podia ser qualquer outra...

 

http://jornal.publico.pt/noticia/02-02-2012/bem-vindo-a-escola-dos-lideres-23904084.htm

publicado por contracorrente às 00:57

24
Nov 11

Exmos. Senhores,


No próximo dia 28 de Novembro, às 18h30, irá realizar-se a apresentação do documentário PRAXIS, de Bruno Cabral, seguido de um debate, no Salão Nobre da Reitoria da Universidade de Lisboa.

 

As praxes universitárias, assentes em antigas tradições e obedecendo a uma hierarquia estruturada, ganharam uma nova vitalidade na última década. De Norte a Sul de Portugal, os novos estudantes sujeitam-se a rituais de iniciação ao ingressarem nas faculdades. Jogos de poder e diversas formas de humilhação organizadas pelos mais velhos, são uma etapa obrigatória para quem quer ser aceite na comunidade.

 

Esta sessão, de entrada livre, para além da apresentação do documentário Praxis pretende reavivar a discussão e promover um debate saudável sobre as praxes o seu significado e importância para o universo académico.

 

Assim, e ainda no âmbito das Comemorações dos 100 Anos da Universidade, gostaríamos de os convidar a estar presente na Sessão.

 

Por defenderem uma causa e esta sessão ir ao encontro da divulgação e desenvolvimento que pretendem, gostaríamos, se acharem por bem, que nos auxiliassem na divulgação, para que esta sessão chegue ao maior número de pessoas interessadas possível. Desta forma, envio texto de divulgação, bem como link para o evento no facebook e trailer. Envio também em anexo o cartaz e folha de sala do documentário.

 

Se surgir alguma questão estarei disponível para o seu esclarecimento.

 

Esperando que possam aceder ao nosso pedido e agradecendo desde já toda a atenção, despeço-me com os meus melhores cumprimentos,

 

 

Marta Azevedo                                 

____________________

ULis2011

Reitoria da Universidade de Lisboa

Alameda da Universidade

Campo Grande

1649-004 Lisboa

Tel.: +351 210 113 424

E-mail: mazevedo@reitoria.ul.pt

Site: www.centenario.ul.pt


14
Nov 11

Com a devida vénia ao autor, por se tratar de uma opinião em jornal público, divulgamos:

 

A praxe e o sistema

Nos meus tempos académicos, a praxe era uma coisa algo tímida a renascer com alguma tensão da proscrição a que tinha sido votada nos calores dos anos 70. Recordo uma recepção ao caloiro com aulas forjadas e uns carimbos na testa e recordo os desfiles da Queima. Usar traje académico não seria directamente equivalente a ser betinho, mas quase. Não sei comparar se a alegria era mais genuína ou menos do que agora, mais regada ou não, mas de uma coisa tenho a certeza: das regras académicas, a grande maioria conhecia apenas a cor dos cursos e as insígnias do ano.

Uma geração depois, ao ouvir falar do "sistema" da praxe e das "tradições" académicas, fico siderado com tão pomposa e fútil complexidade. Deixando de lado os casos óbvios de abuso e de desrespeito básico, inquestionavelmente condenáveis, se a chamada recepção ao caloiro tem apenas o objectivo, são, de receber e integrar, não necessitaria de tão tortuosa "regulamentação".

Um caloiro, para ser integrado (e respeitado?), tem que aprender uma legislação complexa, por vezes a tocar o delirante, e respeitar/prestar vassalagem a uma organização sem mérito subjacente. Se eu fosse hoje caloiro, gostaria de dispensar essas obrigações e poder mandar directamente àquela parte os "doutores" que me coagissem a entrar em brincadeiras que não aprecio. Poderia fazê-lo sem riscos agravados?

Um sistema são é aquele em que a autoridade e a liderança são baseadas no mérito, não se podendo considerar meritório passar muitos anos sem concluir um curso, é um sistema de afirmação pessoal individual sem a sorte ou o azar dos padrinhos de circunstância e em que as regras e as leis têm um objectivo construtivo que as justifica e não são arbitrárias, gratuitas e inconsequentes.

O sistema da praxe e respectivo "poder" não são legítimos nem saudáveis numa sociedade em que os valores de base devem ser clareza, justiça, respeito, iniciativa e mérito. Em grande parte, são até mesmo o oposto do que a universidade deve incutir.

Carlos J. F. Sampaio, Esposende

Jornal PÚblico, 14.Nov.2011

publicado por contracorrente às 23:05

30
Out 11

O Tribunal de Famalicão condenou a Universidade Lusíada a pagar 91.350 euros de indemnização, por danos morais, à mãe de Diogo Macedo, estudante do 4.º ano de Arquitectura que morreu em Outubro de 2001 depois de ter sido submetido a uma praxe nas instalações da universidade, em Famalicão.

[...] O juiz vai mais longe: «Estando nós perante uma academia (...) que ministra cursos de Direito há vários anos, tendo por isso a obrigação de estar mais ciente de todos os direitos, valores e normativos que foram postos em causa, mais se torna premente considerar que esse dever (...) deveria estar mais presente nas mentes dos responsáveis».

http://sol.sapo.pt/inicio/Sociedade/Interior.aspx?content_id=31916

publicado por contracorrente às 06:44

ESPANHA/ESPAÑA: http://noalasnovatadas.blogspot.com

No Más Novatadas: Todos contra las novatadas. Blog que nace con la intención de erradicar por completo éste tipo de prácticas que sólo están causando daño a los jóvenes.

 

FRANÇA/FRANCE: http://contrelebizutage.fr/

Comité National Contre le Bizutage: Le bizutage est un délit puni par la loi.

publicado por contracorrente às 06:08

"Éstos son algunos de los videos de novatadas que actualmente ocurren en España (queremos recalcar que lo que se ve en los videos no ocurre en todas las residencias o universidades, sólo en algunas de ellas, no queremos asustar a futuros estudiantes ni mucho menos)"

 

http://noalasnovatadas.blogspot.com/2011/10/videos-de-novatadas.html

publicado por contracorrente às 06:04

18
Out 11

Novatadas universitarias salvajes

Dos colaboradoras se infiltran en estas supuestas bromas de integración

Los novatos son vejados, humillados y golpeados por los veteranos.

 

Reportagem Canal Cuatro (6 min.), 18/10/2011

 

http://www.cuatro.com/diario-de/programas/temporada-2/programa-2/Novatadas-universitarias-salvajes_3_1487881245.html


publicado por contracorrente às 13:47

09
Out 11

Tres estudiantes, heridos en los ojos por una novatada en Santiago
A los jóvenes les arrojaron detergente en la cara durante una fiesta

Dos de los chicos tuvieron que ser operados para evitar daños irreversibles

El Código Penal las contempla como un delito contra la integridad moral. Pueden llegar a considerarse tortura. Sin embargo, esto no evita que las novatadas, la terrible costumbre de recibir a los nuevos de los colegios mayores con mofas, pruebas y juergas de todo tipo, estén aún arraigadas. Esta semana, esta práctica ilegal alcanzó un extremo intolerable y peligroso en Santiago de Compostela. La madrugada del jueves, tres estudiantes recién instalados en el Colexio Maior San Agustín, una residencia privada del casco histórico de la ciudad, fueron atendidos en el Complexo Hospitalario Universitario de Santiago por lesiones en los ojos causadas por el contacto con un detergente muy tóxico que alguien les arrojó en plena calle en una novatada.

http://www.elpais.com/articulo/sociedad/estudiantes/heridos/ojos/novatada/Santiago/elpepisoc/20111009elpepisoc_4/Tes

 

Universidad «La novatada que sufrió mi hijo refleja una sociedad enferma»

El lucense al que quemaron los ojos en Santiago denunció los hechos

http://www.lavozdegalicia.es/galicia/2011/10/14/0003_201110G14P12991.htm


Todas las universidades han prohibido esas prácticas medievales en sus recintos. Residencias y colegios privados también lo recogen en sus normativas. Sin embargo, muchos hacen la vista gorda y evitan tomar medidas contra quienes humillan y agreden a sus semejantes cada inicio de curso. [...] Madrid disputa el primer puesto en el 'ranking' de las novatadas más salvajes, junto a Zaragoza, Sevilla, Valladolid o Salamanca.

 

Loreto González-Dopeso presidenta de la asociación "No Más Novatadas", creada esta esta semana en La Coruña:

"Este asunto se nos está yendo de las manos, hay mucho sufrimiento soterrado, hasta torturas. [Tenemos el deber de] acabar de una vez por todas con el estatus de los veteranos, que se adueñan de la voluntad de los novatos. [...] No puedo entender cómo otros padres y los propios estudiantes no se atreven a denunciar prácticas tan vejatorias".

Pedro Aceña, responsable del Archivo de la Universidad de La Rioja, que hace tiempo milita contra las novatadas:

"No me parece gracioso someterles a estupideces tales como pintarles, pringrales con huevos, harina y tomate o llevarles atados de pies unos con otros".

Correo electronico de la Asociación: nomasnovatadas[arroba]hotmail.es

 

http://ocio.elnortedecastilla.es/tendencias/perrerias-sin-control-08102011.html  [Sábado 08.10.2011]


25
Abr 11

Recordando Zeca:

"O estudante em Coimbra era uma espécie de Príncipe Encantado. Ao que usasse capa e batina eram permitidas atitudes que o não eram aos normais cidadãos".

(Citação livre. 25 de Abril de 2011)

publicado por contracorrente às 09:17

30
Mar 11

"Tipos vestidos de gafanhoto ou padres do séc. XVIII".

Pacheco Pereira referindo-se aos representantes da AAC no Fórum Prós e Contras

publicado por contracorrente às 09:28

12
Jan 11

Praxe e Tropa são muitas vezes sinónimos.

Mas aqui destaca-se a rapidez da acção contra actos menos próprios.


Praxe na Academia Militar força internamento de aluna
Exército instaurou processo disciplinar aos alunos responsáveis por caso que "considera grave".
Uma aluna do primeiro ano da Academia Militar (AM) do Exército teve de ser internada na semana passada devido à violência de uma praxe nas instalações da escola na Amadora.
"Foram identificados os responsáveis pela ocorrência, que o Comando do Exército considera grave, tendo sido de imediato instaurado um processo disciplinar contra os mesmos no âmbito do regulamento disciplinar da AM, cuja pena pode ir até à expulsão", confirmou ao DN o porta-voz do ramo.
http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1754608


14
Nov 10

"Hey por bem e mando que todo e qualquer estudante que por obra ou palavra ofender a outro com o pretexto de novato, ainda que seja levemente, lhe sejam riscados os cursos.", D. João V

 

Um texto bem escrito, bem ilustrado:

 

http://mafiadacova.blogspot.com/2010/10/retratos-por-joao-mineiro-porque-e-que.html

 

de João Nuno Mineiro

publicado por contracorrente às 05:26

30
Out 10

Bullying pode dar prisão se o agressor tiver mais de 16 anos

29.10.2010

 

Um aluno com mais de 16 anos que cometa um acto tipificado como bullying poderá ser condenado a uma pena de prisão até cinco anos. Se dos actos praticados resultar a morte da vítima, a pena "poderá ser agravada entre três e dez anos", segundo a proposta de criminalização da violência escolar, aprovada ontem na generalidade em Conselho de Ministros (CM).

 

O documento, que vai agora ser discutido entre os parceiros sociais, antes de ser submetido à Assembleia da República, abrange "os maus tratos físicos ou psíquicos, incluindo castigos corporais, privações da liberdade e ofensas sexuais a qualquer membro da comunidade escolar a que também pertença o agressor".

 

A tipificação da violência escolar como crime público (deixando de exigir queixa para ser investigado) foi suscitada pelo procurador-geral da República, Pinto Monteiro, em Março.

 

http://publico.pt/Educa%C3%A7%C3%A3o/bullying-pode-dar-prisao-se-o-agressor-tiver-mais-de-16-anos_1463395

publicado por contracorrente às 22:00

07
Out 10

... retratados neste folheto que circula pela cidade de Bragança.

 

Fica claro o que são as actividades superiores de recepção e integração dos novos alunos e do que representa a praxe.

Bem como dos que lucram com elas.

Folheto Discoteca Mercado Bragança

publicado por contracorrente às 21:01
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16
Set 10

A resposta à mediocridade com humor. É muito giro! http://www.youtube.com/watch?v=SyK_zF-oMzU

(autor: azeitevinagre)

publicado por contracorrente às 20:17
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14
Set 10

Repetimos o citado em anterior post: "... nas instituições ensino superior que se verificam os casos mais flagrantes e generalizados de bullying em todos os sistemas de ensino em Portugal. Chamamos-lhes, pomposamente, praxes académicas".


 

Três psicólogos de diferentes instituições nacionais concluíram que há muito poucos casos de bullying, ou seja, de comportamentos agressivos sobre jovens específicos, nas escolas portuguesas, num estudo que é hoje apresentado sob forma de livro em Oeiras.

http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?section_id=61&id_news=468866

 

 

No uso coloquial entre falantes de língua inglesa, bullying é frequentemente usado para descrever uma forma de assédio interpretado por alguém que está, de alguma forma, em condições de exercer o seu poder sobre alguém ou sobre um grupo mais fraco.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Bullying


15
Mai 10

Abjecta praxe!

 

Recordando outros tempos e outras lutas.

E lembrando, hoje 15 de Maio, o Dia Nacional do Objector de Consciência.

Breve notícia, entrevista de 4 min. c/ Presid. da ALOOC.

Ver aqui: RTP .

A Associação Livre dos Objectores e Objectoras de Consciência (ALOOC)

http://aloc.no.sapo.pt/home.htm (ver no IExplorer)

Promove uma Cultura de Não-Violência, onde a Educação para a Paz se manifesta como um instrumento privilegiado de introdução da Tolerância, Respeito mútuo e Compreensão de diferentes realidades, para a construção de um novo paradigma de convivência entre todos os habitantes do nosso planeta.

publicado por contracorrente às 22:08

19
Abr 10

Praxe é bullying, claramente.

 

"É curioso tratar este assunto numa instituição do ensino superior como se não fosse nas instituições ensino superior que se verificassem os casos mais flagrantes e generalizados de bullying em todos os sistemas de ensino em Portugal. Chamamos-lhes, pomposamente, praxes académicas".

(Comentário identificado)


 

http://www.bcd.pt/

[...] docente na Universidade do Minho, demonstra que uma em cada três crianças do distrito de Bragança já foi vítima de violência por parte de colegas na escola. Os rapazes são mais vítimas e agressores e muitas das agressões ocorrem no caminho entre a casa e a escola, são algumas das conclusões tiradas do debate subordinado à temática do Bullying, organizado pela Juventude Socialista de Bragança e que teve lugar na Escola de Tecnologia e Gestão do IPB no Sábado.

 

http://www.brigantia.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=3772&Itemid=43

“É verdade. São medidas de prevenção, falar com os pais, transmitir o que é o bullying, o que devem fazer cada vez que há uma agressão, como apresentar queixa, [...]"

publicado por contracorrente às 22:22
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26
Fev 10

re-Citamos (sem comentários!):

"as praxes fossem dignas, elevadas e imaginativas"

Mascarenhas Ferreira, reitor da UTAD

 

E elogiamos uma Real medida:

"1727 foi o ano do reinado de D. João V em que a morte de um aluno na Universidade de Coimbra levou à proibição de qualquer praxamento dos caloiros".

*******************************************

Chaves: Estudantes do pólo flaviense da UTAD exigem fim dos castigos

Alunos obrigados a praxe violenta

É mais um caso de alegado exagero nas praxes académicas. Desta vez, no pólo de Chaves da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD). Um grupo de alunos do primeiro ano queixa-se de estar a ser vítima, desde o início de ano lectivo, de séries intermináveis de praxes académicas, sob ameaça de que, caso não se sujeitem aos castigos, não poderão trajar na semana académica.

"Primeiro foi a semana de recepção ao caloiro, depois veio o julgamento e o baptismo, momento a partir do qual as praxes deixaram de ser todos os dias e passaram a ser apenas à quarta-feira. Houve mais uma semana de praxe antes do semestre acabar e agora decorre [termina hoje] a semana do regresso", dizem os queixosos, sublinhando que, nos últimos dias, têm sido "obrigados a beber copos pelos bares da cidade, até altas horas da madrugada".

"Tivemos os exageros do julgamento, em que os caloiros eram colocados num local com pedaços de carne crua e ossos e, depois, completamente banhados com molhos gordurosos. Agora é essa violência de nos obrigarem a andar de bar em bar até às quatro, cinco e seis da manhã", acrescentam.

Os caloiros dizem que esta situação se verifica apenas no pólo de Chaves e não em Vila Real, onde se encontra sediada a universidade, "provavelmente porque lá o controlo das praxes é mais apertado".

Em declarações ao CM, João Pedro, responsável pela praxe, nega "peremptoriamente" as acusações, referindo que "ninguém é obrigado a participar nas idas aos bares" e que as mesmas "só acontecem entre as 22h00 e a meia--noite". E acrescenta que "essas acusações não são verdadeiras".

Mascarenhas Ferreira, reitor da UTAD, disse ao CM que não tem conhecimento de violência ou outros exageros nas praxes, lembrando que deu instruções claras para que "as praxes fossem dignas, elevadas e imaginativas". "Dizem-me que as orientações têm sido respeitadas, mas vou averiguar e se houver infracções os autores serão castigados", explicou.

OS QUE NÃO FOREM À PRAXE NÃO PODERÃO TRAJAR

Esta é a ameaça do ‘Conselho de Veteranos’: Os que não foram à praxe não poderão trajar. Ora, a Semana Académica é de 27 de Abril a 3 de Maio e os caloiros, que se querem apresentar trajados, "porque um universitário sem traje é como se o não fosse", sujeitam-se às exigências dos "doutores". O reitor da UTAD garante que, "no interior dos recintos da universidade, não há praxes sem a devida elevação", mas admite que "não é possível controlar os comportamentos dos alunos lá fora". O pólo de Chaves da UTAD tem 54 alunos no primeiro ano.

‘DURA PRAXIS, ...

... Sed Praxis’, ou seja ‘A praxe é dura, mas é praxe’ aproveita o mote latino do direito romano ‘Dura Lex, Sed Lex’ e reflecte a ideia antiga e profunda que o ‘foro académico’ é diferente da ‘lei civil’. Este é o princípio das praxes.

1727 foi o ano do reinado de D. João V em que a morte de um aluno na Universidade de Coimbra levou à proibição de qualquer praxamento dos caloiros.

 

Correio da Manhã, 26 Fevereiro 2010

http://www.cmjornal.xl.pt/noticia.aspx?contentid=BDA97EDF-B24D-4B29-B60A-2B49A74A5483&channelid=ED40E6C1-FF04-4FB3-A203-5B4BE438007E

 


13
Fev 10
Cinco anos de prisão para veterano que violou "caloira"

Crime no Enterro da Gata de 2008

 

Por Samuel Silva

Um colectivo de juízes do Tribunal de Braga condenou, anteontem, um antigo estudante da Universidade do Minho a cinco anos de prisão efectiva, dando como provada a violação de uma colega mais nova durante as festas académicas de 2008. O autor do crime era um veterano da licenciatura em Engenharia Biomédica, que abusou de uma "caloira" do mesmo curso durante o Enterro da Gata.

A vítima, então com 18 anos, foi agredida e violada pelo colega de curso, que na altura tinha 25 anos. O crime aconteceu de madrugada, dentro do recinto de concertos dos festejos académicos do Minho, na zona envolvente ao estádio municipal de Braga.

A moldura penal prevista para o crime de violação varia entre de três a dez anos de prisão. A sentença do Tribunal de Braga condena o jovem a uma pena efectiva de cinco anos de cadeia, que é ainda acrescida da obrigatoriedade de indemnizar a vítima em 35 mil euros por danos morais e patrimoniais. A não apresentação de sinais de arrependimento durante o julgamento e a conduta fria nas quatro sessões de audiência pesaram na decisão do colectivo de três juízes que julgou o caso.

A decisão foi recebida com agrado pela vítima. O advogado da jovem, Paulo Ferronho, considera que se "fez justiça". "Trata-se de um crime grave em que não foi dada a hipótese de pena suspensa, algo que deixou a minha cliente satisfeita", diz o jurista, esperando que desta forma a vítima possa ultrapassar o trauma causado pela violação.

A estudante acabou por desistir do curso em Braga, tendo pedido transferência de universidade, por se recusar a voltar à cidade face aos danos psicológicos sofridos. A decisão do colectivo de juízes está a ser analisada pelo representante do ex-estudante condenado, Rui Martins, que não decidiu ainda se haverá ou não recurso da sentença.

http://jornal.publico.clix.pt/noticia/13-02-2010/cinco-anos--de-prisao-para-veterano-que-violou-caloira-18790641.htm

 

publicado por contracorrente às 11:34

10
Dez 09

Há algo de novo e exclusivo, de Portalegre, nesta notícia?

Obviamente que não. Conhecemos bem estes factos e este nome "Tribunal de Praxe".

E sabemos as cumplicidades, muitas vezes por omissão, que se tecem à volta da realização destes actos. Só uma pressão mediática poderá produzir resultados a este inquérito interno. Estaremos atentos, portanto.

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Alunos da Escola Superior de Portalegre queixam-se das praxes

 

10.12.2009 - 11:24 Por Lusa

 

A Escola Superior de Educação de Portalegre (ESEP) vai abrir um processo de averiguações para identificar os alegados autores de praxes violentas a um grupo de alunos, revelou hoje à agência Lusa fonte do estabelecimento de ensino.

De acordo com o presidente do conselho directivo da ESEP, Albano Silva, a escola vai desencadear um “inquérito interno”, que promete ser “breve”, para apurar a veracidade da situação e “responsabilizar” os presumíveis infractores. Entre as várias denúncias apresentadas ao concelho directivo daquele estabelecimento de ensino, afecto ao Instituto Politécnico de Portalegre (IPP), os alunos relatam que foram vítimas de “agressões físicas, apalpões e ofensas” durante o último Tribunal de Praxe. As denúncias do grupo de alunos, que entrou na segunda fase de candidaturas ao ensino superior, recaem sobre alegados elementos da Comissão de Praxe, nomeadamente sobre um conjunto de jovens que agiram encapuzados (denominados como carrascos). “Vamos inquirir para tentar chegar, rapidamente, à veracidade dos factos”, limitou-se a adiantar Albano Silva.

http://publico.pt/Educa%C3%A7%C3%A3o/alunos-da-escola-superior-de-portalegre-queixamse-das-praxes_1413288

publicado por contracorrente às 22:06

11
Nov 09
"Basta pum basta!!!
Morra o Dantas, morra! Pim!"
 
in Manifesto Anti-Dantas, Almada Negreiros
 
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Depois das recomendações do Ministério do Ensino Superior Politécnico de Viseu proíbe praxes nas suas instalações

11.11.2009 - 09:36 Por Lusa

 

O presidente do Instituto Politécnico de Viseu (IPV), Fernando Sebastião, proibiu as praxes académicas nos edifícios e espaços envolventes das escolas da instituição para não “dar facilidades” aos alunos para cumprirem esta tradição. A decisão, que consta num despacho de 30 de Outubro, prendeu-se “com as recomendações do ministro [da Ciência, da Tecnologia e do Ensino Superior) e com o impacto negativo para a imagem do instituto” que tiveram notícias recentes sobre a existência de alegados “negócios lucrativos” de membros do Conselho de Viriato com os bares para onde levam os caloiros, justificou Fernando Sebastião. “O ministro recomendou que não fossem dadas facilidades relativamente às actividades de praxe e avisou que, se houver denúncia de humilhação dos alunos, comunicará ao Ministério Público. Ora, se permitirmos as actividades, estamos a facilitá-las”, considerou, aludindo à mensagem enviada por Mariano Gago aos responsáveis máximos das universidades públicas e privadas e dos politécnicos. Fernando Sebastião admitiu que, na sua decisão, pesou a denúncia anónima que apontou o dedo a elementos do Conselho de Viriato (nomeadamente à sua presidente), que estariam a lucrar à conta dos caloiros e que levou mesmo a Associação Académica a suspender a praxe. “A única medida que eu podia tomar era não autorizar as actividades de praxe”, frisou. No que respeita a este assunto, contou que o ministro lhe enviou “cópias de recortes das notícias de jornais” e “mostrou preocupação pela situação”. “Acho que depois de tudo isto os dirigentes associativos estão preocupados com a situação e não querem abusos, nem que a academia esteja na praça pública por maus motivos”, considerou, contando que houve quem não tivesse gostado da sua decisão e quem achasse que “já devia ter sido tomada há mais tempo”. O presidente da Associação Académica do Instituto Politécnico de Viseu, Rafael Guimarães, escusou-se a dizer se concorda ou não com o despacho de Fernando Sebastião. “Já havia algumas escolas que proibiam a prática de praxe, nomeadamente a Superior de Tecnologia e a de Tecnologia e Gestão de Lamego. Foi uma questão de estender isso às restantes escolas do Politécnico”, disse apenas, disposto a dar o assunto das praxes por encerrado.

 

http://publico.pt/Educa%C3%A7%C3%A3o/politecnico-de-viseu-proibe-praxes-nas-suas-instalacoes_1409334

 

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De acordo com o Blog do M.A.T.A. esta posição tinha também já sido assumida em comunicado pelo Director da FEUP, Carlos A. Veiga da Costa.

 

Despacho n.º 3/2009 No quadro das instruções recebidas do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior relacionadas com as praxes académicas, do despacho do Senhor Reitor da Universidade, a Direcção da FEUP lançou um aviso a toda a comunidade académica, sublinhando a obrigatoriedade de todos os estudantes envolvidos nas praxes observarem as condições que garantissem o desenrolar normal e sereno dessas actividades. Tendo-se verificado, ainda assim, o não cumprimento integral do referido aviso, determino a cessação imediata de toda e qualquer actividade no âmbito das praxes académicas dentro das instalações da FEUP.

 

Porto e FEUP, 30 de Outubro de 2009

 

http://blogdomata.blogspot.com/2009/11/apesar-de-nao-considerarmos-ser-melhor.html

 

publicado por contracorrente às 18:20

04
Nov 09

"Os eunucos devoram-se a si mesmos / Não mudam de uniforme, são venais / E quando os mais são feitos em torresmos / Defendem os tiranos contra os pais /Em tudo são verdugos mais ou menos / No jardim dos haréns os principais / E quando os mais são feitos em torresmos / Não matam os tiranos pedem mais [...]"

 

 

 


01
Nov 09

Estas fotos são muito elucidativas do manifesto acto superior de integração.
Um dia, quando estas práticas se extinguirem (?), ainda lhes erguerão estátuas ou serão medalhados por tão ilustre filantropismo. Bem hajam por manter esses magníficos rituais, dignos de um roteiro turístico. Talvez alguma agência de viagens os possa vir a integrar em futura promoção do folclore de Portugal.

 

http://publico.pt/Educa%C3%A7%C3%A3o/veteranos-de-coimbra-rejeitam-praxes-que-ultrapassem-os-limites_1407762

 

http://mutad.blogspot.com/2009/10/ministro-contra-praxes-fascistas-e.html

 

Mais e pior, no Google:

http://images.google.pt/images?gbv=2&hl=pt-PT&q=praxes&sa=N&start=0&ndsp=18

 

Mais exemplos, dos superiores actos de integração. Dignos de roteiro turístico exclusivo...

publicado por contracorrente às 20:47

O Conselho de Veteranos (CV) de Coimbra, que zela pela aplicação da praxe como meio de integrar os caloiros na academia, rejeita todas as práticas ilegais que “ultrapassem os limites”.

 

O dux veteranorum João Luís de Jesus, que presidente ao CV, disse à agência Lusa que este órgão rejeita “tudo o que ultrapasse o limite do bom-senso e da integridade física e psicológica” dos estudantes recém-chegados à Universidade de Coimbra (UC).
No entanto, segundo o dux, a praxe “não serve apenas para dar as boas-vindas aos caloiros” e proporcionar-lhes “uma boa integração” na comunidade universitária e na cidade.
“A praxe é uma mostra da evolução das tradições dos estudantes e da universidade”, visando também “manter um espírito muito próprio numa comunidade muito única”, refere.
Em 1957, face ao aumento acentuado do número de estudantes nas diferentes faculdades da UC - de escassos milhares antes da II Guerra Mundial para os actuais 22 mil -, as normas da praxe foram reunidas no Código da Praxe, sujeito depois a várias revisões, a última das quais em 2007.
“O código deve ser interpretado como uma orientação de como deve ser vivida a praxe”, salienta João Luís, que está a concluir o mestrado integrado de Engenharia Electrotécnica de Computadores.
Chefe dos universitários veteranos, João Luís realça que a actual praxe, em Coimbra, reflecte um conjunto de “tradições muito próprias”, a que se foi juntando “aquilo que os estudantes foram inventando em termos de brincadeiras” ao longo dos tempos.
“Tudo o que se possa imaginar em termos de relações interpessoais” na mais antiga universidade de Portugal e uma das mais antigas da Europa, adianta.
O dux veteranorum sublinha que a praxe serve ainda “para fazer perceber aos caloiros que estudam na Universidade de Coimbra, que tem uma mística, e não noutro sítio qualquer”.
“Aqui, felizmente, não existem casos extremos como noutros sítios”, congratula-se, explicando que em Coimbra as regras da praxe tiveram uma evolução e “não foram inventadas do nada”, o que contrasta com instituições de ensino superior de criação mais recente.
Eventuais práticas violentas dos doutores (alunos que têm pelo menos duas matrículas) sobre os caloiros “devem ser tratadas nos tribunais”, frisa.
“Isso não é praxe, é falta de juízo e de civismo das pessoas”, classifica.
Em 2008 e 2009, o Conselho de Veteranos não registou qualquer queixa devido à praxe.
Segundo o dux, nos anos anteriores, a maioria das queixas eram “relacionadas com má interpretação das regras” e foram sancionadas à luz do Código da Praxe.
“Nestes anos, na Universidade de Coimbra, não me recordo de queixas devido à praxe”, confirma o presidente da Associação Académica (AAC), Jorge Serrote.
Já as actividades de cariz solidário, que têm marcado algumas recepções aos caloiros, não são reconhecidas em Coimbra como praxe.

 

http://publico.pt/Educa%C3%A7%C3%A3o/veteranos-de-coimbra-rejeitam-praxes-que-ultrapassem-os-limites_1407762

publicado por contracorrente às 20:36

28
Out 09

Mariano Gago envia quatro queixas de praxe para PGR

Por Bárbara Wong

O ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior recebeu cinco queixas de praxes que alegadamente terão tido gravidade. Destas, quatro foram enviadas para a Procuradoria-Geral da República, informa o gabinete de imprensa do ministro. Sobre a quinta participação "foram pedidos mais elementos".

Há cerca de um mês, o ministro anunciou, numa carta enviada às instituições de ensino superior, que faria denúncia ao Ministério Público sempre que surgisse uma "notícia de práticas de ilícitos graves nas praxes". Na altura, o ministro avisava que poderia "responsabilizar civil e criminalmente" as escolas ou as associações académicas pelos excessos.

Este ano, a Universidade Lusíada foi condenada a pagar 90 mil euros à família de um jovem morto em 2001 na sequência de uma praxe, o Instituto Piaget foi condenado a pagar 36 mil euros a uma jovem vítima de praxe e seis ex-alunos da Escola Agrária de Santarém foram condenados por co-autoria de um crime de ofensas à integridade física qualificada.

http://jornal.publico.clix.pt/noticia/27-10-2009/mariano-gago-envia-quatro-queixas-de-praxe-para-pgr-18095622.htm

publicado por contracorrente às 21:11

26
Out 09

In vino veritas? Ou Ensino (POUCO) Superior?

 

 

Viseu pára praxe por suspeita de negócios com caloiros

26.10.2009 - 09:27 Por :, Sandra Ferreira

 

A Associação Académica de Viseu (AAV) cancelou todas as actividades de praxe até ao próximo dia 8 de Novembro por existirem suspeitas de que os caloiros estão a ser utilizados para negócios em bares da cidade. A decisão surge na sequência da denúncia que um grupo de estudantes fez, por e-mail, ao Instituto Politécnico de Viseu, segundo a qual o órgão responsável pela promoção e regulação da praxe, o Conselho de Viriato (CV), seria o beneficiário destes negócios.

 

Os estudantes alegam que, durante as tertúlias académicas ("um nome pomposo para designar osrallys das tascas"), os caloiros são obrigados a circular de bar em bar, bebendo até não poderem mais, sendo no final encaminhados para uma discoteca ou bar dançante, de onde o Conselho de Viriato retira supostos dividendos.

"Os caloiros não devem ser obrigados a sair de casa à noite, faltando às aulas de manhã, para que superiores da praxe [Conselho Viriato] ganhem dinheiro com isso", lê-se no e-mail. A mandatária de todo este esquema, apontam, é a líder do Conselho de Viriato, Ana Pinto, aluna do curso de Engenharia Civil e empregada num dos bares da zona do Politécnico.

A confirmarem-se as queixas, Fernando Sebastião, presidente do Instituto Politécnico de Viseu, diz que a situação é "inadmissível". Aquele responsável já se reuniu com a Associação Académica de Viseu e anunciou que, "para acabarem as suspeições", as actividades de praxe só serão retomadas em Novembro, quando começar a semana de recepção ao caloiro.

Porém, em conferência de imprensa, Rafael Guimarães, presidente da AAV, sublinhou, vezes sem conta, que acredita não haver quaisquer negócios de enriquecimento pessoal, entendendo que são "calúnias".

Ana Pinto, líder do CV, esclarece que as tertúlias são reuniões que servem para debater temas relacionados com a praxe e que se desenrolam em diversos bares "que patrocinam legalmente as tertúlias" e que o dinheiro é destinado a suportar as despesas com os festejos dos caloiros, explica. Garante também que ninguém é obrigado a consumir, muito menos bebidas alcoólicas.

O PÚBLICO contactou vários proprietários de bares que garantiram já ter pago 25 euros, sem recibo, para garantir a presença dos caloiros. Um deles contou que, no ano passado, lhe foi proposto pagar 50 euros, mas, como recusou, os caloiros não voltaram a entrar no bar.

O PÚBLICO teve acesso às chamadas folhas de pontuação, que o presidente da AAV afirma desconhecer, nas quais estão definidos os pontos que cada estudante ganha, de acordo com o tipo de bebidas que consome. Por exemplo, um fino (5 pontos) vale menos do que um shot(15 pontos). A maior valorização (100 pontos) é dada a quem beber de uma só vez mais de meio litro de cerveja.

 

http://publico.pt/Educa%C3%A7%C3%A3o/viseu-para-praxe-por-suspeita-de-negocios-com-caloiros_1406871

 

publicado por contracorrente às 18:26

21
Out 09

Até das instituições mais herméticas vem um sinal claro de não tolerância frente a abusos que a mais elementar legislação jurídica protege. Perante as evidências viram-se forçados a tomar medidas mais claras.

 

"O Ministério Público acusou oito alunos do Colégio Militar por seis crimes de maus tratos contra colegas mais novos, que aconteceram no interior daquela instituição de ensino. Os incidentes ocorreram no ano lectivo de 2006/07 e no princípio de 2008. Finalistas nesse ano lectivo, os alunos chegaram a ser punidos pelo Colégio, mas conseguiram evitar a expulsão".

 

http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1396402&seccao=Sul

 

 

Os resultados da inspecção extraordinária ao funcionamento do Colégio Militar (CM) e do Instituto Militar dos Pupilos do Exército levaram o Governo a pedir medidas urgentes ao Exército, a entidade que tutela aquelas duas instituições de ensino. Diz o Ministério da Defesa que essas medidas são necessárias para salvaguardar, "a todo o momento", o bem-estar e a "integridade física dos jovens alunos confiados à guarda do Estado".

 

http://publico.pt/Sociedade/inspeccao-ao-colegio-militar-e-pupilos-do-exercito-leva-governo-a-exigir-medidas_1406116


29
Set 09

As palavras são do ministro Mariano Gago, que vem relembrar anterior tomada de posição, em nota enviada aos Reitores e Presidentes dos IP's, responsabilizando-os criminalmente se necessário. Curiosamente estas notas de serviço não circulam dentro das instituições.  Estranho, não é? Tanta conivência com estas práticas, fascistas e boçais.

PÚBLICO

http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1402779

 

Ministro avisa reitores para não pactuarem com práticas “fascistas e boçais”

28.09.2009 - 20h36 Lusa

O ministro da Ciência e Ensino Superior avisou hoje que não vai tolerar abusos nas praxes académicas, denunciando-os ao Ministério Público para responsabilizar quer os seus autores quer as direcções de instituições que permitam que aconteçam.

 

“Sempre que tenha notícia da prática de ilícitos nas praxes”, Mariano Gago ameaça dar “imediato conhecimento ao Ministério Público” e usar “os meios aptos a responsabilizar, civil e criminalmente, por acção ou omissão os órgãos próprios das instituições do ensino superior, as associações de estudantes e ainda quaisquer outras entidades que, podendo e devendo fazê-lo”, não tenham feito nada para as evitar.

 

Numa mensagem enviada aos responsáveis máximos das universidades públicas e privadas e politécnicos, o ministro frisa que “a tolerância de muitos tem-se tornado cúmplice de situações sempre inaceitáveis” com danos físicos e psicológicos. Mariano Gago repudia as “práticas de humilhação e de agressão física e psicológica” com carácter “fascista e boçal” infligidas aos caloiros no ensino superior, “identificadas ou desculpadas como ‘praxes’ académicas”.

 

Pela “extraordinária gravidade” de algumas destas práticas, impõe-se “uma atitude de responsabilidade colectiva” que “não permite qualquer tolerância” com “insuportáveis violações do Estado de Direito” no meio académico. “A degradação física e psicológica dos mais novos como rito de iniciação é uma afronta aos valores da própria educação e à razão de ser das instituições de ensino superior e deve ser eficazmente combatida por todos: estudantes, professores e, muito especialmente, pelos próprios responsáveis das instituições”, defende o governante.

 

Os responsáveis pelas instituições não devem disponibilizar, directa ou indirectamente, “recursos materiais ou outras facilidades” para a realização de praxes, mas “intervir de forma activa” junto dos novos estudantes, especialmente os deslocados, e dizer-lhes “com clareza” que podem recusar participar nas praxes sem recear perder direitos, recomenda Mariano Gago. Quanto às associações de estudantes, cabe-lhes promover “uma verdadeira integração na comunidade académica” e recusar acolhimento ou apoios a acções que “põem objectivamente em causa” a “liberdade e a dignidade humana”.

 

Mariano Gago recordou que a lei que rege as instituições de ensino superior estipula sanções - que podem ir da advertência à expulsão - para actos de “violência ou coacção física ou psicológica” sobre estudantes cometidos nas praxes. O ministro recebeu na semana passada os responsáveis do Movimento Anti-Tradição Académica, que no domingo divulgou que a Universidade Lusíada de Famalicão vai pagar uma indemnização de 90 mil euros à família do jovem universitário que terá morrido na sequência de uma praxe académica.

 

TSF

http://tsf.sapo.pt/PaginaInicial/Portugal/Interior.aspx?content_id=1011522

 

Ministério avisa que denunciará ao MP excessos cometidos nas praxes

10 SET 08 às 19:53

  

Mariano Gago avisou os reitores de todas as universidades que vai estar muito atento a eventuais excessos cometidos durante as praxes académicas e que utilizará os meios necessários para responsabilizar civil e criminalmente quem não evitar os danos ocorridos.

 

O ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior anunciou, esta quarta-feira, no Parlamento, que escreveu uma carta para os reitores de todas as universidades portuguesas, públicas e privadas, a alertar que vai estar muito atento a eventuais excessos cometidos durante as praxes académicas.

 

Na missiva, Mariano Gago avisa que não vai tolerar abusos e que não hesitará em informar «de imediato» o Ministério Público de práticas que considere excessivas.

 

A tutela «lançará mão dos meios aptos a responsabilizar, civil e criminalmente, por acção ou por omissão, os órgãos próprios das instituições de Ensino Superior, as associações de estudantes e quaisquer outras entidades que, podendo e devendo fazê-lo, não tenham procedido de forma a evitar os danos ocorridos», disse.

 

«A extraordinária gravidade à integridade física que aconteceu no ano passado merece uma atitude colectiva suficientemente ponderada, mas firme para que no início do próximo ano lectivo existam condições para não se repetir a vergonha que aconteceu nalgumas instituições, acrescentou o governante.
publicado por contracorrente às 13:24

27
Set 09

Isto não se faz a ninguém. E não se faz sobretudo a uma mãe, matar-lhe um filho. Canalhas!

 

O jornal "i-online" noticia que o médico que denunciou o caso se "suicidou" (ver link no final deste post). A ter sido assim, e sem outros esclarecimentos, isso é de uma extrema gravidade. E porquê um silêncio sepulcral em torno destes acontecimentos?

Não está na nossa matriz acreditar em bruxas, mas que elas andam por aí lá isso andam, a fazer das suas.

 

A Grande Reportagem de Felícia Cabrita (em 2004), é um verdadeiro murro no estômago.

Ver link no final deste notícia.

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Praxe: Lusíada tem de pagar 90 mil euros à família de aluno morto

 

A Universidade Lusíada, de Vila Nova de Famalicão, foi condenada por omissão de acção, no caso da praxe violenta, ocorrida em Outubro de 2001, no seio da tuna académica, e que resultou na morte de Diogo Macedo, de 22 anos, aluno de Arquitectura.

 

A Universidade Lusíada de Famalicão vai pagar uma indemnização de 90 mil euros à família do jovem universitário que terá morrido na sequência de uma praxe académica, divulgou hoje o Movimento Anti-Tradição Académica (MATA).

 

O Tribunal Cível de Famalicão responsabilizou a universidade pelo homicídio do Diogo Macedo, em 2001, após ter sido submetido a praxes por parte da tuna a que pertencia.

Para o tribunal, a instituição 'não controlou nem evitou as praxes académicas', diz o MATA num comunicado de imprensa enviado para a Lusa.

'O Tribunal considerou provado que nunca a ré (universidade) teve algum controlo efectivo sobre esse tipo de praxes violentas e humilhantes. Não temos notícia que alguma vez tenha proibido a violência mencionada, aliás os factos apurados mostram a ausência de intervenção', cita o movimento.

O homicídio agora julgado remonta a Outubro de 2001, quando Diogo Macedo era estudante do 4.º ano de Arquitectura e membro da tuna.

Na noite em que o jovem decidiu abandonar a tuna acabaria por falecer devido a lesões cérebro-medulares, 'após acontecimentos ainda por esclarecer', explica o MATA.

De acordo com a associação, a morte começou por ser considerada acidental, mas as suspeitas de um médico do Hospital de S. João fizeram com que mais averiguações fossem efectuadas. A autópsia veio a revelar 'múltiplas escoriações corporais, além da fractura de uma vértebra cervical contraída por agressão e que teria sido a causa da morte'.

Na sequência destes factos, dois elementos da tuna foram constituídos arguidos. Contudo, o processo foi arquivado em 2004 por falta de provas. O MATA lembra que numa das sessões de tribunal em que as testemunhas estavam a ser ouvidas, 'o próprio juiz reconheceu o 'muro de silêncio' que tinha sido criado': era 'uma única versão conjunta de nada'.

Depois do processo-crime seguiu-se o processo cível. A mãe de Diogo Macedo pediu uma indemnização de 210 mil euros à Fundação Minerva, que detém a Universidade Lusíada. O tribunal deu como provada a morte, em consequência de lesões provocadas.

Este e outros dados levaram o Tribunal Cível de Famalicão a dar como provada a morte do estudante, em consequência de uma pancada, alegadamente, desferida durante a praxe.

 

 A notícia mais desenvolvida e comentada no blogue do M.A.T.A.:

 

http://blogdomata.blogspot.com/2009/09/cominucado-de-imprensa-sobre-decisao-do.html

  

NA IMPRENSA:

 

Sol, 27 de Setembro de 2009

http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=149223 

 

Correio da Manhã, 26 de Setembro de 2009

 

http://www.correiomanha.pt/noticia.aspx?contentid=301BDB21-F57B-4F61-A45A-0C15DD73E8D4&channelid=00000009-0000-0000-0000-000000000009

 

Correio do Minho

http://www.correiodominho.com/noticias.php?id=14964

 

Jornal i

 

Praxe: Lusíada tem de pagar 90 mil euros à família de aluno morto

por Pedro Sales Dias, Publicado em 26 de Setembro de 2009

 

http://www.ionline.pt/conteudo/24829-praxe-lusiada-tem-pagar-90-mil-euros--familia-aluno-morto

 

Público

"Condenação da Universidade Lusíada leva MATA a pedir reflexão sobre praxes"

http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1402587


NOS ARQUIVOS

 

A Grande Reportagem de Felícia Cabrita (em 2004), que numa semana investigou mais do que a polícia em 3 anos.

 

http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=149242  

 


21
Set 09

"As cerimónias de graduação das universidades em Portugal e Moçambique parecem rituais medievais, com professores e estudantes envergando assustadoras túnicas escuras que quase sugerem um culto satânico."

 

Mia Couto, in "E se Obama fosse africano? e outras interinvenções", ed. Caminho (Janeiro 2009)

publicado por contracorrente às 18:04
tags:

05
Jul 09

 

Praxes não podem atentar contra os direitos

PÚBLICO, 04.07.2009, Francisco Teixeira da Mota

Para o STJ, uma escola superior deve promover os valores humanos, para além de ministrar conhecimentos científicos

As praxes académicas têm uma notável tendência para se tornarem exercícios imbecis e gratuitos de poder por parte dos "doutores" visando a humilhação dos caloiros. O caso ocorrido em 2002 na Escola Superior de Enfermagem do Instituto Piaget, em Macedo de Cavaleiros, em que a caloira Ana, para além de humilhada pelos seus "colegas", foi repreendida por escrito pela Direcção da Escola "pela forma subjectiva excessiva como relatou os factos, que sabia não terem a gravidade que decorre da sua exposição, tal como ela própria reconheceu", chegou ao seu termo. E pode dizer-se, genericamente, que o final é saudável e que prestigia a nossa justiça (e o nosso país...). No passado dia 25 de Junho, o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) num acórdão subscrito pelos juízes conselheiros Garcia Calejo, Helder Roque e Sebastião Póvoas não teve dúvidas em condenar o estabelecimento de ensino em causa a indemnizar a ex-aluna na quantia de  38.540,67 Euros, sendo  13.540,67 Euros pelas despesas que lhe foram causadas e 25.000 pelo sofrimento por si vivido. O estabelecimento defendeu-se alegando a sua irresponsabilidade no que acontecera à Ana, já que esta podia ter evitado a praxe, declarando-se antipraxe - passando, é certo, a ser tratada por "bosta" ou por "verme" e a não poder participar em qualquer actividade académica, como simples festas, reuniões ou conferências -, e, de qualquer forma, não tinham sido os órgãos do Instituto, nem ninguém a mando deles, quem praxara a aluna em causa. Esclareça-se que nas praxes em causa foi ordenado à Ana que vestisse do avesso a roupa da cintura para cima e que colocasse o soutien do lado de fora da roupa, tendo tal mudança da posição da roupa e do soutien sido feita resguardada de olhares alheios, na casa de banho, tendo, ainda, sido ordenado que simulasse orgasmos com um poste de iluminação, que rebolasse na relva e que carregasse com arreios de um burro. A grande questão jurídica que se punha era a de saber se o Instituto Piaget era ou não responsável pelo que sucedera à Ana nas suas instalações, no âmbito da praxe que se encontrava institucionalizada no referido estabelecimento de ensino através de um "Regulamento de Praxes de Alunos" que era do conhecimento (e aceite) pela Direcção da Escola. O STJ sobre a matéria chegou a importantes conclusões que convém todos sabermos e que, certamente, da sua tumba, Jean Piaget terá aprovado. Para o STJ, "um estabelecimento de ensino superior deverá, por essência, promover os valores humanos, para além de ministrar, fomentar e impulsionar os conhecimentos científicos. Deverá, assim, impulsionar o dever de respeito dos direitos fundamentais do homem, acautelando que esses direitos, designadamente os direitos de personalidade de uma pessoa, não sejam ofendidos". E acrescentou o STJ que "embora não se possa negar a possibilidade de as diversas universidades do país terem e exercerem as suas praxes, onde alguma irreverência será até aceitável, não será admissível que com essas praxes se venham a exercer violências físicas e morais sobre alunos, designadamente sobre os mais desprotegidos (os que se aprestam a frequentar o 1.º ano), para gozo e júbilo de alguns e sofrimento (moral e físico) dos atingidos, os mais fracos".

Para os referidos juízes conselheiros, "um estabelecimento de ensino superior tem o dever jurídico e social de impedir que seja levado à prática nas suas instalações um "Regulamento de Praxes de Alunos" contendo praxes humilhantes e vexatórias, procedimentos constrangedores que podem levar ao exercício de violência física e psíquica sobre os alunos, claramente restritivas dos direitos, liberdades e garantias dos visados". E, por isso mesmo, um "estabelecimento de ensino que contempla com a vigência de um Regulamento da Comissão de Praxecom tais características é responsável, por omissão, pelos danos sofridos por uma aluna que foi submetida a praxes dessa natureza". O Instituto Piaget, no entender do STJ, deveria ter actuado não propriamente para retirar actos concretos de praxe constantes do regulamento mas para tornar inócuas, nesse regulamento, as expressões ofensivas e ameaçadoras nele contidas de direitos de personalidade de alunos seus - como as expressões "bostas" ou "vermes" -, bem como para afastar a pesada coacção a que eram sujeitos os estudantes que se recusavam a ser submetidos à praxe, passando a ser uma espécie de párias. No entender do STJ, incumbia igualmente à escola providenciar pela segurança e bem-estar dos alunos, nas suas instalações, em virtude do contrato que celebrara, protegendo-os de violações à sua integridade física ou moral. O Acórdão do STJ confirmou, no essencial, a decisão do Tribunal da Relação do Porto que já condenara o Instituto Piaget a indemnizar a Ana, mas convém salientar que o tribunal de 1.ª instância absolvera o mesmo Instituto, nomeadamente por considerar que não cabia no âmbito da acção proposta pela Ana "apreciar da bondade global do Regulamento de Praxes dos Alunos, designadamente quanto às sanções nele previstas em caso de recusa de praxe, porquanto esse é um problema que ultrapassa o que está em causa na acção e que são os concretos actos de praxe a que a autora foi sujeita". Uma visão formalmente defensável mas geradora de injustiça e que foi devidamente corrigida pelos tribunais superiores. Já que a justiça não se agradece, resta-nos agradecer à Ana por ter levado até ao fim a sua luta cívica. Advogado (ftmota@netcabo.pt)

 

 

publicado por contracorrente às 22:41

29
Jun 09

O Supremo Tribunal de Justiça condena, finalmente, o Piaget a indeminizar Ana Sofia damião, vítima de praxe e queixosa, no valor de 38 mil euros.

 

Decisão que, no nosso entender, pode fazer jurisprudência. Todas as instituições que, por conivência e omissão, permitam no seu interior estas práticas sujeitam-se a igual tratamento.

 

Dura Lex Sed Lex!

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Notícia mais desenvolvida no Blog do M.A.T.A. - Movimento Anti-Tradição Académica:

 

http://blogdomata.blogspot.com/2009/06/supremo-tribunal-de-justica-da-razao.html

 

Fonte citada também por outros:

 

In Verbis - Revista Digital de Justiça e Sociedade:

 

Praxe: STJ confirma indemnização a aluna

29-Jun-2009
O Supremo Tribunal de Justiça confirmou a condenação do Instituto Piaget ao pagamento de cerca de 38 mil euros de indemnização a uma aluna que foi submetida a práticas humilhantes de praxe, em 2002.

 

Rádio Brigantia:

 

http://www.brigantia.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=2424&Itemid=43

 

Portal BCD:

 

http://www.bcd.pt/

 

Rádio RBA

 

http://rba.pt/noticias.php?id=178

publicado por contracorrente às 23:54

20
Jun 09

As primeiras palavras vão para a dor desta família. Pela marca permanente da perda de um filho. Também pela sua persistência em arrastar esta dor exigindo o mínimo, justiça.

 

Qualquer que seja o veredicto final, com implicações materiais ou não, fica clara a responsabilidade moral por um acto altamente reprovável. O homicídio é um crime, ponto. Do qual terão que existir obviamente responsáveis.

Estaremos atentos aos desfecho.

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Aluno morreu por causa de praxe, conclui tribunal

20.06.2009 O Tribunal Cível de Famalicão considerou ontem provado que um membro da Tuna da Universidade Lusíada morreu durante uma praxe ao ser atingido na "nuca" com uma revista. A posição foi expressa pelo juiz José Manuel Flores, responsável pelo processo cível, ao dar a conhecer a resposta a 51 quesitos. O relatório da autópsia refere que o estudante Diogo Macedo sofreu "fractura da 1.ª vértebra cervical, arco posterior, com hematoma extenso no cerebelo direito", podendo ter sido provocada pela agressão sofrida no interior do edifício da universidade.
O advogado da universidade já disse à Lusa que vai responder às conclusões do juiz do processo, das quais discorda. "Nada do que está dado como provado nos quesitos resulta do processo", referiu o causídico António Viana Dias. O advogado de defesa da Lusíada e João Nabais, representante legal da mãe de Diogo Macedo, têm agora 30 dias para contestar os quesitos. "É claro que vamos pedir para repor a verdade", frisou ainda António Viana Dias.
Neste processo, o Tribunal Cível de Famalicão pretende apurar se houve ou não responsabilidade da Universidade Lusíada na morte de um aluno, alegadamente ocorrida durante uma praxe da Tuna Académica.
A mãe de Diogo Macedo, o aluno da Lusíada morto em 2001, seis dias depois da alegada agressão, pede 210 mil euros de indemnização à Minerva, a fundação que detém a Lusíada. A morte deste aluno, com 21 anos à data dos factos e a frequentar então o 4.º ano do curso de Arquitectura, não deu lugar a qualquer processo-crime. O caso ainda foi investigado pelo Ministério Público de Famalicão, que acabou por o arquivar em 2004, alegando falta de provas. A sentença do processo cível deverá ser comunicada às partes ainda antes das férias judiciais.

 

http://jornal.publico.clix.pt/

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DN, 19/06/2009

 

Tribunal considerou quesitos provados

Aluno morto há 8 anos em praxe por pancada com revista

 

http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1267428&seccao=Norte

publicado por contracorrente às 00:04

07
Abr 09



Alunos avaliam docentes, promovem referendo sobre a praxe na instituição e exigem novas instalações na Escola de Mirandela

As praxes voltaram a ser debatidas pelos alunos do Instituto Politécnico de Bragança (IPB) durante a celebração do Dia Nacional do Estudante, na passada terça-feira. Para tal, foi realizado um referendo com o objectivo de conhecer a opinião dos alunos sobre este tema.

«Queremos saber se são a favor ou contra para, no próximo ano, fazermos pressão na direcção do Instituto Politécnico, para que possamos continuar com as praxes», explicou o presidente da Associação Académica de Estudantes do IPB (AAE IPB), Bruno Miranda. O dirigente acredita que os resultados serão favoráveis à manutenção das práticas académicas, já que «a praxe é uma tradição e devemos mantê-la, mas como meio de integração e não de subjugação, acrescentou. A par desta iniciativa, o Código de Praxe vai ser revisto, já no próximo mês, no âmbito do Tratado de Bolonha.

Sandra Canteiro, Jornal Nordeste, 2009-04-07


28
Mar 09

MUDANÇAS NA PRAXE DO IPB

 

O regulamento da praxe no Instituto Politécnico de Bragança vai sofrer alterações.

A revelação foi feita à Brigantia por Bruno Miranda, presidente da Associação Académica.

 

Ontem, dia do Estudante, foi realizado um referendo sobre essa matéria e, apesar de ainda não serem conhecidos os resultados, Bruno Miranda revelou que o assunto deve ser discutido numa Assembleia, dentro de um mês.

“Há muita gente contra o actual método de praxe mas muita gente a favor da praxe em sei” refere o presidente da Associação Académica.

 

Segundo ele o objectivo deste referendo “é dar mais força para que nos próximo anos possamos continuar com a praxe”. Nessa altura, as actividades já deverão reger-se por um novo regulamento porque “queremos rever o actual método de praxe que vai ser discutido daqui a um mês em assembleia” afirma Bruno Miranda.

 

 

 

Escrito por Rádio Brigantia

 

http://www.brigantia.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=1889&Itemid=43

publicado por contracorrente às 08:08
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07
Dez 08

O que poderia ter sido apenas um simples pedido de desculpas, recusado pelos dirigentes desta instituição, terminou nisto. Valeu a coragem e persistência de Ana Sofia Damião.

 

Alguém nos avisava, num mail pessoal, que ainda estava prevista possibilidade de recurso.

A isto, também à nossa incapacidade de compreender que os diferentes tribunais vão emitindo decisões em direcções diversas, respondemos que o que nos move não é uma decisão, pontual, mas uma causa. O respeito pela liberdade e dignidade humana.

 

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A notícia, no Público:

 

Primeira indemnização decidida pelo tribunal contra escolas e a favor de estudantes humilhados em praxes

Piaget condenado a pagar 40 mil euros a aluna vítima de praxe 

05.12.2008 - 08h29 José Augusto Moreira

O Tribunal da Relação do Porto condenou o Instituto Piaget a pagar uma indemnização de cerca de 40 mil euros a uma aluna vítima de actos de praxe, considerados degradantes e humilhantes. O acórdão, que diz respeito a factos ocorridos em 2002, em Macedo de Cavaleiros, considera que constitui ilícito civil a conduta de uma instituição do ensino superior que, embora conhecendo o conteúdo de um código de praxe ofensivo, intimador e violador da dignidade da pessoa humana, permite ao mesmo tempo que continue a ser aplicado.

Por outro lado, frisam os juízes, tal instituição tem o dever específico de respeitar, fazer respeitar e promover direitos fundamentais, como o respeito mútuo, a liberdade, a solidariedade e a dignidade da pessoa humana, pelo que incorre na obrigação de indemnizar quem tenha sido ofendido pelas praxes académicas, relativamente aos danos patrimoniais e morais. O Instituto Piaget informou que não vai comentar a decisão, mas que dela vai apresentar recurso para o Supremo Tribunal de Justiça.

Esta é a primeira decisão conhecida em que uma instituição é condenada a ressarcir um aluno vítima de praxes académicas.
A acção foi proposta por uma ex-aluna do curso de Fisioterapia, Ana Damião, que se queixou de praxes violentas, degradantes e humilhantes e de nada ter acontecido depois de denunciar os factos aos responsáveis pela escola, que até lhe aplicou uma sanção disciplinar "pela forma subjectiva e excessiva como relatou os factos". Ana Damião teve que anular a matrícula e afastar-se da cidade, onde era alvo de frequentes ofensas e insultos por ter denunciado o caso.

Numa primeira decisão, o Tribunal de Macedo de Cavaleiros acabou por não lhe dar razão, já que, embora confirmando os factos, acabou por absolver a escola considerando não ter ficado provado que a aluna se tenha recusado a submeter-se às actividades da praxe. Na decisão de recurso, os juízes da relação fazem uma severa apreciação desta decisão, considerando que nela se "confunde de forma simplista a não recusa com o consentimento" ao mesmo tempo que "não valorizou a ambiência de medo, constrangimento e ansiedade" vivida pela aluna.

O acórdão agora conhecido afirma mesmo que "mal andou o tribunal [de Macedo de Cavaleiros]" ao afirmar que "as praxes académicas constituem um fenómeno público e notório e do conhecimento geral", uma vez que tal "não permite concluir que autora [a aluna] ou qualquer cidadão comum conheça o teor dessas práticas: como simular actos sexuais com um poste, simular um orgasmo, exibir a roupa interior, proferir expressões de elevada grosseria ou ser chamado de bosta".
A indemnização, de 38.540 euros, acrescidos de juros desde o início do processo, resulta dos danos morais e patrimoniais sofridos por Ana Damião, já que perdeu o ano e foi forçada a sair da escola, tendo entretanto concluído outro curso numa escola de Chaves. A sua advogada, Elisa Santos, considera que, além de fazer justiça, a decisão é também "um prémio para a atitude extraordinária e corajosa" mantida por Ana Damião.

http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1352180

Na Blogoesfera:

Blog do M.A.T.A.:  Parabéns Ana Sofia Damião!

http://blogdomata.blogspot.com/2008/12/piaget-condenado-pagar-40-mil-euros.html

Jugular: Boa notícia!

http://jugular.blogs.sapo.pt/531306.html

Kontrastes: Violência [não] simbólica.

http://kontrastes.org/edukacao/praxes/

Superflumina: justiça nas praxes.

http://superflumina.blogs.sapo.pt/322647.html

Bandeira negra: paguem e não praxem.

http://bandeiranegra1.wordpress.com/2008/12/05/paguem-e-nao-praxem-por-uma-vez-exemplar-o-piaget-foi-condenado/

Lei e ordem. Aplaudir a condenação.

http://lei-e-ordem.blogspot.com/2008/12/condenao-das-praxes-no-instituto-piaget.html

 

COMENTÁRIOS DE LEITORES

Testemunhos que falam por si:

06.12.2008 - 00h15 - Anónimo, Porto

O que diriam os defensores da humilhação da praxe, se os pais destas alunas criassem uma associação de praxar os praxadores, e pegassem neles, e os levassem para a praça central da cidade, e os pusessem em cuecas, simulassem en**bar-se uns aos outros, e todo o tipo de sevícias. E, não tendo sobre eles a pressão que eles têm sobre os caloiros, de os afastar da centralidade do convívio social académico durante uns anos, usariam como pressão uma pistola (meio de pressão que faria certamente que nenhum dos praxadores recusasse ser praxado). Poder-se-ia depois dizer que não recusaram a praxe.

 

05.12.2008 - 16h56 - Anónimo, f

Posso dar aqui o meu testemunho. Não sou contra as praxes, mas há praxes e praxes.... Durante a minha praxe, também me "ordenaram" que simulasse actos sexuais contra uma árvore, levantei-me (sim, porque a maior parte do tempo durante a praxe era passado de joelhos) e disse que não o faria e como tal me ia embora. Alguns "doutores" vieram falar comigo, dizendo que não tinha mal nenhum e que era só uma brincadeira. Disse que não me sentia à vontade para o fazer e que não o faria. Outros ameaçaram com coisas do género: "se não o fizeres ficarás impedida de participar em qualquer actividade académica relacionada com a comissão de praxes ou associação de estudantes", etc, etc. Mesmo assim recusei e como conhecia um "doutor" safei-me e permitiram-me continuar com a praxe mas só fazia aquilo para que me sentia à vontade. Fiz alguns amigos durante a praxe, mas também fiquei "marcada" para outros que não aceitam a recusa e humilham. No meu caso foi possível recusar-me a fazer determinadas figuras, mas compreendo que para muitas pessoas seja mais difícil recusarem-se por vários motivos: estão num ambiente completamente novo, onde não conhecem ninguém e têm receio de ser hostilizadas...

 

05.12.2008 - 14h54 - Maria João , Coimbra

Estudei quatro anos numa universidade e não me parece que as praxes sirvam para a integração de quem quer que seja. Não arranjei amigos nas praxes, bem pelo contrário. Encontrei "doutoras de Direito" que me proibiram de ir às aulas e não me largaram a mim e a duas colegas, enquanro não fizemos tudo o que mandaram fazer. Não fui violada, nem o cabelo me foi rapado. Contudo, o ar altivo e prepotente daquelas senhoras nunca mais esqueci. Não creio que tenha contribuido para a minha integração... Voltei a ver uam delas mais tarde e só me apetecia esbofeteá-la. Não sou do contra. Gosto das tradições académicas, mas posso dispensar determinados tipos de praxe- Quanto à história da recusa da praxe, não passa de uma história, porque se os "doutores" estão mal intencionados não há recusa que valha aos caloiros.

 

05.12.2008 - 14h41 - Anónimo, Chaves, Portugal

Antes de mais queria dar os meus parabéns ao jornal “O Público”, pois tem vindo a acompanhar este caso com a maior das seriedades, com rigor e isenção. Relatando mais esta viragem de página desta historia que tanta tinta já fez correr, com base numa busca dedicada, ao ponto de fazer citações pertinentes do próprio acórdão do tribunal da comarca do Porto. O único reparo que gostaria de fazer é que a Ana Sofia estudou no IPB de Bragança onde tirou uma licenciatura em Farmácia. Em relação ao caso só gostaria de dizer que os juízes do Porto tiveram a coragem (ou então não se deixaram comprar!) que faltou à Srª. Juíza do tribunal de Macedo de Cavaleiros, já para não falar do 6 anos que tiveram de passar para se fazer justiça, (que com este recurso vai aumentar). Um comentário ao Sr. Maxuca, eu conheço a Ana Sofia, um mulher inteligente, forte, e com uma personalidade vincada, e se quer saber ela é DIRECTORA TÉCNICA de uma para-farmácia, com um vencimento adequado à função, pelo que não é uma questão de dinheiros, nem favores!!!Só me deixa triste a sua ignorância como cidadão e a aberração como pessoa. O seu comentário foi muito infeliz e despropositado. Parabéns Ana Sofia!

 

05.12.2008 - 14h15 - Me, UK

Conheci em tempos membros de algumas comissões de praxe do ISEP (Alguns deles estudaram comigo no secundário) e nunca imaginei q uma situação identica à sua tive ocorrido mas uma coisa é certa.. o ISEP tinha (não posso falar do presente pq n tenho conhecimento) uma das mais coesas trupes de caloiros da universidade do Porto. O que não se fala por cá é da hierarquia da praxe, eu passo a explicar. Existe um conselho de veteranos, veteranos de cursos e uma comissão de praxe, praxistas e caloiros. A comisão de praxe organiza as actividades com supervisão dos veteranos de cruso do conselho de veternos. Se existe alguém a passar o risco (os praxistas) o conselho de veteranos tem em sua responsabilidade punir praxisticamente esses elementos e isso posso garantir que funciona. Isto é explicado aos calorios (pelo menos na universidade do porto). A praxe a meu ver serve para a integração dos caloiros. Eu nunca vi os ditos "Anti-Praxe" a organizarem qualquer tipo de evento para ajudar os recem chegados alunos à Universidade. O que não se pode esquecer é q nem toda a gente vive perto da Universidade que frequenta.

 

05.12.2008 - 13h43 - Rui Mendes, Lisboa

A juiza do Tribunal de Macedo de Cavaleiros deveria ser investigada. Não tem idoneidade para continuar a ser juiza. A comunicação social não deve esquecer o seu papel e pode dar um contributo para a melhoria do sistema da justiça também investigando e expondo influências nefastas que certamente acontecem.


06
Dez 08

 

 

Transcrevemos do Blog do M.A.T.A. a decisão do Tribunal da Relação do Porto:

 

I - Constitui ilícito civil a conduta de uma instituição do ensino superior que embora conhecendo o conteúdo de um “Código de Praxe” ofensivo, e intimador, violador da dignidade da pessoa humana, permite que o mesmo continue a ser aplicado.
II - Tal instituição tem o dever específico de respeitar, fazer respeitar e promover direitos fundamentais, como o respeito mútuo. A liberdade, a solidariedade, a dignidade da pessoa humana.
III - Como tal a instituição tem a obrigação de indemnizar quem tenha sido ofendido pelas ditas praxes académicas, relativamente aos danos patrimoniais e morais.

(sumário do acórdão do Tribunal da Relação do Porto)

http://blogdomata.blogspot.com/2008/12/quem-disse-que-as-escolas-no-tm-nada.html

publicado por contracorrente às 00:18

05
Dez 08

Já lá vão seis anos

  Macedo de Cavaleiros

Instituto Piaget indemniza ex-caloira em mais de 38 mil euros

O Tribunal da Relação do Porto condenou o Instituto Jean Piaget de Macedo de Cavaleiros a pagar uma indemnização superior a 38 mil euros a uma ex-caloira, que considerou a atitude da instituição «omissa e negligente» nas praxes de 2002.

O Instituto Jean Piaget de Macedo de Cavaleiros foi condenado a pagar uma indemnização superior a 38 mil euros a uma ex-caloira pelo Tribunal da Relação do Porto, que considerou a atitude da instituição \"omissa e negligente\" nas praxes de 2002.

Uma decisão que é motivo de \"orgulho para a advogada da ex-caloira, Elisa Santos, que, em declarações hoje à Lusa realça a \"persistência\" desta jovem, que nos últimos anos viu outras instâncias judiciais negarem as suas pretensões.

O acórdão do Tribunal da Relação do Porto (TRP) data de 24 de Novembro e censura a atitude da instituição de ensino superior, mas também do Tribunal de Macedo de Cavaleiros, que negou anteriormente a pretensão da jovem.

Ana Sofia Damião avançou, em 2006, com um pedido de indemnização de quase 70 mil euros ao Instituto Piaget, depois de o Ministério Público ter arquivado o processo-crime contra os alegados autores de actos \"humilhantes\" nas praxes de 2002.

A jovem recorreu da decisão e o TRP deu-lhe agora razão, considerando que a anterior sentença \"incorreu em erro de julgamento\".

\"O Tribunal não valorizou a ambiência de medo, de constrangimento, de ansiedade, vivida pela Autora e motivado pela ameaça duma exclusão, com consequências penosas\", consideram os juízes da Relação.

Para estes magistrados, \"o facto de ser público e notório a existência de praxes académicas, não permite concluir que a Autora ou qualquer cidadão comum, conheça o teor dessas práticas\".

O Tribunal concordou que a jovem foi sujeita a \"praxes que ofendem a moral pública, já que nenhum membro da nossa comunidade simularia orgasmos e carregaria com os arreios de um burro sem se sentir atingido nos seus mais elementares princípios e valores\".

O principal alvo da censura dos juízes é a atitude do Instituto Jean Piaget no processo das praxes por nada ter feito para evitar a situação e posteriormente ainda ter aplicado uma sanção à jovem.

Ana Sofia Damião foi repreendida por escrito \"pela forma subjectiva e excessiva como relatou os factos\", \"uma infracção que não está prevista no regulamento disciplinar\".

Segundo a advogada, a jovem considera ainda ter sido \"humilhada e intimidada\" numa reunião promovida pelo Instituto, pelo \"número de antagonistas\" presentes, elementos da Comissão de Praxes e alegados autores dos actos denunciados.

O TRP decidiu atender parcialmente a pretensão da jovem e fixar em 38.540 euros a indemnização a apagar pelo Piaget, por danos morais e patrimoniais, a que acrescem juros até integral pagamento.

A Lusa tentou contar a direcção do Piaget de Macedo de Cavaleiros, o que não foi possível.

A advogada da jovem admite que o processo ainda não esteja concluído, já que o Piaget tem ainda a possibilidade de recorrer para o Supremo Tribunal de Justiça.

Lusa, 2008-12-06

 http://www.diariodetrasosmontes.com/index.php3

 

Piaget de Macedo condenado a pagar 40 mil euros a aluna vítima de praxe

     

 

 

O Tribunal da Relação do Porto condenou o Instituto Piaget a pagar uma indemnização de cerca de 40 mil euros a Ana Sofia Damião, a ex-aluna vítima de actos de praxe, considerados degradantes e humilhantes.

O acórdão, que diz respeito a factos ocorridos em 2002, em Macedo de Cavaleiros, considera que constitui ilícito civil a conduta de uma instituição do ensino superior que, embora conhecendo o conteúdo de um código de praxe ofensivo, intimador e violador da dignidade da pessoa humana, permite ao mesmo tempo que continue a ser aplicado.

 

Segundo o jornal Público, os juízes frisam ainda que o Piaget tem o dever específico de respeitar, fazer respeitar e promover direitos fundamentais, como o respeito mútuo, a liberdade, a solidariedade e a dignidade da pessoa humana, pelo que incorre na obrigação de indemnizar quem tenha sido ofendido pelas praxes académicas, relativamente aos danos patrimoniais e morais.

Esta é a primeira decisão conhecida em que uma instituição é condenada a ressarcir um aluno vítima de praxes académicas.

A acção foi proposta por uma ex-aluna do curso de Fisioterapia, Ana Damião, que se queixou de praxes violentas, degradantes e humilhantes e de nada ter acontecido depois de denunciar os factos aos responsáveis pela escola, que até lhe aplicou uma sanção disciplinar "pela forma subjectiva e excessiva como relatou os factos". Ana Damião teve que anular a matrícula e afastar-se da cidade, onde era alvo de frequentes ofensas e insultos por ter denunciado o caso.

Acabou por concluir outro curso numa escola de Chaves.

Numa primeira decisão, o Tribunal de Macedo de Cavaleiros acabou por não lhe dar razão, já que, embora confirmando os factos, acabou por absolver a escola considerando não ter ficado provado que a aluna se tenha recusado a submeter-se às actividades da praxe. Na decisão de recurso, agora conhecida, o tribunal da Relação afirma que "mal andou o tribunal [de Macedo de Cavaleiros]" ao afirmar que "as praxes académicas constituem um fenómeno público e notório e do conhecimento geral", uma vez que tal "não permite concluir que autora [a aluna] ou qualquer cidadão comum conheça o teor dessas práticas: como simular actos sexuais com um poste, simular um orgasmo, exibir a roupa interior, proferir expressões de elevada grosseria ou ser chamado de bosta".

A advogada de Ana Sofia Damião, considera que se fez justiça, mas Elisa Santos lembra que a decisão não é definitiva. “Fiquei muito satisfeita pela Ana Sofia, que anda nesta batalha desde 2002, e pelos juízes do Tribunal da relação terem compreendido a nossa argumentação, mas não se pode cantar vitória desde já porque ainda pode haver recurso”, refere.

 

O Instituto Piaget não comenta a decisão do Tribunal da Relação do Porto, mas anuncia que vai recorrer para o Supremo Tribunal de Justiça.

http://www.brigantia.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=1309&Itemid=43


13
Nov 08

Dar o devido desconto ou O referendo como arma para todos os  gostos...

 

Fazemos então as contas ao dito referendo às praxes na UTAD:

População estudantil da UTAD: ~ 6000 alunos

Votantes: 1667 (28%)

Resultados do referendo: 90% sim. Mas será assim?

Ora, ponderando: 0,90x0,28 = 0,25 . Ou seja, apenas 25% de aprovação. E não os proclamados 90% . Isto ainda a fazer fé na validade das mesas de voto onde estariam, supomos, apenas militantes da dita causa. Não ficaria mal aos jornalistas da Lusa perguntarem como ou quem validou os resultados. E se soubessem fazer contas a notícia nunca teria como título o que não é verdade, "Maioria dos estudantes da UTAD a favor da praxe")

 

Enfim,

1- O referendo é ridículo para muitas questões e em muitas circunstâncias, e esta é seguramente uma delas.

2- Os referendos têm legitimidade quando a participação atinge os 50%, o que não aconteceu aqui, nem de longe nem de perto. Apenas votaram 28% dos alunos.

3- A serem válidas as mesas de voto (não temos razão para tal), apenas 25%, e não 90%, terão votado sim.

3- Há duas formas de se ser notícia: boa ou má.

Aqui, estes não escolheram uma nem outra. Optaram pelo ridículo...

 

Resultado do referendo interno

  Vila Real

Maioria dos alunos da UTAD a favor da praxe

Cerca de noventa por cento dos 1.667 alunos da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), que votaram no referendo interno que decorreu hoje, estão a favor da praxe nos moldes como ela se faz actualmente.
O Conselho de Veteranos da UTAD chamou os alunos a responder à questão «Concordas com a existência, regulamentação e fiscalização da praxe académica na forma em que se encontra no código de praxe?».
Paulo Rosa Santos, o «venerável ancião» do Conselho de Veteranos, disse à Lusa que votaram no referendo interno 1.667 dos cerca de 6.000 alunos que estudam na academia transmontana.
Noventa por cento votaram sim, 9,84 por cento responderam não e menos de um por cento de votos foram brancos ou considerados nulos.
Paulo Rosa Santos explicou que, com esta iniciativa, se pretendeu mostrar a posição dos estudantes universitários relativamente a uma delimitação ao tempo e locais onde decorre a praxe.
O responsável critica a diminuição do «período de praxe», salientando que «não haverá tempo para a realização de todas as tradicionais actividades que servem para a integração dos novos estudantes».
Referiu ainda que, para além do «campus», os actos de praxe também decorrem na cidade o que, na sua opinião, também serve para integrar e dar a conhecer a mesma aos caloiros.
Os resultados do referendo serão entregues à Reitoria e ao Conselho Geral da UTAD.

Lusa, 2008-11-11

http://www.diariodetrasosmontes.com


11
Nov 08

Imagem de abertura da página de uma Associação Académica.

Vale mais do que mil palavras!...

 

Tourear e rastejar...

 

 

http://home.utad.pt/~aautad/index.php

 

publicado por contracorrente às 19:22

10
Nov 08

O Instituto Politécnico de Leiria fez uma tentativa para regular o impossível, ou inaceitável.

Numa proposta tímida, bem intencionada mas cheia de contradições.

Apesar de tudo salvaguarda a possibilidade de extinção destes actos.

Veremos em que tempo.

 

Há quem seja contra as praxes tanto quanto contra os regulamentos pribicionistas.

Eu, perfilo-me do lado dos que pensam que de cima deve vir a pedagogia. Ou mais ainda, a vigilância da defesa dos direitos e liberdades de modo integral. E não com os parêntesis que estes regulamentos, ou sem eles, se abrem nos campus universitarios.

 

 ------------------------

Diário da República, 2.ª série — N.º 150 — 5 de Agosto de 2008

 

http://www.ipleiria.pt/resources;jsessionid=aeaacc87657c90075fa641e43192?portal=ipleiria&sruid=116719-cms-main-documents&type=pdf

 

Normas reguladoras dos actos de praxe no campus do IPL

e escolas superiores e serviços de acção social

 

Uma cuidada reflexão sobre as práticas de praxe nos últimos anos

permite constatar que em alguns casos têm sido ultrapassados os limites

da razoabilidade, ferindo a dignidade dos novos estudantes e desvirtuando

o «fim integrador» na vida académica dos novos estudantes que

as praxes devem prosseguir. Em consequência, algumas práticas de praxe têm perturbado o normal funcionamento das actividades lectivas com repercussões negativas no

aproveitamento escolar dos novos estudantes. (…)

 

Artigo 1.º

Os actos de praxe só podem revestir a natureza de actos de integração

na vida académica, não podem em caso algum ser a eles sujeitos

estudantes contra sua vontade, revestir natureza vexatória ou de ofensa

à integridade física e moral do estudante, perturbar a sua ida e permanência

às aulas.

 

Artigo 2.º

1 — Nenhum estudante pode ser sujeito a actos de praxe contra a

sua vontade.

2 — Não são admissíveis actos de praxe que firam a dignidade do

estudante ou possam lesar a sua saúde.

(…)

Artigo 6.º

(…)  

2 — O despacho referido no número anterior, atendendo às circunstâncias

que o determina, pode igualmente determinar a proibição de

quaisquer actos de praxe para os anos subsequentes.

 

Artigo 7.º

É, ainda, expressamente proibido qualquer acto de praxe que obrigue

os estudantes a comparecer no campus das Escolas ou do IPL com

indumentária menos apropriada.

 

Artigo 8.º

A violação das regras atrás estabelecidas é passível de procedimento

disciplinar.

 

publicado por contracorrente às 18:56

 

 

A Juventude Comunista Portuguesa fez um texto intitulado «RJIES – proibição das praxes», que está no seu blog e que enviou para a imprensa.

 

A JCP dá tanta importância à praxe (e está tão metida nela) que se dá ao trabalho de escrever um texto sobre isso. Isto revela, aliás, que as praxes andam mesmo a ganhar muito poder dentro das escolas e muito tempo e espaço da cabeça dos estudantes – facto triste e perigoso a que se deve dar atenção.
 

 

Fontes: http://www.blogdomata.blogspot.com/

http://www.jornalmudardevida.net/?p=1287

 

Parte do texto da JCP:

 

http://www.jcp-pt.org/noticias.php?id=420&categoria=3&categoria2=0&categoria3=0

 

No contexto deste Regime Jurídico, verifica-se que em vários dos novos estatutos criados encontram-se restrições relativamente a actividades académicas, como a praxe, nomeadamente no que diz respeito ao seu tempo de duração e aos locais em que pode ser feito, que em algumas instituições acaba por ser a maior parte do seu espaço. Segundo o que está estipulado, a frequência às aulas não pode ser posta em causa para a realização destas actividades. Em caso de não cumprimento, os estudantes estão sujeitos a processos disciplinares. A JCP considera que tais restrições são uma ingerência na vida dos estudantes, e que é a eles que cabe as decisões no que diz respeito às suas actividades académicas.

 

A JCP apela a que os estudantes se unam na luta contra este Regime Jurídico

publicado por contracorrente às 18:26

04
Nov 08

publicado por contracorrente às 18:45

02
Nov 08

Pouco a pouco, alguns reitores vão tomando uma posição pública e clara sobre o que é impróprio  numa instuição de ensino.

Elogiamos esta atitude desassombrada por parte da figura máxima da Universidade de Évora, o reitor Rui Araújo. Aguardamos apenas que esta tenha mais seguidores. Que outros não se acomodem no bolorento imobilismo, intimidados por uns quantos "morcegos"!...

 

Recomendamos, aqui, que leiam as palavras do ministro...

(http://anti-praxe.blogs.sapo.pt/8415.html)

  

Estudantes de Évora protestaram contra restrições às praxes

 02.11.2008

 
O Dia da Universidade de Évora foi ontem marcado por um protesto de estudantes contra as limitações impostas pelas autoridades académicas à prática das praxes. Cerca de 600 alunos juntaram-se no claustro maior da instituição, trajados a rigor e empunhando cartazes a apelar à "tradição académica". A música das tunas deu lugar ao silêncio e o acto de estender as capas para que o cortejo académico passe por cima delas foi substituído por um virar de costas aos docentes. Para o Conselho de Notáveis, órgão constituído por alunos das diferentes licenciaturas, esta foi uma acção que visou mostrar a sua indignação com as medidas tomadas pela reitoria. "Esta foi a forma encontrada para mostrarmos que somos a favor da tradição académica e da praxe, devendo a Universidade assumi-la como sua, respeitá-la, e compreendê-la, ao invés de a afastar e rejeitar, uma vez que a praxe vai continuar a existir", afirmou Hugo Quintino, membro daquele conselho. O reitor Jorge Araújo disse, por seu lado, que os alunos estavam no seu direito de se manifestar, lamentado, contudo, o facto de "não reagirem relativamente a coisas muito mais graves que acontecem, dando a ideia de que a capacidade de indignação dos estudantes se resume às praxes". Jorge Araújo salientou que as praxes protocolares não estão proibidas, "o que está proibido são as alarvidades como gritar, chafurdar, sujar e todas as práticas que no fundo podem atentar contra a saúde física e psíquica dos alunos". M.A.Z.
http://jornal.publico.clix.pt/

publicado por contracorrente às 22:40

31
Out 08

Aluno sofre uma ruptura de aneurisma após praxe

HELENA SILVA

Um aluno da Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Leiria sofreu a ruptura de um aneurisma cerebral, depois de uma praxe académica. A escola pondera a abertura de um processo de averiguação.  Apesar dos receios da família, não está provada relação directa entre o incidente e o ritual.

Luís (nome fictício) tem 18 anos e é aluno do primeiro ano do curso de Engenharia Electrónica da Escola Superior de Tecnologia e Gestão (ESTG) do Politécnico de Leiria. Na passado dia 22, o jovem participou nas actividades de recepção ao caloiro - um desfile pelas ruas e o "baptismo", num jardim da cidade. Começou a queixar-se de fortes dores na cabeça e vómitos, acabando por ser transportado ao Hospital de Santo André, naquela cidade.

Fonte daquela unidade explicou que o aluno deu ali entrada, cerca das 21 horas, "com referência, pela pessoa que o acompanhava, de consumo elevado de bebidas alcoólicas". Permaneceu internado até à manhã do dia seguinte. Segundo o hospital não apresentava qualquer queixa nessa altura.

Mas a mãe do jovem contou ao JN que "as dores não passaram e foram-se intensificando".

Por isso, no sábado, voltou ao hospital. Foi-lhe diagnosticada, então, uma hemorragia intracraniana resultante da ruptura de um aneurisma cerebral (ver caixa), tendo sido transportado ao serviço de neurocirurgia do Centro Hospitalar de Coimbra, onde foi submetido a uma intervenção cirúrgica, na última terça-feira, que se prolongou por mais de sete horas. Permanece internado.

A mãe explica que, até sábado, ninguém sabia que o jovem tinha um aneurisma. E mostra-se convencida de que as actividades realizadas durante a praxe académica "poderão ter contribuído" para a ruptura.

"É certo que a ruptura de um aneurisma pode acontecer em qualquer circunstância, mas o que os alunos são sujeitos nas praxes - os pinotes, os banhos de água fria - podem provocar danos a quem tenha problemas de saúde, mesmo que não saiba". Por isso, adverte os outros pais para que, sempre que possível, "evitem que os filhos andem nestas coisas".

Carlos Neves, responsável da ESTG, afirmou ao JN que a escola está a ponderar abrir um processo de averiguação para apurar o que se passou naquela praxe. Ontem, o responsável ouviu os familiares do aluno, a Comissão de Praxes da escola e outros jovens que participaram nas actividades.

"Por aquilo que nos foi dito até agora, não se terá passado nada de anormal, mas estamos a averiguar se haverá uma relação directa entre a praxe e o acidente", afirmou.

 

[Estes actos dentro de instituições de ensino/educação são normais?!!]

 

Carlos Neves sublinhou que, apesar dessas actividades serem externas à escola, os responsáveis da ESTG procuram "controlar e observar", de forma a evitar eventuais excessos.

Rita Genésio, da Comissão de Praxes, contou que na véspera da praxe (terça-feira à noite), Luís terá assistido a dois concertos, integrados no programa de recepção ao caloiro. "Não terá dormido nessa noite e, quando iniciou as actividades, devia estar muito cansado", afirmou, assegurando que no dia de praxe "não houve excessos".

http://jn.sapo.pt/paginainicial/interior.aspx?content_id=1036366

 

Jovem de Leiria operado na sequência de praxe

Mais um caso de praxes violentas

Um jovem de 18 anos, estudante na Escola Superior de Tecnologia e Gestão

(ESTG) de Leiria, foi operado na terça-feira a um aneurisma cerebral,que rebentou na quarta-feira anterior alegadamente depois de sido praxado.

O aluno saiu na quarta-feira dos cuidados intensivos do Hospital dos

Covões, em Coimbra, onde ainda se encontra internado, mas a evolução do seu estado de saúde é favorável. Fátima Monteiro, 46 anos, diz que

sentiu uma “grande alegria” quando viu ontem o seu filho a caminhar com o apoio de uma enfermeira, apenas três dias depois de ter sido submetido

a uma intervenção cirúrgica “perigosíssima”, que teve a duração de sete

horas. O aneurisma estava alojado atrás do olho esquerdo, mas a mãe do jovem garante que não ficou com a visão afectada. O aneurisma cerebral

rebentou depois de Ricardo ter sido submetido à cerimónia de “baptismo”

na Fonte Luminosa, em Leiria, onde lhe mergulharam a cabeça em água

fria. Fátima Monteiro conta que o filho “gritava agarrado à cabeça” devido à

intensidade das dores, associadas a febre e a vómitos. Depois de várias

deslocações ao hospital, exames suplementares de diagnóstico detectaram

um aneurisma já na madrugada de domingo, ao qual foi operado dois

dias depois em Coimbra. “Foi um mês inteiro de brincadeira.

Só faziam parvoíces. Mas o Ricardo adorou as praxes. Parecia um tolo”,

conta a mãe. O presidente da ESTG, Carlos Neves, considera a “situação

infeliz”, mas defende que foi uma coincidência o aneurisma ter rebentado naquele dia.

www.publico.pt    31 de Outubro de 2008  

 


27
Out 08

 

Família de estudante morto depois de praxado quer reabrir processo-crime

 

27.10.2008, Natália Faria

 

 

Mãe de Diogo Macedo espera que, no decurso da acção cível, surjam novos elementos que permitam apurar responsabilidades na morte do estudante de 22 anos, em Outubro de 2001

 

 


Foi marcada para 14 de Novembro a próxima sessão do julgamento da acção cível interposta por Fátima Macedo, mãe de um jovem que morreu em Outubro de 2001, alegadamente na sequência de uma praxe a que foi sujeito na Universidade Lusíada, em Famalicão.
Fátima Macedo reclama uma indemnização de 210 mil euros à Minerva - fundação que detém a Lusíada. No entanto, segundo adiantou ao PÚBLICO a advogada Sónia Carneiro, o que a família espera é que no decurso desta acção surjam novos elementos que permitam reabrir o processo-crime que o Ministério Público (MP) arquivou, em Janeiro de 2004, por incapacidade de determinar quem foram os responsáveis pelas agressões que acabaram por provocar a morte de Diogo Macedo.
"Houve uma investigação criminal, que durou três anos, mas que se mostrou inconclusiva porque o Ministério Público conseguiu determinar que o Diogo foi vítima de agressões mas não conseguiu apurar a autoria dessas agressões", recorda Sónia Carneiro, dizendo-se convencida de que "a investigação ficou aquém do que poderia ter ido".
Muro de silêncio
Porque não têm "capacidade investigatória para apurar novos elementos", os advogados da família decidiram, em Janeiro de 2007, avançar com a acção cível agora em julgamento, esperando que, sete anos vol-
vidos, "as testemunhas consigam 'lembrar-se' do que aconteceu durante a praxe".
O muro de silêncio que se criou entre os elementos da tuna da Lusíada, a Académica, onde Diogo Macedo, então com 22 anos, tocava pandeireta, terá sido um dos entraves ao processo. Na sessão da passada quinta-feira, o próprio juiz largou um desabafo acerca da "impossibilidade de quebrar o muro de silêncio" em torno daquela morte. De facto, as três testemunhas ouvidas continuam a afirmar-se incapazes de descrever o que se passou na noite em que Diogo foi praxado. "Há uma espécie de amnésia...", lamenta Carneiro.
Caloiro na tuna
Factos: Diogo andava no 4.º ano do curso de Arquitectura, mas nunca passara de caloiro na tuna, sendo por isso frequente vítima das praxes perpetradas pelos colegas.
Na noite de 7 de Outubro de 2004, uma segunda-feira, preparava-se para jantar em casa quando recebeu um telefonema que o levou a ir ao local onde a tuna estava a ensaiar.
Por volta das 23h30, os pais receberam um telefonema a avisar que o Diogo tinha sido transportado para o hospital de Famalicão. Dali seguiu para o Hospital de São João, no Porto, onde entraria em coma profundo.
A máquina que o ligava à vida acabaria por ser desligada a 15 de Outubro. Na sessão de quinta-feira, a médica legista que elaborou o relatório da autópsia confirmou que "as lesões infligidas ao Diogo contraíram--lhe o cerebelo, lesão que o levaria a desfalecer e, mais tarde, a entrar em coma", segundo relatou ao PÚBLICO Sónia Carneiro. Já as testemunhas, elementos da tuna Académica à data dos acontecimentos, confirmaram apenas que Diogo foi praxado - mais exactamente obrigado a fazer flexões e agredido com uma revista no pescoço - tendo sido encontrado mais tarde inconsciente na casa de banho.

 

publicado por contracorrente às 17:46

24
Out 08

Solidariedade praxada, solidariedade forçada, solidariedade humilhada...

 

 Remetemos para o comentário à notícia publicada em post anterior (sobre este tipo de solidariedade forçada), acrescentado que esta é uma forma expedita de vilipendiar um gesto nobre, solidário e voluntário.

Ainda não entendemos bem se a ideia é lavar a imagem negra das praxes, com um único gesto, para nos restantes dias (semanas... ) terem carta branca para o rastejar no lameiro...

 

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Associação de Estudantes da Escola Superior Agrária promove «praxe comunitária»

A Associação de Estudantes da Escola Superior Agrária de Bragança vai promover uma praxe diferente, hoje. Além do tradicional objectivo de integração dos novos alunos, a «praxe comunitária» pretende levar a cabo uma recolha de bens, que depois serão entregues a instituições de solidariedade social.

 Norberto Leite, presidente da Associação de Estudantes adianta que \"a recolha vai tentar abranger toda a cidade de Bragança, mas o primeiro objectivo vão ser as áreas próximas da Escola Superior Agrária e o centro histórico da cidade\".

RC, 2008-10-22

http://www.diariodetrasosmontes.com/index.php3


23
Out 08

Há uma tentativa, espero que não conseguida, de lavar e legitimar as praxes. Esta ideia, de solidariedade forçada ("Uma acção, em forma de praxe,") não é inédita da academia de Bragança. Os ex.mos ditos veteranos, auto-denominados durante os rituais engenheiros ou doutores ainda sem o serem, poderiam dar o exemplo e mostrar a sua autêntica genuinidade solidária. "Vejam, caros novos alunos, aqui nós somos solidários. No próximo ano repitam o nosso exemplo".

Agora, estas ideias luminosas dispensam-se. Tenham a caução de quem tiverem.
Haverá outro nome para este acto que não seja praxe (solidária) forçada?
Será possível ser solidário à força?
O que pelos vistos é possível é manter as imaculadas praxes com a caução dos mais incautos e de muitos outros iliteratos. É pena...
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Caloiros do IPB ao lado de Rosa Mota em corrida solidária

Cerca de mil estudantes do Instituto Politécnico de Bragança participaram ontem à noite numa corrida solidária que contou com a participação da campeã olímpica de maratona, Rosa Mota.

 

Uma acção, em forma de praxe, que marcou o inicio da semana do caloiro do IPB.

As inscrições eram feitas em forma de donativos alimentares que vão reverter a favor de instituições particulares de solidariedade social da cidade de Bragança.

Bruno Miranda, o presidente da Associação Académica do IPB, explica o objectivo que o objectivo desta corrida passa por “acariciar e dar mais apoio às instituições de Bragança”.

Já os donativos recolhidos vão ser entregues a instituições como o Patronato, a Igreja dos Santos Mártires, APADI, obra do Padre Miguel, entre outros.

 

Rosa Mota que marcou presença, considerou a iniciativa um exemplo de solidariedade e um incentivo aos jovens para praticarem desporto. “Espero que esta caminhada seja um incentivo para eles para continuarem afazer exercício no seu dia a dia”, disse ao mesmo tempo que sublinhava que “quando estamos a fazer uma acção desportiva a pensar nos outros ainda dá mais gozo fazer desporto”.

 

Os caloiros que ontem correram nesta praxe salientaram a vertente solidária da iniciativa. “Somos boas pessoas e queremos, acima de tudo, ajudar”, diziam. “Trouxemos roupa e leite”, exemplificavam alguns alunos.

 

No entanto também participaram nesta corrida cidadãos que acabaram por ficar com outra ideia do que são as praxes. “Ao contrário que se pensa das praxes acho que foi uma ideia muito boa, ficámos com outra ideia”, revelou uma participante à Brigantia.

 

[...]

 

Rádio Brigantia  www.brigantia.pt

Última actualização: 23-10-2008 08:59

http://www.brigantia.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=1132&Itemid=43

 

Mural na FMDUL - Publicado no blog do M.A.T.A.


20
Out 08

 Pode haver liberdade para humilhar?

 20.10.2008, Rui Moreira

  

Apeteceu-me interromper a cerimónia, chamar-lhes pinguins viúvos e urubus e incentivar os caloiros a vingarem-se...

 

Há dias, à porta do Instituto Português de Oncologia, deparei com uma grande algazarra, que desrespeitava a proximidade do hospital. Tratava-se de uma daquelas miseráveis cerimónias iniciáticas a que se convencionou chamar de praxe. No caso, um grupo de jovens, envergando t-shirts com dizeres aberrantes, autoflagelava-se dando saltos idiotas e gritando palavras de ordem humilhantes, amestrados por um grupo de "gauleiterzinhas" com ar pedante. Ao vê-las, desengraçadas, disformes e desfeadas pelo negro das capas e pelas meias de vidro, lembrei-me de Jô Soares, apeteceu-me interromper a cerimónia, chamar-lhes pinguins viúvos e urubus de galocha e incentivar os caloiros a vingarem-se...
Esta irritação parecerá excessiva mas percebi, pelo que ouvi à minha volta, que não era o único a quem aquele espectáculo degradante incomodava. Aliás, incomoda também o ministro, que recentemente fez comentários oportunos e severos sobre o tema, advertindo que não toleraria mais excessos. Infelizmente, disse-o em vão, porque a hierarquia das instituições de ensino superior é cúmplice das associações de estudantes e incapaz de pôr cobro a esta prática. Veja-se o caso do infame Instituto Piaget, em que os abusos e excessos das praxes foram conhecidos através da denúncia de uma ex-aluna, onde a direcção começou por aprovar uma directriz que proibia as praxes durante a recepção aos caloiros mas logo a seguir recuou, submetendo-se a uma auto-intitulada Comissão de Tradições Académicas que, imagine-se, ameaçara com uma manifestação...
Detesto falsas tradições. Não gosto sequer das tunas, porque, com raras excepções, não têm piada nos seus exibicionismos e nas suas zarzuelas néscias que nos impingem em cerimónias públicas e eventos sociais. No caso da capa e batina, não se trata apenas de uma questão de estética, porque qualquer pessoa tem o direito de se mascarar como entende: o que me aflige e assusta é que muitos dos que as envergam não percebam, sequer, as origens obscurantistas do traje e que este constitua hoje um uniforme obrigatório em práticas violentas e humilhantes.
As praxes são, por tudo isto, uma prática a banir. Não proponho, naturalmente, que sejam proibidas, porque o país já não aguenta proibições que depois não são acatadas e porque isso só contribuiria para as incentivar na clandestinidade. Mas é indispensável que os caloiros saibam que elas não são obrigatórias e que sejam apoiados no sentido de se sentirem protegidos e de poderem denunciar, se for o caso, quem cometer algum abuso.
A integração dos recém-chegados à universidade não é compatível com a humilhação e a violência, nem se pode perpetuar o princípio da hierarquização da barbárie por antiguidade. Recordo-me da forma como fui recebido, em Inglaterra, quando lá cheguei para estudar. Lembro-me do apoio da Student's Union, dos Serviços Sociais da Universidade e dos tutores. Gostava que em Portugal, onde imitamos tanta coisa má que nos chega do estrangeiro, também conseguíssemos, de quando em vez, replicar o que é bom. Principalmente, tudo aquilo que tem a ver com as liberdades. Economista 
http://jornal.publico.clix.pt/

 

Cartoon de Henrique Monteiro

Publicado no Blog do M.A.T.A.

publicado por contracorrente às 21:32

14
Out 08

 

 

Piaget acedeu a pedido dos alunos e permitiu praxes

(IOL Diário)

 

http://blogdomata.blogspot.com/2008/10/errata-do-ltimo-post-quem-que-disse-que.html

 

Proibição no fim-de-semana gerou manifestação de desagrado
Piaget de Viseu permite praxe dentro das instalações, após protesto dos alunos 
13.10.2008 - 14h56

 http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1345846&idCanal=58

 

publicado por contracorrente às 22:02

09
Out 08

 

fui almoçar e antes e depos de ir observei que uma das "brincadeiras para promover a amizade" é meter 1 miúda sentada no chão e rodeá-la por uns 10 batmans a gritar umas merdas quaisquer.

 

Do blog do M.A.T.A.

 

http://blogdomata.blogspot.com/2008/10/sempre-bom-quando-os-amigos-partilham.html

 

publicado por contracorrente às 22:25

O ridículo não tem limites.

Será possível referendar a tortura, a humilhação?

 

Pelos vistos sim. No dia 11 de Novembro, que certos calendários dizem ser dia de São Martinho. Pois que o façam pelo menos com bom vinho!

 

 

Dia 11 de Novembro

  Vila Real

Alunos da UTAD vão referendar a praxe

»Concordam com a praxe nos moldes em que está regulamentada no código de praxe do Conselho de Veteranos?». No próximo dia 11 de Novembro, a praxe vai ser alvo de referendo por parte dos alunos da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD). A decisão foi tomada na última Assembleia Geral de Alunos, por proposta do Conselho de Veteranos, que não concorda com a inclusão de alguns pontos sobre o tema nos Estatutos da UTAD.

Os alunos da UTAD vão responder a um referendo relativo às praxes. A decisão surgiu na última Assembleia Geral de Alunos, que teve como tema de discussão as praxes e a sua regulamentação. E a proposta foi apresentada pelo Conselho de Veteranos.

Recorde-se que, recentemente, os estatutos da UTAD incluíram uma cláusula relativa às praxes que desagradou ao Conselho de Veteranos. Em causa estavam, por exemplo, os pontos em que se instituía apenas duas semanas para a praxe e que esta não se poderia realizar fora dos espaços da universidade nem dentro dos pavilhões onde os alunos têm aulas. Estas duas polémicas determinações acabaram, no entanto, por ser removidas dos estatutos pela Assembleia Estatuária da UTAD. Contudo, mantêm-se ainda outros dois pontos que desagradam ao Conselho de Veteranos, relacionados com aquilo que nos estatutos é considerado praxe.

De resto, foi esta “intromissão” da universidade num assunto que, até agora, era apenas regulamentado pelo Conselho de Veteranos, que acabou por levar à marcação de uma reunião de alunos extraordinária para debater a situação.

Segundo um comunicado enviado pelo Conselho de Veteranos da UTAD, o objectivo desta RGA (Reunião Geral de Alunos), na qual participaram 700 alunos, foi “debater as Praxes Académicas e o ataque que as tradições académicas e os estudantes da UTAD têm sofrido nos últimos tempos”.

Além da proposta de referendar a questão das praxes, na reunião foi aprovada uma moção de apoio às praxes. Ambas as propostas foram aprovadas por uma esmagadora maioria e “com total liberdade de expressão e de voto”. No comunicado, pode-se ler ainda que “as praxes foram proibidas pelo Conselho de Veteranos durante a Assembleia Geral de modo a garantir a total liberdade de expressão dos caloiros na reunião”. Na Assembleia, apenas quatro caloiros se mostraram contra as praxes.

O referendo vai decorrer no dia 11 de Novembro e Paulo Rosas, venerável Ansião da UTAD, espera uma “participação massiva” dos estudantes, que vão responder se “concordam com a praxe nos moldes em que está regulamentada no código de praxe do Conselho de Veteranos”.

Sónia Domingues, Semanário Transmontano, 2008-10-08

 

http://www.diariodetrasosmontes.com/index.php3

 

publicado por contracorrente às 20:20

04
Out 08

Comunicado da Alternativa Libertária

 

«Anos consecutivos de praxe violenta, humilhante e sexista deitam por terra os esforços dos defensores da praxe, apresentada como uma forma tradicional de integração. Nada podia ser mais falso, a praxe nos moldes em que existe na maior parte das universidades de Portugal é uma espécie de violência doméstica tolerada e que tem como objectivo a subserviência dos caloiros (considerados como inferiores) aos seus colegas mais velhos, veteranos ou não (considerados superiores). Toda uma panóplia de alarvidades teóricas baseadas em princípios medievais são a fonte de inspiração de quem praxa: fazer e ter amigos é a mais comum.
Não é preciso pensar muito para chegar a uma conclusão simples, se para ter 'amigos' tenho que me sujeitar a coisas degradantes como simular sexo, comer merda, ser pintado ou dizer de joelhos 'caloiro é pior que cão', prefiro não ter esses 'amigos' e ter outros que não estabeleçam uma 'amizade' depois de me humilharem.
Portugal é um país de modas, a praxe é uma moda e não uma tradição.Se há tradição de praxe apenas pode ser remetida para o caso de Coimbra. No entanto, o argumento de tradição (embora seja uma invenção) por si só também não convence. Existem boas e más tradições, tal como existem bons e maus costumes e a praxe a par do bullyng é um mau costume e algo a que nos devemos opôr totalmente.
A praxe já matou, a praxe já violou, a praxe já deixou marcas para toda a vida como amputações de membros e marcas psicológicas profundas. A praxe anula o sentimento académico de igualdade e união e incentiva o circo foclórico labrego, vazio de espírito crítico. Não é por acaso que as Associações de Estudantes de Portugal são as menos activas da Europa e só se preocupam com festas, galas,praxes e carreirismo politico.
Por estas razões apelamos a todas caloiros que rejeitem a hierarquia imposta por quem é igual a vocês. Apelamos ao boicote e à denúncia daquilo que é a tortura instutucional da praxe.»

Alternativa-libertaria@riseup.net

 

http://blogdomata.blogspot.com/2008/10/comunicado-da-alternativa-libertria.html

 

publicado por contracorrente às 22:44

23
Set 08
Reacção ao comunicado de Carlos Matos Ferreira

Associação de Estudantes do Técnico considera "precipitada" decisão de proibir praxes 

22.09.2008 - 18h12 Ana Margarida Pereira
O presidente da Associação de Estudantes do Instituto Superior Técnico de Lisboa, Jean Barroca, considera "precipitada" a decisão do presidente do IST, Carlos Matos Ferreira, de proibir as praxes académicas dentro dos recintos daquela instituição de ensino. Na sexta-feira, Matos Ferreira divulgou um comunicado no site do IST a proibir qualquer actividade ligada às praxes, uma decisão que surge em reacção ao aviso enviado aos reitores pelo Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Mariano Gago, a 10 de Setembro.

Matos Ferreira não reconhece "legitimidade a qualquer comissão de praxe” e proíbe "a prática de praxes académicas nos campus da Alameda e do Tagus Park, qualquer que seja a forma como são organizadas”.

Contactado pelo PÚBLICO, o presidente da associação de estudantes do IST, Jean Barroca, sublinha que esta é uma decisão da direcção do Instituto com a qual não concorda: “Não concordamos com a interpretação feita pelo presidente Calos Matos Ferreira ao comunicado do ministro Mariano Gago”.

Segundo o estudante do 3º ano de Engenharia Electrotécnica, o ministro “não fez a proibição da praxe, apenas o apelo para haver regulação e mais controlo”.

Para Barroca trata-se de uma decisão “precipitada” do presidente do IST em reacção a "um acto político do ministro". No comunicado o ministro "não responsabiliza as instituições, pretende responsabilizar os próprios alunos”, acrescenta. Contudo, a associação faz questão de frisar que está de acordo com a chamada de atenção feita pelo ministro.

Jean Barroca sublinha ainda que no Técnico nunca houve historial de violência, nem nunca foi “apanágio qualquer tipo de violência nas praxes”. E acrescenta que a praxe no Técnico não dura mais de uma semana, até porque ”o nível de trabalho começa a aumentar”.

Barroca acredita que “não é de um dia para o outro" que se consegue acabar com uma tradição deste género. “São os próprios caloiros que se dirigem aos mais velhos a perguntar o que lhes vão fazer e vão até à associação de estudantes para saberem mais”.

Comissão de praxe
A Comissão de Praxe é o organismo que dentro do IST organiza as praxes. João Jesus faz parte da Comissão, e considera também “despropositada” a leitura feita da carta de Mariano Gago às faculdades. O estudante do mestrado em Engenharia Civil garante que “estão a ser tomadas medidas com toda a organização para o decorrer normal e sereno das praxes”.

Antes deste anúncio estavam planeadas dentro do campus "algumas actividades que foram alteradas". O que vai ser feito acontecerá fora do campus”, esclarece Jesus. O estudante reforça que a participação das praxes no IST por parte dos caloiros é sempre voluntária.

O líder da associação de estudantes, Jean Barroca acrescenta que “fora dos muros ninguém controla” e adianta que as praxes têm sido agora “mais contidas e reguladas”.
Comentários dos leitores:
Blog Mataternos: aplaude a decisão.
publicado por contracorrente às 13:33

20
Set 08

Por fim alguém ousa quebrar o tabú. Na verdade quando o Ministro do Ensino Superior avisa que punirá os prevaricadores deveria dirigir o seu discurso para os cúmplices por omissão.

Os Presidentes dos Politécnicos e Universidades têm na mão, como agora se vê, tomar uma atitude que dignifique o espaço público que gerem.

 

Será assim tão difícil?

 

Cremos que não. Como o demonstra a atitude exemplar do Presidento do Instituto Superior Técnico, Carlos Matos Ferreira. E que faz justiça à escola de que provém o ministro.

 

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Comunicado do Presidente sobre praxes académicas no IST

 

Na sequência da carta enviada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior dirigida ao Presidente do Conselho de Reitores no passado dia 10 de Setembro, repudiando de forma veemente a prática das praxes académicas infligidas aos estudantes que ingressam no Ensino Superior, e dando conta da intenção de responsabilizar civil e criminalmente, por acção e por omissão, os órgãos próprios da instituição sempre que se demonstre a existência de práticas ofensivas para os estudantes, fica decidido:

  1. Não reconhecer legitimidade a qualquer auto-denominada comissão de praxe, proibindo as actividades que neste momento lhes estão associadas nos campi da Alameda e do Taguspark;
  2. Proibir a prática de praxes académicas nos campi da Alameda e do Taguspark, qualquer que seja a forma como são organizadas.

Qualquer violação a esta directiva deverá ser comunicada ao Conselho Directivo da Escola, que agirá em conformidade, não estando excluída a possibilidade de abertura de um processo disciplinar ao(s) elemento(s) prevaricador(es).

Carlos Matos Ferreira
Presidente do IST
 

 

http://www.ist.utl.pt/en/information.php?boardId=28368&language=en&archive=true

 

publicado por contracorrente às 13:23
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17
Set 08
Faculdade de Medicina de Lisboa
Praxe em Medicina

 

 

17.09.2008 - 16h56 Nicolau Ferreira
Se tudo correr bem, dia 1 de Outubro à tarde, os alunos do primeiro ano da Faculdade de Medicina de Lisboa vão andar pelo Rossio a angariar dadores de medula óssea.A ideia foi “extremamente bem aceite por todos os órgãos, eu sei que as associações de estudantes têm actividades sociais parecidas, mas nunca ninguém se lembrou de as integrar na praxe”, explica o finalista.

Contudo, os alunos que chegam pela primeira vez à Faculdade vão continuar a viver todas as actividades tradicionais. “Vai haver pinturas, cânticos, jantares, pedipapers por Lisboa”, diz Diogo Martins, que vê na praxe uma óptima forma de integrar os alunos e apresentar a cidade a quem vem de fora.

Esta angariação de medula também é uma tentativa de mudança de mentalidade para quem olha para as praxes como uma forma de humilhar. Diogo Martins ficaria feliz se “a mensagem fosse bem recebida pelas outras faculdades e se tornasse num hábito”.
Na semana passada o ministro da Ciência e do Ensino Superior, José Mariano Gago, anunciou que será dado conhecimento ao Ministério Público de qualquer "prática de ilícito" nas praxes. E que vai responsabilizar quem não evitar danos que venham a ocorrer. Apesar de em Lisboa não haver uma grande tradição de praxe e nunca ter assistido a algo que fosse considerado humilhante, Diogo Martins tem dúvidas sobre os resultados desta ameaça: “Não sei até que ponto é que se consegue responsabilizar as pessoas".
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Comentários dos leitores do Público:
17.09.2008 - 20h39 - António Paiva, Braga-Portigal
Até que enfim, os velhos que se arrastam pelas Faculdades,compreenderam (por enquanto), que praxar, não é humilhar nem ofender, nem exercer vingança por já ter sido ppraxado.As praxes deviam ser proibidas, e substituidas por acções desta natureza. A maior parte dos estudantes que praxam. são pessoas frustadas, sem principios, e que aproveitam essa oportunidade para descarregar todo o ódio que lhes queima as entranhas.

17.09.2008 - 19h58 - H. Rodrigues, Aveiro
Um bom exemplo a seguir este da Faculdade de Medicina da UL! Como antigo estudante da Universidade do Porto, estou totalmente convicto da complacência de Professores e Reitores relativamente aos abusos e absurdo da praxe, que em nada tem dignificado as universidades! E é inacreditável que muitos destes abusos sejam cometidos dentro das portas das faculdades! a indiferença face ao que tem acontecido nos últimos anos, humilha as universidades e mancha a sua reputação! Oxalá que este ano vejamos, FINALMENTE, consequências para os prevaricadores!

 

17.09.2008 - 19h30 - manelovski, figueira da foz
Praxe é humilhação e sevícia dos mais velhos aos mais novos! Com a cobertura da "praxe" cometem-se autênticos atentados à dignidade dos caloiros, e de forma ilegal. Só a cobardia dos Reitores e dos Professores pode explicar que continue a praticar-se a "praxe" nas universidades portuguesas. E claro que se não existisse cumplicidade da procuradoria da república a praxe já tinha acabado! Vergonha!

 

17.09.2008 - 18h59 - Anónimo, Praxe dos Tarados que precisam de ser internados
A praxe faz parte das necessidades que o Ser Humano (ainda na sua infância e por isso, primitivo) possui. É por isso que é usada para rebaixar o outro, humilhando-o e tornando-o alvo de ressentimentos anteriores e recalcados. Esta situação de praxe, é louvável, uma vez que, normalmente, estes rituais tribalistas que as elites tanto gostam e veneram, consistem em métodos que são usados por muitos ditadores para obter informação, a chamada tortura. Parece que o Ser Humano está a evoluir.

17.09.2008 - 18h50 - FAR, Melgaço
E se fossem os praxantes os primeiros a dar, para dar o exemplo. Ou preferem brincar às caridadezinhas?

 

17.09.2008 - 18h46 - ROLF, Setúbal
Esperemos que a rasquice das chamadas praxes académicas tenham os dias contados a partir deste magnifica iniciativa destes estudantes do 1º ano. Que sejam felizes e retomem outras, também úteis a toda a população. Bem hajam rapazes e raparigas da Medicina.

 

 

publicado por contracorrente às 22:09

13
Set 08

"A degradação física e psicológica dos mais novos como rito de iniciação é uma afronta aos valores da própria educação e à razão de ser das instituições de ensino superior e deve pois ser eficazmente combatida por todos, estudantes, professores e, muito especialmente, pelos próprios responsáveis das instituições"

 

(carta enviada pelo ministro Mariano Gago, no dia 10 de Setembro, a todas as instituições de ensino superior públicas e privadas)

publicado por contracorrente às 23:14
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11
Set 08

http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1342312&idCanal=58

Ministro Mariano Gago alerta instituições públicas e privadas
Ministério do Ensino Superior vai denunciar qualquer "prática de ilícito" nas praxes 
10.09.2008 - 19h08 Lusa
O ministro do Ensino Superior anunciou hoje que será dado conhecimento ao Ministério Público de qualquer "prática de ilícito" nas praxes e serão utilizados os meios necessários para responsabilizar civil e criminalmente quem não evitar os danos ocorridos.

"O Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, sempre que tenha notícia da prática de ilícitos nas praxes, dela dará imediato conhecimento ao Ministério Público", refere o ministro Mariano Gago, numa carta enviada hoje a todas as instituições de ensino superior públicas e privadas.

Na missiva, Mariano Gago anuncia ainda que o seu ministério "lançará mão dos meios aptos a responsabilizar - civil e criminalmente, por acção ou omissão - os órgãos próprios das instituições do ensino superior, as associações de estudantes e ainda quaisquer outras entidades que, podendo e devendo fazê-lo, não tenham procedido de modo a procurar evitar os danos ocorridos".

A carta foi divulgada esta tarde na comissão parlamentar de Educação e Ciência, e segundo explicou o próprio ministro, já foi enviada a todas as instituições de ensino superior públicas e privadas.

No documento, o ministro começa por recordar que as praxes académicas aos estudantes que ingressam no ensino superior tendem a ganhar um "relevo social e académico cada vez mais preocupante" atendendo à recorrente inclusão de actos que, "num ambiente de praxe violenta e não controlada e para lá do seu significado académico ou sócio-cultural, originam acidentes graves, configurando verdadeiros actos ilícitos de natureza civil, criminal e disciplinar".

Por isso, acrescenta Mariano Gago, e face à "extraordinária gravidade de algumas das ocorrências verificadas" em anos anteriores e que resultou, em alguns casos, na incapacidade permanente dos estudantes envolvidos, hoje impõe-se uma "nova atitude de responsabilidade colectiva", que não permita "qualquer complacência" com actos que revelam "insuportáveis violações do Estado de Direito".

"A degradação física e psicológica dos mais novos como rito de iniciação é uma afronta aos valores da própria educação e à razão de ser das instituições de ensino superior e deve pois ser eficazmente combatida por todos, estudantes, professores e, muito especialmente, pelos próprios responsáveis das instituições", sublinha o membro do Governo.

Na carta, Mariano Gago lembra também que o novo Regime Jurídico das Instituições de Ensino Público estabelece que a prática de actos de violência ou coacção física ou psicológica sobre outros estudantes, nomeadamente no quadro das praxes académicas, constitui "infracção disciplinar", cuja sanção pode ir da advertência à interdição da frequência da instituição.

Por outro lado, salienta também o ministro da Ciência, o artigo 10º do Código Penal estipula que "quando um tipo legal de crime compreender um certo resultado, o facto abrange não só a acção adequada a produzi-lo como a omissão da acção adequada a evitá-lo".
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5 Blogs comentam este artigo:
Blog Câmara de Comuns: As praxes e os gangsters
Bolg Esquerda Republicana: Aplausos para o ministro
Blog Tomar Partido: Denuncia denúncia atrasada!
Blog Activismo de Sofá: Rituais de autoritarismo
Blog Brutális: A grande religião universitária
publicado por contracorrente às 08:28

21
Jul 08

Puro surrealismo!

Leiam com atenção. (Sublinhados meus)

 

Associação Académica aprova

  Vila Real

UTAD regulamenta e limita praxes académicas

A Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) já enviou para Ministério da Ciência e Ensino Superior os novos estatutos, elaborados no âmbito da nova Lei do ensino superior. O documento, elaborado pela assembleia estatutária da UTAD, que foi eleita para o efeito, regulamenta, pela primeira vez, as praxes académicas.

O Conselho de Veteranos da UTAD considera, no entanto, que o documento está ferido de inconstitucionalidade, uma vez que “extrapola as competências da UTAD”. Nas disposições finais dos estatutos, no artigo 121, e nas várias alíneas, começa-se por definir a praxe académica como “actos e iniciativas de carácter lúdico ou festivo, estritamente orientados para a integração dos novos alunos”, para depois se referir que nenhum aluno é obrigado a participar dos actos e que estes “não podem prejudicar o normal fun-cionamento da universidade”.

Também é referido que os “actos e iniciativas de praxe académica só são considerados como tal quando realizados no campus académico ou nos espaços imediatamente adjacentes a instalações da universidade, sendo expressamente proibida a sua prática noutro lugar”.

Mais: o documento apenas dá quinze dias após o ingresso dos alunos da primeira fase para se realizarem as praxes. A Associação Académica da UTAD (AAUTAD), que teve vários elementos, entre os quais o seu presidente, representados na Assembleia que delineou os estatutos, aprovou o documento, e, segundo Tiago Sá Carneiro, presidente da AAUTAD, os estatutos “não inviabilizam a continuidade das praxes fora dos portões da quinta”.

Mas esta não é a opinião do Conselho de Veteranos (CV), órgão que desde sempre regulamentou as praxes académicas. O presidente do órgão, o venerável ancião Paulo Rosa Santos, considera que “o CV não foi tido nem achado para a elaboração destes regulamentos da praxe, que foram feitos sem o conhecimento e muito menos com o consentimento do CV, assim como da esmagadora maioria dos estudantes da UTAD”.

O Conselho de Veteranos espera agora que os estatutos não sejam homologados pelo Ministério da Tutela, uma vez que consideram que são “inconstitucionais”. Por seu lado, Tiago Sá Carneiro, presidente da Associação Académica da UTAD, já reagiu às declarações do Conselho de Veteranos, afirmando “não compreender o papel do CV ao fazer este comunicado”.

Além disso Tiago Sá Carneiro defende que este assunto deve ser tratado “em sede própria”, entre a Assembleia Estatutária, a Associação Académica da UTAD e o CV e que, só depois, se poderá tomar uma “posição pública”. Já o reitor da UTAD, Armando Mascarenhas Ferreira, referiu que o “direito à reclamação existe para toda a gente”, mas ressalva que a proposta de estatutos foi aprovada por “unanimidade e aclamação pela Assembleia Estatutária”.

No entanto, e caso esta proposta de estatutos seja aprovada pela Tutela, o futuro conselho geral poderá “modificar qualquer parte dos estatutos”.

Sónia Domingues, Semanário Transmontano, 2008-07-20

http://www.diariodetrasosmontes.com/index.php3

publicado por contracorrente às 10:48

05
Jun 08

 

IPB alerta estudantes para praxes humilhantes

 

O Instituto Politécnico de Bragança não se quer ver envolvido em casos de tribunal por causa das praxes.

Para tal, está a sensibilizar os estudantes para a necessidade de encarar as praxes académicas como actos de integração na comunidade estudantil.

 

Esta posição surge na sequência das recentes declarações do Ministro do Ensino Superior, em que Mariano Gago afirmava que iria encaminhar para o Ministério Público todos os casos de abusos nas praxes.

Além disso também quer responsabilizar as instituições de ensino superior que não actuem sobre esses casos.

 Por isso, todos os estudantes receberam um e-mail da direcção da instituição a alertar para a situação pedindo aos alunos que “não deixem o IPB ficar mal visto”. “Com esse mail procuramos informar os alunos desta posição do Governo e sensibilizá-los para haver uma postura mais correcta durante asa praxes de forma que seja um momento integrador para os novos alunos”, afirma o presidente do IPB. Sobrinho Teixeira não quer que o politécnico venha a ser tristes notícias de jornal ou casos de tribunal.Por isso, pede aos estudantes para evitar praxes humilhantes e que elas sirvam antes para a integração dos novos alunos. “As praxes violentas ou susceptíveis de humilhação que são atitudes ordinárias, traduzem-se numa falta de imaginação de quem as pratica”, considera. Perante as palavras do ministro do ensino superior, o IPB sente-se obrigado a alertar os estudantes para a necessidade de haver uma atitude pró-activa durante as praxes.

Última actualização: 05-06-2008 07:22

 http://www.brigantia.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=490&Itemid=2

publicado por contracorrente às 15:51
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04
Jun 08

http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1331122

03.06.2008 - 22h39 Lusa

 

Ministro esteve hoje na Assembleia da República 

Mariano Gago promete denunciar responsáveis que pactuarem com praxes violentas 

 O ministro do Ensino Superior, Mariano Gago, prometeu hoje denunciar ao Ministério Público todos os responsáveis de universidades e institutos politécnicos que pactuem com praxes violentas, mesmo que por omissão.

 

 

 

 "Ano após ano, há estudantes a ficar incapacitados para a vida inteira e há ainda inúmeros casos de humilhação e coacção de todo o tipo que não são admissíveis na sociedade portuguesa. Não pode haver uma situação de complacência em relação ao que se passa, nem em relação a todos os que presenciam e se calam", frisou, no final da audiência.

"O Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES) dará sempre conhecimento ao Ministério Público de todas as participações que lhe cheguem e alertaremos o Ministério Público para o crime de omissão por parte dos responsáveis do Ensino Superior nesta matéria", afirmou Mariano Gago na Comissão Parlamentar de Educação, onde hoje foi ouvido.

Na Assembleia da República, o ministro mostrou-se "indignado" com "a humilhação e fascismo ligados a muitas praxes académicas", condenando o "carácter brutesco da esmagadora maioria dessas actividades".

Considerando que as praxes violentas constituem "uma nódoa em muitas instituições de Ensino Superior", Mariano Gago lembrou que as universidades e institutos politécnicos são obrigados a punir disciplinarmente os autores dessas práticas e todos os que delas forem cúmplices.

O ministro recebeu hoje dos deputados o relatório elaborado pela Comissão Parlamentar de Educação a propósito desta matéria, um documento onde se propõe, entre outras medidas, a criação de uma linha telefónica gratuita para denúncias. Apesar de só ter tido tempo para uma leitura transversal do relatório, Mariano Gago afirmou que subscrevia as suas recomendações, embora ressalvando que não cabe ao MCTES promover a criação desse instrumento. "Apoiaremos todas as diligências nesse sentido. Espero que o movimento estudantil seja o primeiro a agir no sentido dessas recomendações", afirmou.

 

A morte de um aluno de Famalicão e o caso de dois estudantes que ficaram paraplégicos são alguns dos exemplos recentes de praxes violentas referidos pelo ministro, assim como a "humilhação" a que foi sujeita uma aluna da Escola Superior Agrária de Santarém. No que diz respeito a este último caso, o Tribunal de Santarém condenou no final de Maio os sete membros da comissão de praxes daquela instituição a multas entre os 640 e os 1.600 euros, uma decisão que o ministro aplaudiu, considerando-a "um passo muito positivo" no combate a estas práticas.

 

 

 

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 4 blogues ligam para este artigo

 

Quem fala assim é ou não é gago?

http://joaomartins.entropiadesign.org/2008/06/04/quem-fala-assim-e-ou-nao-e-gago

 

O ministro, as praxes e os cretinos

http://antropocoiso.blogspot.com/2008/06/o-ministro-as-praxes-e-os-cretinos.html

 

http://tomarpartido.blogs.sapo.pt/842949.html

 

 

http://desvioprovermelho.blogspot.com/2008/05/fezes-msticas.html

publicado por contracorrente às 07:48

http://dn.sapo.pt/2008/06/04/sociedade/ministro_denuncia_quem_tolerar_praxe.html

 

Ministro denuncia quem tolerar praxes abusivas


PEDRO SOUSA TAVARES

Ensino superior. Situação é considerada "grave"

Mariano Gago avisou instituições sobre efeitos dos "crimes de omissão"

O ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior prometeu ontem denunciar ao Ministério Público "todos os casos" de praxes envolvendo humilhações ou situações de violência que cheguem ao seu conhecimento, quer as denúncias tenham partido "das vítimas, das instituições ou dos órgãos de comunicação social". Mariano Gago avisou ainda que, entre os factos que serão encaminhados para a Justiça, incluem-se "os crimes de omissão" cometidos pelas universidades e politécnicos que não actuem quando tiverem conhecimento dos casos.

Remetendo para a Justiça quaisquer acções contra quem tolere estas práticas, Mariano Gago não deixou de lembrar que o Regime Jurídico das Instituições do Ensino Superior (RJIES), que estas estão actualmente a incorporar nos seus estatutos, "obriga à punição" dos autores dos abusos pelos estabelecimentos.

Estas declarações surgiram no final de uma reunião com a Comissão de Educação, Ciência e Cultura, em que o Ministro recebeu um relatório sobre esta matéria do Bloco de Esquerda, divulgado recentemente.

Mariano Gago disse "assinar por baixo" o documento, que, entre outras acções, propõe a criação de uma "linha verde" para apoiar os estudantes vítimas destas situações, e não poupou nos rótulos - "fascismo" foi um deles - para classificar algumas práticas associadas a esta tradição.

"Ano após ano, estão a ficar incapacitados estudantes. E esta é apenas a ponta do icebergue", considerou. "A situação é grave e tem de ser combatida com muita firmeza pela sociedade portuguesa".

O ministro não quis apontar o dedo a nenhuma instituição em concreto, considerando que as visadas "sabem" a que casos se refere, "alguns dos quais deram origem a diligências do Ministério Público.

"O que se espera do ministro"

Contactada pelo DN, Ana Feijão, do Movimento Antitradição Académica, considerou que estes avisos correspondem "ao que se espera do ministro e que, se calhar, se esperava há mais tempo", apesar de reconhecer que Mariano Gago foi "o primeiro governante a assumir publicamente que era contra as praxes. É uma atitude a registar", admitiu.

Quanto ao impacto da mensagem nas instituições, a responsável deste movimento considerou ser "melhor esperar para ver. Com os casos que se tornaram públicos, é óbvio que o comportamento das instituições, que têm uma imagem a defender, já se começou a alterar" considerou, apesar de lamentar que "ainda recentemente, o presidente e uma Faculdade de Ciências tenha aberto o ano académico discursando ao lado do presidente da comissão de praxes".

 

publicado por contracorrente às 07:45

28
Mai 08

http://jpesperanca.blogspot.com/2008/05/ana-uma-moa-de-coragem.html

 

Ana, uma moça de coragem

 
Ana Francisco Santos, uma moça que foi submetida a brincadeiras de mau gosto conhecidas habitualmente por praxe, teve a coragem de denunciar os agressores e estes acabam de ser condenados em tribunal. Há muitas Anas por este país que passam por experiências semelhantes e tentam relativizar e desculpabilizar esses actos porque têm medo de "levantar ondas"... Ou talvez tenham receio de encontrar um juiz que tenha sido praxista e que nunca tenha chegado a crescer como ser humano. Neste país de gente "que se fica", de amedrontados perante os poderosos e os prepotentes, a atitude da Ana devia ser um exemplo para todos nós.

 

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Alunos da Escola Superior Agrária de Santarém condenados por praxe violenta a caloira
 


 Os sete alunos foram acusados pelo Ministério Público dos crimes de coacção e ofensa à integridade física de uma caloira que foi barrada com excrementos. Um arguido foi considerado culpado do crime de coacção e seis foram considerados culpados do crime de ofensa à integridade física qualificada. A pena reflectiu o sofrimento da caloira, que se constituiu como assistente no processo, refere o Tribunal de Santarém. A sentença é “inédita” em Portugal e “pedadógica”, tal como havia sido pedido ao tribunal, comenta a advogada da antiga caloira. A representante legal dos acusados admite apresentar recurso, mas para já vai analisar a sentença do Tribunal de Santarém.

 

RTP 2008-05-23
 
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Ainda a praxe…

Cara leitora, imagina que vais na rua e um desconhecido te exige que lhe entregues o Bilhete de Identidade, que removas uma ou mais peças de roupa, que o deixes pintar-te toda a cara e pôr-te pasta de dentes no cabelo. Imagina que ele te diz que tu és pior que um verme, que te manda cantar canções com letras obscenas e que te faz deitar no chão enquanto um gajo que não conheces de lado nenhum faz flexões em cima de ti. Isso é… Bem, isso é agressão, assédio sexual, atentado contra o pudor, ou outras coisas inventariadas no código penal. Imagina agora que o tal desconhecido está vestido com capa e batina pretas. Isso é praxe!
A praxe não é coisa nova, os rituais de iniciação são velhos como a humanidade. Nas sociedades tradicionais a entrada na vida adulta é normalmente precedida de provas que podem assumir a forma de mutilações como a circuncisão e a excisão. Por cá as práticas foram mudando, mas quem nunca ouviu a geração dos nossos pais a dizer coisas como «não é homem quem nunca foi à tropa»? E o mundo militar é pródigo nestas coisas. As provas são tanto mais duras e os rituais mais elaborados e penosos quanto é restrito o acesso ao estado, grau ou instituição de que se quer fazer parte. Um instrutor de uma tropa de elite pergunta ao jovem recruta exausto e ofegante: «Você está cansado? Ai sim? Então faça lá mais trinta flexões… E agora, está cansado? Não? Ainda bem, nós queremos aqui homens de barba rija e com tomates. Venha de lá uma completa de cinquenta!...» Se o infeliz não faz o que lhe pedem é colocado fora do grupo, indigno de pertencer aos “eleitos”: «Então berre aí bem alto para os seus camaradas ouvirem que você é um paneleiro de merda que só presta para o “arre-macho”». Quem não se submete não pode ser um “iniciado”, um “veterano”, e é ameaçado com a ostracização. «Se não fores praxado, não vais fazer amigos na Faculdade».
Antigamente a praxe coimbrã era altamente ritualizada, quando ser estudante universitário era inacessível à maioria da população. O caloiro não podia andar na rua depois das sete, sob o risco de ser apanhado pelas trupes e ser mimoseado com penas como o cabelo rapado. Tinha também “protecções”, como o facto de estar acompanhado pelo pai ou pela mãe na ocasião, por exemplo, poupando assim ao vexame os familiares. A praxe tinha regras que os veteranos tinham também de seguir. A massificação do acesso à universidade, em vez de tornar obsoletos estes rituais, “apimbalhou-os”, pô-los ao nível da sociedade “Big Show Sic”. Entre a praxe desses tempos (a tal “tradição académica” de que eles falam) e a palhaçada actual há a mesma relação que existe entre o confessionário da aldeia dos avós (onde o pároco ameaçava com o fogo do Inferno quem não cumprisse as penitências todas) e o “Perdoa-me”, aquele programa de televisão execrável que era líder de audiências.
Também já defendi a praxe, mas depois pus-me a pensar, um hábito que se vai tornando cada vez mais raro nas nossas universidades. Que “integração” traz a “praxe”? Não há maneiras melhores de fazer amigos do que ser humilhado, ridicularizado, usado como um boneco masoquista nas mãos de sádicos ou de pessoas com problemas não-resolvidos ao nível da socialização ou da sexualidade? A preocupação com a dignidade do ser humano não pode começar aqui mesmo com os nossos colegas inexperientes, caloiros recém-chegados a este mundo que deveria ser do humanismo, da busca do conhecimento?
P.S. – Não tenho brincos no nariz, nas orelhas, nas sobrancelhas ou em qualquer outro lugar mais íntimo, nem tenho o cabelo verde, nem sou filiado ou simpatizante do Bloco de Esquerda. Evidentemente que não tenho nada – a não ser divergências ideológicas – contra quem é enquadrável nestas características, mas achei pertinente este esclarecimento porque tenho visto algumas mentalidades pequeninas a combater as ideias contra esta praxe com argumentos do género «eles dizem isso porque são radicais com o cabelo roxo».

 

João Paulo Tavares Esperança

 

 

 

Publicado no jornal “Fazedores de Letras” (da Associação de Estudantes da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa), nº30, Dez 99, p.5

publicado por contracorrente às 11:07

26
Mai 08

 

http://jornal.publico.clix.pt/

 

Notas de rodapé

26.05.2008, Carla Machado

A praxe e as "festividades" académicas são mais uma vez notícia pelas piores razões

 

2. A praxe e as "festividades" académicas são mais uma vez notícia pelas piores razões. Em Braga, uma aluna acusa de violação um "cardeal". Em Santarém, finalmente um tribunal condena os atropelos aos direitos elementares cometidos em nome da "tradição". Quando, há cerca de um ano, escrevi neste jornal sobre a praxe tive, por parte de alguns alunos da minha "casa", uma das mais hostis reacções com que já deparei desde que comecei a escrever esta coluna. Pelos vistos, é mais fácil e menos inoportuno criticar o Governo do que os poderes instalados sem qualquer legitimidade nas nossas universidades. Mas, como professora universitária, como psicóloga e como investigadora na área da violência, não posso evitar voltar a insistir no que já disse.
É evidente que não é legítimo confundir o todo com a parte e, felizmente, a maioria da praxe e dos nela envolvidos não se comportam da forma sugerida por estes episódios. Mas isso não anula o facto de o ritual em si mesmo envolver relações de poder arbitrárias, exercício de humilhações várias e uma clara conotação machista e sexual. O que tem isto a ver com os episódios relatados? Nada? E as universidades nada têm a dizer sobre o que ocorre dentro das suas portas (metafóricas ou concretas), entre os seus alunos, nos tempos que a própria universidade aceita para tais "festividades", supostamente "académicas"? Se isto acontecesse numa qualquer empresa, seria admissível o silêncio dos seus responsáveis?
Assisti, repetidamente, ao discurso por parte de muitos colegas e superiores de que "não é nada connosco" e de que "é melhor não interferirmos, porque senão pode ser pior". Pior, como? O que mais é preciso acontecer para dizermos basta?
3. O indizível está a acontecer agora. Ao nosso lado. Se continuarmos a aceitar com resignação o inaceitável, não passará muito tempo até nos tornarmos, a nós próprios e aos princípios em nome dos quais construímos um país livre e um projecto de cidadania, pouco mais do que notas de rodapé. Cuja irrelevância ninguém conseguirá resgatar.

publicado por contracorrente às 08:02

24
Mai 08

 Leitores da edição digital do Público comentam a notícia "Tribunal condena praxes"

  

  24.05.2008 - 01h40 - Pedro, Fátima, Portugal

Sr. Pedro Fernandes, Cambridge, UK: como é a praxe por esses lados? È que eu tanto na London School of Economics, aí no Reino Unido, em Londres, como em Reggio Calabria, Itália, não dei por praxe NENHUMA... Ou eufemísticos, rituais de iniciação e integração! Isto deve ser uma invenção muito portuguesa, género Fado e Futebol! Embora eu que estudei em Aveiro e em Coimbra, nas respectivas universidades, e sou natural de uma cidade universitária, só muito raramente conhecí pessoas interessantes e equilibradas a arvorarem-se em Doutores praxantes! Para mim, tudo isso, além de sinal - mais um - do atraso educacional e cívico do nosso tristíssimo País, é sobretudo a via de expressão de gente recalcada e diminuída, que descobre nessas ocasiões a oportunidade de se "afirmar" diante de outrém ! E superar, pois claro, a sua condição; descobre-se então com um Poder deleitante: o de se sobrepôr pela força a alguém! (já agora, e em jeito de desabafo; esta palhaçada das praxes não constituirá crime público? A Polícia não tem o poder de intervir diante de ofensas tão graves ? É conferir com o que se passou este ano em Coimbra, ou Porto, salvo erro, numa perseguição que culminou numa garagem...)

 

  24.05.2008 - 01h33 - Anónimo, Algures

Investiguem o que se passou no início dos anos 90 na Escola Naval.... (fica a dica, porque as marcas ainda cá estão......)

 

  24.05.2008 - 01h11 - Tuga, Berlenga

A brandura da sentença é chocante. Mas esperemos que isto seja um forte impulso para pôr termo a tanta ordinarice. Em que o pior de tudo é a coloboração implicita, e ás vezes explicita, das direcções das escolas.

 

  24.05.2008 - 01h07 - Anónimo, Lisboa

A praxe é estupidez pura e dura e imbecil não tem qualquer tipo de justificação e não é á custa dela que se conhecem amigos coisa nenhuma, isso é tuda uma treeetaaaaaa. Quem me praxou nem eu me lembro de quem foi..e sinceramente tabém não quero saber. Fiz amigos independetemente de haver praxe ou deixar de haver. Não serve para nada nada..e quem a quiser fazer e quem se quiser sujeitar a isso(há sempre gente para tudo)que se criem espaços fechado parae sse fim, tal como há bares sado maso ou casas de alterne..quem quiser que vá para lá fazer as "chavasquices que quiser",e não imponha essa idiotice a ninguem! ABAIXO A PRAXE e á "imbecialização" do ensino SUPERIOR em Portugal.

 

  24.05.2008 - 00h56 - Spitzer, Laranjeiro

No mínimo, gente desta deveria ser expulsa da escola. Há padrões que quem quer ser doutor deveria ser obrigado a respeitar. O simples facto dos orgãos administrativos da escola não assumirem as suas responsabilidades neste domínio é um indício de que não dão garantias do carácter dos animais a quem atribuem diplomas. Há muita falta de nível em Portugal.

 

  24.05.2008 - 00h51 - Diogo, porto

Saúdo a coragem da Ana Francisco Santos e aplaudo a sentença deste tribunal. Gostaria que ela se transformasse de verdade numa sentença pedagógica para este flagelo que são estas praxes. Cada vez mais o meio estudantil é caracterizado por bandos de imbecis, armados em algo que talvez nunca venham a ser, ou seja "doutores", e que se se conseguírem formar sintam-se felizes se encontrarem emprego como varredores da câmara. Mas dizia eu, este bando de imbecis que combatem os seus traumas, as suas frustrações e, fundamentalmente, as suas profundas faltas de carácter com estas praxes nojentas e que nada honram o espírito académico. Se no tempo em que frequentei a universidade tivesse tidos pela frente estas auto-apregoadas comissões de praxe, de certo que também estaria numa sala de tribunal, mas de certeza por ter enfiado uma boa tareia nesta miséria de gente.

 

 

 

  24.05.2008 - 00h17 - João Cerqueira, Viana do Castelo

Quando Portugal for um país civilizado, o ritual de humilhação, violência e, às vezes, extorsão de dinheiro aos caloiros («paga uma cerveja ao doutor»), será punido pela lei. Que os restantes bárbaros aprendam a lição. Saúdo a corajosa Ana Francisco Santos.

 

 

 

  23.05.2008 - 23h49 - Nuno, Irlanda

Pena de prisao, e umas quantas "praxes" daquelas que se fazem nas cadeias, era o que se recomendava a estes meninos. As praxes sao mais uma prova do atraso (mental?) dos portugueses...

 

 

 

  23.05.2008 - 23h23 - rosa maria gomes, hamburgo, Alemanha

até que enfim que há mentes iluminadas a verem que estas praxes existentes no séc. 20 sao crimes contra o ser humano. parabéns ao tribunal e que sorte teve a vítima!!!!!!!!!!!

 

  23.05.2008 - 23h18 - Pedro Rocha, Lisboa

Parabéns, Ana. O mais notável é esta notícia não vir de Lisboa, mas sim de uma cidade relativamente pequena e não muito dada a inovações. Em Lisboa, na NOVA, por exemplo, onde fiz a minha licenciatura, a praxe é vista como algo arcaico, ridículo e condenável. Quando um grupo, hesitante, me disse que "ia com eles", eu só me ri. Na cara deles, como é óbvio. Foi o suficiente. Lembro-me de ter perguntado em seguida se não estavam já a ter aulas e se estavam a ter muito trabalho... Há que desdramatizar a praxe. Não dar a mínima importância às coisas que não têm a mínima importância. Rir na cara do "borreguismo" perverso. Dar a entender com duas ou três palavras e um olhar que o ridículo é tanto que chega a ser confrangedor. Perder mais tempo para quê? Fui muito feliz naqueles primeiros dias. E integrei-me completa e rapidamente. De uma forma humana e civilizada, claro está. Faltando um professor ou outro, fomos ao cinema, para a Gulbenkian, passear, por e simplesmente "não fazer nada". Sofrer? Com que obrigação? Só pelas notas. E pelos amigos (que ficaram, e que, claro, também não ligaram patavina às praxes).

 

 

 

  23.05.2008 - 22h44 - Txeira, Porto

AS praxes são rituais de puro exercício de poder, onde o lado mais pérfido humano emerge. O prazer de humilhar e a sujeição, não deviam ser aceites em nenhuma circunstância numa sociedade que se quer civilizada e nunca admitidos a futuros quadros superiores. Se estes Srs não conhecem a dignidade e o respeito, então que actue a lei, é para isso que existe um estado de direito. Infelizmente não há lei que resolva a falta de formação e de cidadania com que vergonhosamente nos deparamos nestas supostas elites.

 

 

 

  23.05.2008 - 21h39 - André Fonseca, Vila Real

O mais estúpido e caricato das praxes e dos praxadores é que estes andam a ser chamados de Doutores e Engenheiros na altura das praxes, quando muitos deles nunca o serão na vida (ainda bem). Eu constatei que a maior parte dos praxadores são estudantes que se um dia acabarem o curso será com mais umas matrículas acima dos anos normais do curso. LOLOLOL!! Se queriam provas do atraso mental destes humanos esta é uma delas.

  23.05.2008 - 21h20 - INCULTO, PORTO GAL

EU JÁ ASSISTI SEM QUERER NO HOSPITAL DE S. JOÃO NO PORTO, A UM RITUAL DESSES E FRANCAMENTE É DEGRADANTE, ELES CHEIRAVAM O TRASEIRO UNS AOS OUTROS, GRUNHIAM, ROLAVAM NO CHÃO, AQUELE GRUPO DE ANORMAIS É QUE ÍAM SER OS NOSSOS FUTUROS MÉDICOS????NA MINHA PROFISSÃO (CAMIONISTA) HÁ SEMPRE NOVOS MOTORISTAS A INICIAR, O QUE É QUE ESSES ANORMAIS DIRIAM SE NÓS FIZESSEMOS O MESMO UNS COM OS OUTROS, CHAMAVAM-NOS BÊBADOS DE CERTEZA, MAS NÓS SOMOS IMPREPARADOS, POUCO CULTOS COMO É NORMAL, AINDA ASSIM NÃO DESCEMOS, TÃO BAIXO COMO ESSES ANORMAIS, DEPOIS ADMIRAM-SE DE AS PESSOAS IREM AO ESTRANGEIRO PARA SEREM OPERADOS, CLARO SERMOS TRATADOS POR ATRASADOS MENTAIS(COM TODO O RESPEITO A ESSES DOENTES, MAS NÃO ACREDITO QUE TENHAM COMPORTAMENTOS TÃO DEGRADANTES)

 

  23.05.2008 - 20h52 - Anónimo, Lisboa, Portugal

As praxes sao pura e simplesmente uma actividade sado-masoquista que da' prazer a alguns alunos veteranos e alguns caloiros.

 

  23.05.2008 - 19h49 - Nuno, Braga

Declaração Universal dos Direitos do Homem "Artigo 1.º Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade."

 

  23.05.2008 - 19h48 - Filipe, Lisboa

Débora: assim sendo, coitados dos caloiros espanhóis, franceses, italianos ou ingleses, que nunca serão integrados visto não terem 'praxes'! A praxe ensina acima de tudo a obedecer, a deixar de pensar e ser um carneiro. E a ser boçal também!

 

  23.05.2008 - 19h09 - Luis Salgado, Porto-Portugal

O meu medo é que vai ser um destes anormais que um dia vão tratar das nossas reformas, ou que um dia nos vão operar, que um dia nos vão julgar. Tenho medo...muito medo!

 

  23.05.2008 - 18h54 - André Fonseca, Vila Real

Finalmente! Finalmente as praxes académicas foram incriminadas. Só tenho pena que isto só esteja a acontecer em pleno século XXI.A maior parte dos praxadores são pessoas frustradas, porque só uma pessoa frustrada é que se tenta impor superiormente sobre a outra. E para quem vem falar de tradição posso dizer que a Inquisição também era uma tradição. Falar-se em tradição é falar-se em atraso e falta de evolução de mentalidades.

 

  23.05.2008 - 18h51 - Anónimo, Lisboa

Já não era sem tempo. As praxes são o que há de mais asqueroso e imbecil na juventude académica. Durante muitos anos, desde 69 até 85(?) nada houve dessas actividades idiotas. Nem sequer passava pela cabeça dos que pela universidade andaram nesses anos. Nada tem a ver com rituais de iniciação ou com actividades de integração dos mais novos no "grupo". São pura e simplesmente práticas sádicas, ordinárias, e de atrasados culturais e mentais - mesmo sociopatas. O que me espanta mesmo é que não haja dentro dos estudantes quem ponha estes anormais na ordem e lhes dêem uns tabefes bem dados. Também não se entende que as autoridades académicas façam vista grossa a praticas que envergonham as universidades e politécnicos. Isto nada tem a ver com a aquisição do conhecimento e a aprendizagem de uma profissão. São praticas que devem envergonhar essas instituições. E o País. O Ministério Público tb pode dar uma ajuda na "limpeza" deste lixo que nos suja todos e não apenas os que são sujeitos há humilhação pública.

 

 

 

  23.05.2008 - 18h35 - Zé Povinho, Caldas da Rainha - Portugal

Os meninos irão recorrer das multas e no próximo ano lectivo lá teremos, de novo, as praxes... 

publicado por contracorrente às 00:56

Editorial no Público:

 

Uma justa sentença que furou os abusos da praxe

24.05.2008, Nuno Pacheco

Praxes violentas ou degradantes há muitas, assim como haverá outras quase inofensivas. Mas a sentença de ontem é clara: chegou ao fim a benevolência perante os abusos da praxe

Demorou quase seis anos, mas a sentença ontem proferida no célebre caso de uma praxe violenta na Escola Superior Agrária de Santarém é, no essencial (que não são as multas, cujo montante é discutível), uma peça exemplar. E é um sinal de que acabou o tempo da benevolência para com os inúmeros abusos cometidos em nome da tradição. Um ritual integrador, dizem os defensores da praxe, argumentando que ele existe noutras esferas, juvenis ou adultas, públicas ou secretas. Mas será possível chamar ritual de integração a um festival de boçalidade e humilhação? Como imaginaram estes estudantes agrários que esfregar uma caloira com esterco, obrigando-a a secar ao sol e depois a simular um acto sexual, ajudaria a "integrá-la" no grupo? Como acham que alguém que é obrigado a enfiar a cabeça num bacio de excrementos aceita tal manifestação de boas-vindas?
Não acham, porque nunca acham nada, a não ser que empregam mais engenho e tempo nessa actividade imbecil do que naquilo que deveria, na verdade, formar nas escolas espírito de grupo e de pertença. E o sentimento de impunidade por esses excessos é tal que, sintomaticamente, a advogada dos praxadores (que vai, naturalmente, recorrer da sentença) declarou ontem que não contava com a condenação. É verdade. Nem ela nem provavelmente o país, habituado a achar tais coisas insignificantes. Brincadeiras. Pois é altura de mostrar os limites de tais actos e declarar que há coisas que não são "da praxe" e sim do foro da justiça. Os actos dos seis jovens agora condenados, tardiamente, por algo que aconteceu em 2002, "ultrapassaram", segundo o juiz, "os limites impostos pela noção de praxe" e foram para "além do mínimo ético socialmente tolerável". Daí a condenação de seis dos envolvidos a multas que oscilam entre os 640 e os 1600 euros e de um sétimo, veterano da escola, por crime de coacção, com multa de 1400 euros.

Para quem se recorda do tristemente célebre caso do telemóvel que pôs o país inteiro a discutir os limites da autoridade escolar, é bom recordar que este caso também começou com um telemóvel. A aluna que foi alvo da praxe desobedeceu à ordem de não atender telefonemas durante as praxes e atendeu uma chamada da mãe. O que se seguiu foi, segundo o juiz, "uma retaliação". Era da praxe? Quem decide o que é, ou não, da praxe? Os veteranos? Os ex-caloiros dos anos mais recentes? Todos e ninguém? O facto de as praxes terem, aos poucos, suscitado vários movimentos de contestação não será, como agora alguns querem fazer crer, derivado a uma reacção "de esquerda" a tradições "de direita", mas sim à miséria a que muitas praxes se deixaram reduzir, aviltadas pelos seus cultores a exercícios de imbecilidade animalesca. Os que defendem que a praxe é integradora, e ainda agora surgiram vozes nesse sentido no debate que se seguiu ao anúncio da sentença, que mostrem como. Deixando, de preferência, os excrementos de lado. Excrementos? O enraizamento da "tradição" é tal que até um professor veio dizer, durante o processo, que "é preciso desmistificar as fezes"; e a própria directora da escola admitiu que era "normal a praxe com bosta". Pois estamos a tempo de deixar de ser. De deixarmos de considerar normal esta anormalidade. E de devolver às praxes, onde estas se mantenham, a dignidade que os seus defensores reclamam. Isto se ainda lhes resta alguma.

www.publico.pt

publicado por contracorrente às 00:13
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23
Mai 08

Blogues comentam notícia "Tribunal condena praxes..."

 

·         Talvez aprendam 

Já por várias veses escrevi sobre as praxes e sobre o meu desagrado pelo modo que muitas delas são  ...

·         Tribunal multa comissão de praxes da Escola Superior Agrária de Santarém  

O Tribunal de Santarém condenou hoje os sete membros da comissão de praxes da Escola Superior Agrári...

·         Praxes multadas  

Numa decisão inédita em Portugal, o Tribunal de Santarém multou os membros da Comissão de Praxes da ...

·         Barbárie punida com multas  

Pese embora a extrema leveza da pena, fica pelo menos a condenação: Tribunal multa comissão de praxe...

·         Aplauso!, apesar de ainda ser pouco. Assim fosse o início do fim dessa ritualidade abjecta e animalesca. 

Nenhuma tara justifica praxes ou tradições. Só a estupidez. http://www.antipodas.web.pt/

·         Penas pedagógicas? 

7 membros da comissão de praxe da Escola Superior Agrária de Santarém, depois de provado em Tribunal...

·         Fará jurisprudência? 

«O Tribunal de Santarém condenou hoje os sete membros da comissão de praxes da Escola Superior Agrár...

·         Tribunal multa comissão de praxes da Escola Superior Agrária de Santarém 

O Tribunal de Santarém condenou hoje os sete membros da comissão de praxes da Escola Superior Agrári...

·         Dizem que são praxes... 

Aparece hoje na imprensa que o Tribunal de Santarém condenou sete indivíduos devido a praxes académi...

·         E se deixassem de fazer o que eles dizem? 

Sempre achei parvas as praxes. Parvas, e estúpidas. Hoje, uma colega viu ganhar em tribunal uma acçã...

·         Tribunal multa comissão de praxes da Escola Superior Agrária de Santarém 

Cometário que fiz a uma noticia do Público On-linehttp://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=...

·         Excesso de praxe deu condenações  

Os excessos das praxes académicas conheceram, finalmente, uma condenação. É que excessos são excesso...

·         Condenação da "praxe" 

"O tribunal de Santarém condenou hoje os sete membros da comissão de praxes da Escola Superior Agrár...

 

publicado por contracorrente às 01:14

 

Advogada da caloira considerou a sentença "inédita" em Portugal

Tribunal multa comissão de praxes da Escola Superior Agrária de Santarém 

23.05.2008 - 17h59 Lusa

O Tribunal de Santarém condenou hoje os sete membros da comissão de praxes da Escola Superior Agrária (ESAS) a multas entre os 640 e os 1600 euros, uma pena que considerou "reflectir o sofrimento" de que Ana Francisco foi vítima.

O juiz Duarte Silva considerou seis dos arguidos culpados da prática do crime de ofensa à integridade física qualificada e outro do crime de coacção, dando como provados os factos ocorridos a 8 de Outubro de 2002 e relatados por Ana Francisco, que se constituiu como assistente no processo movido pelo Ministério Público.

Para a advogada da então caloira da ESAS, Manuela Santos, a sentença de hoje é "inédita" em Portugal e correspondeu ao pedido que fez, juntamente com o Ministério Público, de que a pena fosse "pedagógica".Por sua vez.,a advogada dos sete ex-membros da comissão de praxes da ESAS, Lúcia Mata afirmou que vai analisar melhor a sentença, admitindo vir a apresentar recurso.

O Ministério Público considerou que as acções cometidas pelos arguidos contra Ana Francisco Santos, "barrada" com excrementos e obrigada a fazer o pino sobre um bacio cheio de bosta, não foram actos de praxe mas sim um "castigo". Para os sete ex-membros da comissão de praxe da ESAS, o Ministério Público tinha pedido penas que "transmitam uma mensagem para o meio estudantil".

No seu entender, esses actos são considerados crimes que não podem ser admitidos numa praxe académica. O juiz disse ter optado pela pena de multa - o tipo de crime admitia penas de prisão, no primeiro caso até quatro anos e no segundo até três anos - dada a ausência de antecedentes criminais, a inserção social dos arguidos e o tempo que passou desde a prática dos actos."A multa tem que reflectir o sofrimento de que a assistente foi vítima", disse.

A antiga caloira diz-me "satisfeita" com a sentença
Manuela Santos disse esperar que a pena hoje proferida pelo Tribunal de Santarém sirva para evitar futuras situações de abusos sobre caloiros, aos quais pediu "coragem para denunciarem situações que acontecem demasiadas vezes nas escolas".

Ana Francisco Santos declarou-se satisfeita com a sentença, considerando que deu o seu "contributo", esperando que outros denunciem os actos"muito graves" que se passam em escolas de todo o país, incluindo violações. A antiga caloira afirmou ainda que o sofrimento e a humilhação que sofreu foram "inqualificáveis", acrescentando que com esta acção não procurou "sangue", tanto que não pediu qualquer indemnização, mas apenas que outros a sigam: "Na altura, um pedido de desculpa sincero teria sido suficiente", afirmou.

Os factos que estiveram em julgamento ocorreram no dia 8 de Outubro de 2002, parte na Quinta do Bonito (propriedade da ESAS), para onde os caloiros foram levados nesse dia para apanharem nozes, e parte nas instalações da escola, à chegada da actividade.

O Tribunal entendeu que a ordem dada a quatro caloiros, na Quinta do Bonito, para "barrarem" Ana com excremento de porco, e depois, pelo sétimo arguido, já na escola, para dois caloiros a forçarem a fazer o pino sobre um penico cheio com bosta de vaca, foi um "castigo" por ter atendido uma chamada da mãe no telemóvel. Para o juiz, os arguidos agiram de forma deliberada e consciente, sabendo que estas práticas são proibidas por lei, sublinhando que era "exigível uma postura ética" a quem já frequentava os últimos anos de um curso superior.

http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1329810

publicado por contracorrente às 00:15
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13
Mai 08

Estranho Juízo...

“as praxes não ofenderam a moral pública e não chocaram a consciência ou sentimento ético-jurídico da comunidade”.

 

E vale a pena lembrar aqui o que um dia disse Martin Luther King

“Quando fizermos uma reflexão sobre o nosso séc. XX, não nos parecerão muito graves os feitos dos malvados, mas sim o escandaloso silêncio das pessoas boas”.

Herdeiro da cultura e saber de Tucídedes, historiador grego (460 a.c. - 396 a.c.):

"O mal não deve ser imputado apenas àqueles que o praticam, mas também àqueles que poderiam tê-lo evitado e não o fizeram."

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Tribunal de Macedo de Cavaleiros não deu razão às queixas da aluna
Piaget vence Ana Damião

 

 

O tribunal de Macedo de Cavaleiros decidiu a favor do Instituto Piaget no caso que opunha a instituição a Ana Sofia Damião.
A ex-aluna do Piaget de Macedo de Cavaleiros pedia uma indemnização de 67 mil euros por alegados danos patrimoniais no decurso das praxes de 2002.
A juíza que analisou o processo decidiu a favor do Piaget, considerando que a “a aluna consentiu as praxes a que foi sujeita”. A sentença refere, mesmo, que a estudante “terá exagerado nas denúncias que formulou contra a Escola”.
Segundo o tribunal “as praxes não ofenderam a moral pública e não chocaram a consciência ou sentimento ético-jurídico da comunidade”. Por isso, “não se pode formular um juízo de censura ou reprovação ao Instituto Piaget”, alega o juiz.
A indemnização de 67 mil euros era o cálculo resultante do somatório do valor da mensalidade da escola, do preço do alojamento durante um ano e um valor relativo ao atraso de um ano na entrada no mercado de trabalho.
Ao que o Jornal NORDESTE apurou, a queixosa não se conformou com a sentença ditada pela instância de Macedo de Cavaleiros e recorreu para um tribunal superior. O caso vai, agora, ser julgado pelo Tribunal da Relação do Porto.
Segundo a advogada da acusação, há pontos com que Ana Damião não concorda na sentença, nomeadamente na questão relativa à responsabilidade patrimonial do Instituto Piaget, em que a estudante pede 67 mil euros.

Por: Rui Miranda

Arquivo: Edição de 13-05-2008

 

http://www.jornalnordeste.com/noticia.asp?idEdicao=218&id=9367&idSeccao=2052&Action=noticia

publicado por contracorrente às 00:09

09
Mai 08
 
 

Porque vemos na praxe uma prática que atenta contra os mais elementares direitos
humanos, nomeadamente a liberdade, a igualdade, a integridade física e psicológica e a livre expressão da individualidade, ao mesmo tempo que exalta os valores mais
reaccionários da nossa sociedade.

Porque não vemos qualquer motivo para a existência de hierarquias entre estudantes,
tendo em conta que todos/as devem ser tratados/as por igual nas relações interpessoais.

Porque acreditamos que a tradição nunca poderá ser um entrave à mudança e, muito
menos, poderá alguma vez legitimar um comportamento inaceitável em qualquer
sociedade.

Porque não aceitamos o poder auto-instituído e nada democrático dos organismos da
praxe, que se constituem em estruturas paralelas com regras próprias.

Defendemos que a recepção aos/às novos alunos/as, sempre que se justifique a sua
existência, se deve basear em relações de igualdade. Nesta iniciativa, os/as estudantes olhar-se-ão nos olhos e tratar-se-ão por "tu", construindo um conjunto de redes de solidariedade e de camaradagem não exclusivas. Todos/as se divertirão por igual, deixando a diversão de uns de ser a humilhação de outros/as. Desta forma, incentivar-se-á o verdadeiro altruísmo que consiste em ajudar os/as outros/as sem exigir qualquer contrapartida.

Defendemos igualmente que a faculdade deve ser uma instituição aberta ao mundo
que a rodeia, transformando-o e sendo por ele transformada. Uma instituição que deve
proporcionar a livre intervenção e fomentar a criatividade, não impondo códigos de
conduta nem promovendo a segregação. Mas este ideal nunca será concretizável
enquanto o espírito da praxe reinar na faculdade.

Exigimos ainda que as instituições de Ensino Superior tomem sobre si a
responsabilidade de prestar todas as informações e aconselhamento necessários aos/às
estudantes, quebrando assim com o princípio paternalista do "apadrinhamento" que
compromete e fragiliza a autonomia dos recém-chegados.

Exercemos desta forma o nosso direito à indignação. Como parte da sociedade civil
pensamos que o que se passa no interior das faculdades diz respeito a todos/as. Logo,
jamais poderemos fechar os olhos à triste realidade das "tradições académicas". E
juntamos a nossa voz à voz de todos e todas que lutam diariamente contra o cinzentismo da praxe e se batem por uma faculdade crítica, aberta e democrática!

Subscritores:

Ana Drago, Socióloga
António Reis, Prof. Universitário
Baptista Bastos, Escritor
Carlos Tê, Compositor
Catarina Portas, Jornalista
E. Prado Coelho, Prof. Universitário
Garcia Pereira, Advogado
João Aguardela, Músico (ex-Sitiados)
João Cutileiro, Escultor
João Teixeira Lopes, Sociólogo
José Mário Branco, Músico
José Pedro Gomes, Actor
José Saramago, Escritor
Lídia Franco, Actriz
Manuel Cruz, Músico (ex-Ornatos Violeta)
Manuel Graça Dias, Arquitecto
Maria José Morgado, Magistrada
Mário Mata, Músico
Miguel Guedes, Músico
Pacman, Músico (Da Weasel)
Pedro Abrunhosa, Músico
Raúl Solnado, Actor
Rita Ferro, Escritora
Rosa Mota, ex-Atleta
Rui Júnior, Músico (TocáRufar)
Saldanha Sanches, Prof. Universitário
Sérgio Godinho, Músico
Sobrinho Simões, Prof. Universitário
Vitorino, Músico

Amílcar António
António Carlos Pinto Oliveira
Filipe Sousa

 

****************************************

 

Um dos comentários, neste manifesto:

 

"a aluna consentiu nas praxes a que foi sujeita"

Assinou o Juiz de serviço.

De facto é notável como os nossos tribunais continuam a produzir sentenças "exemplares"! Entra-se como queixoso e sai-se como arguido! Notável!

Mas numa coisa este Juiz acertou: “não ofenderam a moral pública, nem chocaram a consciência ou sentido ético-jurídico da comunidade”

Este estado pútrido só é possível porque a generalidade da sociedade consente ou é cúmplice de estas práticas.

À Ana Sofia Damião e a todos aqueles/as que se atrevem a fazer a "via crucis" das vias legais, expondo as suas vivências privadas, a solidariedade de aqueles, infelizmente ainda poucos, que pensam que ensino superior representa também valores superiores, e não estes, que o tribunal cauciona.

Amílcar A., Bragança

9/5/08 07:09

 

*****************************************

Subscrevo,

António Carlos Pinto Oliveira

21/5/08 06:45

 

publicado por contracorrente às 03:21
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Sexta-feira, 9 de Maio de 2008

 

Minha crónica do "Público" de hoje:

E eles, Pimba!


A tradição já não é o que era. Pela primeira vez em muitos anos o cortejo dos quartanistas da Queima das Fitas de Coimbra realizou-se num domingo e não numa terça-feira. Para manter a tradição, um grupo de descontentes decidiu desfilar não só no domingo, mas também na terça-feira, depois de terem tentado invadir algumas escolas básicas da cidade.

A quebra de tradição, que segundo o Dux Veteranorum, foi ditada pelo Acordo de Bolonha que agora rege o ensino superior europeu, não se ficou por aí. Está tudo trocado. A serenata monumental foi adiada de um dia e a missa com bênção das pastas passou para o final de tudo. Mas a mudança foi ainda mais radical: na “noite do parque” de domingo, que agora não é no parque mas no “queimódromo”, pela primeira vez em 22 anos, o espectáculo não foi do inefável Quim Barreiros, mas sim de José Malhoa. Apesar de haver descontentes (Queima sem Quim não é Queima), dentro do género pimba, foi troca por troca. Em vez do Chupa Teresa cantou-se e dançou-se o Baile de Verão (A lua estava a sorrir / A tua boca a pedir / E toda a aldeia também / A querer nos ver acertar.) Houve gritos a pedir casamento: Zé dá-me a tua filha. A cerveja é que continua a ser da mesma marca que nos outros anos.

O Porto tem feito tudo para imitar Coimbra. Também tem um Dux Veteranorum, “noites do parque”, um “queimódromo” e um acordo com uma marca de cervejas (a mesma de Coimbra). Mas não a imitou nas mudanças deste ano. No Norte, a tradição ainda é o que era, com a missa antes do cortejo de terça-feira e com Quim Barreiros depois. Em Lisboa, que tem mais escolas superiores, a Semana Académica é talvez menos intensa, tendo sido desterrada para os arredores. E há outras queimas, com esse ou outros nomes, em todas as cidades com universidades ou politécnicos. Eles, nesta altura do ano, pimba!

Por mim, que estudei num tempo em que as praxes estavam interrompidas, confesso que estes festivais de berraria não me dizem muito. Mas, embora incomodado pelos decibéis do Baile de Verão que me entram pela janela (por isso é que sei a letra do baile), acho bem que os jovens se divirtam nesta época do ano, desde que não exagerem nos exageros. Trata-se não só de uma praxe juvenil como de uma festa familiar: os filhos bêbedos e os pais babados (ao contrário seria pior).

Há, todavia, nas praxes académicas coisas que não acho nada bem. Está em tribunal o caso de uma aluna da Escola Agrária de Santarém que foi besuntada com excrementos de suíno e, depois de ter sido vítima de sevícias sexuais, pendurada, de cabeça para baixo, em cima de um penico. Não acho bem que o julgamento, com sentença prevista para fins de Maio, tenha demorado cinco anos. E também não acho bem que o Ministério Público só tenha pedido uma “pena simbólica” para os seis energúmenos. Este é apenas um exemplo, porque há mais. Um caso de outra praxe violenta e sexista em Macedo de Cavaleiros terminou em Março passado com a absolvição. Em Dezembro último um estudante da Escola Agrária de Coimbra ficou paraplégico numa praxe ao escorregar sobre uma vala com bosta (não sei se haverá julgamento). O ministro bem poderia imitar D. João V na morte de um caloiro: Hey por bem e mando que todo e qualquer estudante que por obra ou palavra ofender a outro com o pretexto de novato, ainda que seja levemente, lhe sejam riscados os cursos.

E não posso aprovar – até porque é anticonstitucional – a discriminação de que as mulheres são vítimas nos códigos da praxe. O Dux Veteranorum de Coimbra declarou que elas não podiam usar colete no traje académico, ficando essa peça reservada aos homens. Por seu lado, e na mesma linha, o Dux do Porto defendeu que os fados e as serenatas são coisas de homens. Segundo ele, a interpretação do fado académico pelas mulheres seria inverter os papéis do macho e da fêmea, se as fêmeas fossem fazer serenatas aos homens onde é que íamos chegar? Parece que há mulheres que aceitam este tipo de restrições. Eu, se fosse mulher, revoltava-me. Mas não sou e revolto-me na mesma.

 

Carlos Fiolhais

http://dererummundi.blogspot.com/2008/05/e-eles-pimba.html

 


08
Abr 08

 

 

www.publico.pt

 

Ex-caloira da Escola Agrária disse em tribunal que as praxes a que foi sujeita foram "uma tortura"

08.04.2008, Andreia Sanches

Para alguns dos ex-caloiros da Escola Superior Agrária de Santarém (ESA), que ontem foram chamados a depor como testemunhas em tribunal, o que se passou nas praxes daquele dia 8 de Outubro de 2002 foi uma "brincadeira" com excrementos de porco e de vaca. E fez parte da "integração" dos novos estudantes, como eles. Para outros, o que aconteceu foi "um castigo", uma "punição" a que Ana Francisco, então aluna do 1.º ano de Engenharia Alimentar, "foi obrigada a sujeitar-se". Sete jovens, entre os 27 e os 32 anos, estão a ser julgados por alegada violência nos rituais de recepção ao caloiro daquele ano lectivo de 2002/2003.
Ontem, na quarta sessão do julgamento (o primeiro do género no país), Ana Francisco prestou pela primeira vez declarações perante o juiz Galvão Duarte Silva do Tribunal Judicial de Santarém. E disse que naquele dia chorou e teve "muito medo".
Seis dos arguidos são acusados de ofensa à integridade física. Um sétimo, o único que ontem não esteve presente na sessão que durou o dia todo, responde por coacção. No início do julgamento, quando foram ouvidos (a 14 de Fevereiro), garantiram que não quiseram ofender quem quer que fosse, que Ana Francisco aceitou as praxes e que nas praxes não há castigos.
Seis anos depois das práticas que, alegadamente, a fizeram mudar de curso e de escola, Ana Francisco apresentou outra versão. Diz que naquele dia foi a única a ser "esfregada com excrementos" num grupo de dezenas de caloiros numa quinta da escola, a 30 quilómetros de Santarém. E a única a ser mergulhada de cabeça num penico com bosta, já na ESA. Garante que foi "castigada".
Tudo terá começado porque os caloiros estavam proibidos de atender telefonemas e ela atendeu um. Ana Francisco contou que um dos veteranos, José Vaz, gritou com ela. "Expliquei-lhe que era a minha mãe, que ela estava doente, que tinha sido operada havia pouco tempo..."
Outro arguido ainda, que Ana Francisco identificou como sendo Rui Coutinho, tê-la-á insultado por causa disso. "Ele andava de um lado para o outro aos berros, pronunciou palavras pouco amigáveis..." O juiz quis saber quais. "Posso dizer? A puta da sua mãe..."
Depois disso, a ex-aluna garante que se declarou "antipraxe" e disse que se queria ir embora. "Mas eles disseram que eu estava muito longe [da escola], que era melhor permanecer ali". "Deixei-me ficar, lembro-me de pensar que nem sabia, se me fosse embora, para que lado devia ir..."
Ana Francisco contou ainda que uma das arguidas, Sandra Silva, ordenou-lhe que ficasse "na posição de elefante pensador", de joelhos, com as mão debaixo dos mesmos e os pés levantados. E que pedisse desculpa aos colegas. Depois, quatro caloiros receberam ordens de alguns dos arguidos para irem buscar sacos de esterco para lhe barrarem o corpo: "Fui barrada nos braços, no pescoço, a barriga, no cabelo..."
O juiz quis saber como encarou a jovem esse acto. "Como uma humilhação, uma tortura." Mais: "Temia que algo pior pudesse acontecer", se saísse da quinta e se fosse embora a pé, porque "eles estavam muito exaltados".
Uma vez mais o juiz insistiu: o que achou ela que podia acontecer? "Ser violada..." A resposta suscitou risos de indignação entre alguns arguidos. Ana diz que foi também por ter medo que algo pior acontecesse que ficou "em silêncio". E participou em mais uma praxe que consistia numa simulação de um acto sexual com os outros caloiros.
Já na ESA, outro arguido, Tiago Figueiredo, terá pedido a dois caloiros para a ajudarem a fazer o pino e a mergulhar a cabeça "até às pálpebras" num penico com bosta.
No final, a advogada de defesa quis esclarecer uma dúvida que várias vezes foi colocada neste julgamento. "Alguma vez manifestou a sua discordância" com as praxes? O juiz respondeu pela jovem: "Sôtora: ela declarou-se antipraxe."
As alegações finais estão marcadas para 24 de Abril.

 

publicado por contracorrente às 01:20
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16
Nov 07

http://avenidacentral.blogspot.com/2007/11/dura-praxis-sed-lex_16.html 

16 Novembro, 2007

Dura Praxis, Sed Lex?

Esta imagem, captada nas imediações da Universidade do Minho em pleno mês de Novembro, relançou o debate em torno da praxe. O facto da adesão à praxe ser voluntária não a isenta de perversidades que importa denunciar:
1. Hierarquia anti-democrática e contrária aos valores da Universidade;
2. Instrumentalização dos caloiros nas Assembleias Gerais e Eleições das Associações de Estudantes;
3. Utilização da posição na hierarquia da praxe para garantir lugares nos órgãos de governo das Associações e das próprias Universidades;
4. Usurpação de símbolos e lugares que representam todos os estudantes (são exemplos os bares académicos e o traje que os códigos de praxe tornam exclusivos para os praxados);
5. Intimação à declaração de anti-praxe e ameaça de exclusão por parte dos colegas no caso da adopção desse estatuto.
Por muito que se goste, não se podem branquear estes factos. Praxe não é Lei. Felizmente.

publicado por contracorrente às 06:50

15
Out 07

Domingo, Outubro 14, 2007

É tempo de praxe
Todos os anos por esta época as universidades portuguesas enchem-se de estudantes que fazem coisas ridículas sob orientação dos seus colegas mais velhos. Esta semana cruzei-me em Aveiro com um longa bicha de caloiros que vinham da ria acartando nas mãos, debaixo do sol, sacos plásticos cheios de lodo. Presumo que a intenção fosse levar aquela porcaria para a Universidade. Em Coimbra, ao pé da escadaria monumental, passei por um estudante com o traje académico que era escoltado ao caminhar por quatro colegas recém-chegados à capital da cultura universitária que o rodeavam de braços estendidos no ar agarrando a capa dele sobre a sua insigne cabeça para que esta não apanhasse sol de mais. Suponho que teria medo que o pequeno cérebro derretesse.
Chamam a isto a praxe, e a justificação dada para que os colegas mais novos se tenham de lhe submeter é a necessidade de “integração”. Só há integração para quem não fizer ondas e aceitar com humildade os tratos de polé. Os caloiros são mandados fazer figura de urso para se poderem integrar, com a promessa de que um dia também poderão ser superiores prepotentes e terão enfim o direito de mandar uma nova geração de inferiores (caloiros/lamas/lodos) fazer por sua vez figuras tristes. É a apologia da humilhação como estratégia pedagógica.
Dizem os praxistas que é bom como aprendizagem para a vida, como preparação para o mundo. Aprende-se assim a respeitar a hierarquia, preparam-se os jovens para um modelo de relações profissionais baseado não no respeito mútuo, mas nas pequeninas e mesquinhas maneiras quotidianas de lembrar quem é o superior. Um modelo onde pouco conta o mérito, onde as ideias novas ou diferentes são malvistas, no qual importante é saber lamber as botas de algum cacique. Aprende-se a obedecer sem questionar. Para que se perpetue uma cultura que promove o medo de ser o destravado da língua que comete a heresia de dizer que o rei vai nu. E que é saneado pela ousadia. A praxe é um reflexo do triste país que temos, portugalzinho no seu pior.
jpesperanca.blogspot.com
Publicada por João Paulo Esperança em 
in
Hanoin Oin-Oin  (jp

jpespesperanca

publicado por contracorrente às 07:32

14
Out 07

 http://gae-iscte.blogspot.com/2007/10/carta-aberta-ao-presidente-do-iscte.html

 9 de Outubro de 2007

CARTA ABERTA AO PRESIDENTE DO ISCTE

O GAE enviou a semana passada esta carta ao Presidente do ISCTE, com o conhecimento do Ministro da tutela.
Até agora não recebemos respota do "nosso" presidente, mas, curiosmanete, respondeu-nos o gabinete do sr. ministro, a quem nem cabia responder.

A sua resposta será em breve aqui colocada (ainda temos de a passar por um scanner).

Juntamente com a carta, enviámos o Manual de Guerra dos praxistas da nossa escola. O Manual está disponivel para tod@s que queiram dar uma vista de olhos à estratégia militar seguida pelos nossos "dignissímos veteranuns"...

Não percam!!!

Exmo. Sr. Presidente do ISCTE,
Com o conhecimento d Sr. Ministro da Tutela

No dia 24 de Setembro, segunda-feira, teve inicio a recepção aos alunos do primeiro ano. A sessão solene de abertura do ano lectivo, onde estiveram presentes o Presidente do ISCTE, Professor Doutor Luís Reto, o Presidente da AEISCTE, Pedro Inácio e, o aluno Paulo Lopes, que se auto-intitula presidente da “Comissão de Recepção ao novo aluno”. Esta comissão é, na verdade, fictícia, pois mais não é do que a comissão de praxe do ISCTE. Aparte de considerações pessoais que se possam ter sobre a prática da praxe, parece-nos consensual que o Presidente de uma instituição de ensino superior, que reúne no seu seio pessoas das mais diversas opiniões, não deve nem pode estar associado a situações de promoção da praxe como a que ocorreu durante a já mencionada sessão. Pela primeira vez, numa recepção oficial aos alunos do primeiro ano, esteve representada na mesa dos oradores a comissão de praxe com o aval do Presidente do ISCTE, inclusivamente este prestou-se ao papel de ser instrumentalizado pelo, mais uma vez, auto-intitulado presidente da “Comissão de Recepção ao novo aluno”, com o fim de garantir a boa conduta da praxe. O que é que isto significa? Muito simples:
- Estivemos presentes numa recepção ao novo aluno, em que a comissão de praxe esteve oficialmente representada. A que propósito? Com que objectivos?
- O presidente do ISCTE alinhou com a comissão da praxe, servindo de salvaguarda da mesma. Mas o que é isto? O presidente do ISCTE vai começar a praxar?
- A praxe não é nem obrigatória, nem oficial, nem regulamentada/legalizada, não deveriam os/as alunos/as ser informados disso?
- Não teria sido mais democrático ter estado presente alguém para falar de outras formas de integração?

Muita gente, entre estudantes, funcionários e docentes, estão cansados de ver alunos/as cabisbaixos, convencidos de que ou são praxados/as ou não se integram, de mãos dadas porque assim o exigem, a ouvir berros a toda a hora, a terem que berrar a toda a hora. É por todas estas razões que exigimos uma resposta esclarecedora por parte do Presidente do ISCTE, pois parece-nos o mínimo exigível face ao cargo que ocupa e às responsabilidades representativas que se lhe impõem.

O grave nesta situação não é haver praxistas e praxados. O grave desta situação é os/as novos/as alunos não terem alternativa de integração que não seja a praxe.

Aguardamos resposta
GAE
Grupo d’Acção Estudantil

++++++++++++++++

 

 14 de Outubro de 2007

RESPOSTA DO GABINETE DO MINISTRO DO MCTES

MINISTÉRIO DA CIÊNCIA, TECNOLOGIA E ENSINO SUPERIOR
GABINETE DO MINISTRO

ASSUNTO: INSTITUTO SUPERIOR DE CIÊNCIAS DO TRABALHO E DA EMPRESA
PRAXE ACADÉMICA


Encarrega-me o Senhor Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior de acusar a recepção da sua carta referente ao assunto em epígrafe, que lhe mereceu a melhor atenção, e de informar V. Exa. que nesta data foi solicitada ao Senhor Presidente do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa informação acerca do que expõe.

Na oportunidade permito-me assinalar que nos termos do disposto na alínea b) do n.° 4 do artigo 75.° da Lei n.° 62/2007, de 10 de Setembro (Regime jurídico das instituições de ensino superior), é qualificada como infracção disciplinar dos estudantes “a prática de actos de violência ou coacção física ou psicológica sobre outros estudantes, designadamente no quadro das «praxes académicas»”.

Com os melhores cumprimentos,
O Chefe do Gabinete
(Armando Trigo de Abreu)

publicado por contracorrente às 07:30
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05
Out 07

... e pragas!

 

http://jpesperanca.blogspot.com/2007/10/tempo-de-praxe.html?showComment=1192412940000

 

Caro J.P.,
Esta é uma contestação por demais silenciada.
Em 2005 o I P Bragança tinha eleições para Presidente, e eu lancei o desafio no mail geral@ipb para que se marcasse a diferença, criando um cidade livre de praxes.
À "provocação" responderam apenas Prof. Doutores, pedagogos. E, pelos comentários, vá lá saber-se em que manuais de Pedagogia encontram eles a recomendação para tais práticas...
Transcrevo, abaixo, o que então publiquei no meu Blog. É longo.
Corta por onde quiseres.
Boas escritas,
A.A.
------------
Segunda-feira, Novembro 28, 2005
REFLEXÃO
“Quando fizermos uma reflexão sobre o nosso séc. XX, não nos parecerão muito graves os feitos dos malvados, mas sim o escandaloso silêncio das pessoas boas”.
Martin Luther King
------------------------
O tribunal de Santarém promete julgar os praxadores da Escola Agrária da mesma cidade. Usando as palavras do jornal onde foi publicada a notícia, trata-se de um “acórdão inédito”. (JN, 22.Nov.05)
Desejamos que se repitam, decisões destas.
# posted by indigena @ 8:13 AM

Segunda-feira, Novembro 14, 2005
CIDADE LIVRE DE PRAXES
“Aquel que no quiso
Recurrir al recurso del silencio
Cuando ya no quedaban palabras por aquí”.
J.M. Caballero Bonald, poeta infractor

Porque o “exemplo”, das inextinguíveis praxes, ocorreu no IPBragança (podia ter sido em Faro), resolvi lançar a provocação, num mail-list geral@.
Os únicos dois intervenientes que reagiram à provocação (o IPB têm cerca de 300 docentes) são professores na ESEducação. O primeiro deles é também colunista num jornal regional. E a sua “força” de intervenção terá inibido os demais.
Nesta troca de mails, ficou por lhes perguntar a referência do manual de pedagogia que recomenda tais práticas.
Transcrevo as intervenções, para perceber por que caminhos andam os nossos pedagogos, e não só!
………………………………
EU:
Amanhã, na RTP2, às 22H35, no "Diga Lá Excelência", o Ministro Mariano Gago fala de Bragança... Infelizmente... como poderão ouvir. O tema: as praxes!
Seria interessante ouvir, no debate público desta segunda-feira às 17H, a opinião dos 3 candidatos à presidência do IPB sobre estas práticas degradantes e primitivas.
Eu sugiro, para pôr Bragança no mapa, que passe a ser declarada "CIDADE LIVRE DE PRAXES". Talvez assim possamos marcar a diferença...
[A entrevista ocorreu dia 6. Nov. e foi transcrita no jornal Público do dia 7]
-------------------------
Primeiro interveniente:
«« Secundando A.A., é importante reflectir sobre as praxes e sobre o que elas podem e devem ser. É evidente que os três candidatos devem pronunciar-se sobre o tema mas chamo a atenção para o facto de que o Ministro não disse onde se tinha passado o problema: Bragança, Mirandela, Macedo de Cavaleiros ou Miranda do Douro são cidades com ensino superior. O Ministro só disse
em Bragança. Eu entendi Distrito de. Veremos então hoje, às 22h35, o que diz mais o Ministro.
(…) nem todas são práticas neofascistas e neonazis. (…)
As praxes, se conduzidas por pessoas idóneas e boas, podem ser óptimos processos de integração social. [sublinhado meu] »»

………………………
Segundo interveniente:
«« Ainda bem que alguém se lembrou de falar na entrevista do Ministro, pois, assim, mais gente teve, certamente, o cuidado de a ouvir. Creio que, no que respeita ao problema das praxes, o essencial já foi dito pelo anterior interveniente. Para lá de uma posição preventiva e reeducativa, trata-se, como disse o Ministro, de cumprir e fazer cumprir a lei e estimular a coragem dos «iniciados» a denunciarem as situações abusivas. »»
………………………………..
EU, de novo:
(…) não vale a pena alimentar diálogos de fórum a três. Percebe-se a incomodidade deste assunto, até quando o programa foi anunciado na véspera dizendo apenas “Ministro Mariano Gago critica as praxes”. Também porque não poderei assistir ao debate. E porque sei que uma só vontade, do candidato vencedor, não será suficiente para a mudança, perante o imobilismo dos demais. Há muito mais a dizer certamente sobre as praxes, em outra oportunidade. Contraponho só ao discurso maioritário as palavras de
Eduardo Prado Coelho, Ana Sá Lopes, José Pacheco Pereira, Inês Pedrosa, Graça Franco, Rodrigo Guedes de Carvalho, Manuel António Pina, entre outros. Podem ser lidas em
http://adsl.tvtel.pt/antipodas/cronicas.htm

Aos candidatos, bom debate!

# posted by indigena @ 8:53 PM

 

publicado por contracorrente às 08:23
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26
Set 07

http://valedealmeida.blogspot.com/2007/09/praxe-as-faculdades-que-permitem-as.html

 

26.9.07  

Praxe

As faculdades que permitem as praxes, mesmo que apenas nos pátios ou espaços circundantes (como, infelizmente, acontece com a minha) estão a subscrever e a promover os piores valores. É assim como se nos seus cursos de comunicação social ensinassem o jornalismo com base no 24 Horas, ou nos de antropologia promovessem o racismo "científico", ou nos de física dissessem que Galileu era um herege. Pela minha parte lá vou dando aulas, gritando sobre o barulho que entra pelas janelas. Depois, nos corredores, e sobretudo nos pátios, é uma viagem pelo comboio-fantasma, uma aula viva de etologia animal, um parque temático medieval: orelhas de burro, bonecas insufláveis, machismo, homofobia, humilhações, hierarquias, celebração do privilégio. Ao menos que assumissem o lado animal da coisa: os machos (e as fêmeas adeptas do machismo) que montassem os júniores, seguindo-se um chichizinho para marcar o território. Iam ver que aliviava.

mva | 11:18|


Comments:

A pior memória que tenho da Universidade é a de, quando caloiro de Antropologia, no ISCTE, ver entrar na minha sala de aula (repito: na sala de aula!)alguns alunos do 3º ano do mesmo curso (de Antropologia), mascarados com umas vestes de inspiração eclesiástica e parecidas com a farda do Batman, propondo a realização de diversos rituais "praxísticos" aos presentes. Foi o mais violento e inusitado balde de água fria que levei e que quase me fez abandonar a academia naquele mesmo dia. Como era possível que alunos quase finalistas de uma formação em Antropologia fossem mentores de um ritual estúpido, rídiculo e que desafia a própria essência daquele ramo do saber? Desacreditei completamente o curso, mas achei que deveria insistir um pouco mais e combinei comigo mesmo que ficaria até ao final do 1º semestre e só depois decidiria se batia com a porta. Até porque tinha ali um novo desafio: tentar compreender como era possível que aqueles quase antropólogos, ao fim de três anos de curso, pareciam não terem ainda percebido o que andavam ali a fazer. Não desisti e acabei por conseguir algumas interpretações sobre o que está subjacente àquelas atitudes, embora isso seja um assunto demasiado complexo e extenso para explanar aqui.
Ainda assim, ainda hoje estranho que alguns professores de Antropologia, ao presenciarem semelhante espectáculo com os seus alunos, não se sintam impelidos a reflectir sobre a pedagogia utilizada na licenciatura.
Mesmo sem exigir que todos os licenciados em medicina fossem clones de Hipócrates acredito que os docentes de medicina ficariam seriamente preocupados se os seus formandos se dedicassem a práticas que atentassem contra a vida alheia. Para um antropólogo, a praxe é tão contranatura como seria, para um engenheiro de ambiente, fomentar indústrias poluentes!
Será que a obsessão relativista está a impedir a afirmação de uma ética na Antropologia? Mais do que a "matéria dada" não seria importante os docentes reflectirem sobre o que alunos fazem com essa "matéria" e que espécie de antropólogos estão a produzir? Não é importante lembrar que os docentes não são apenas produtores de artigos e teses científicas mas também "produtores" de antropólogos? E que é nas mãos desses alunos que estão a depositar o futuro da ciência que tão dilectamente defendem nas revistas da especialidade? Já terão reparado que as críticas que muitos alunos fazem ao curso e aos docentes são de tal modo inadequadas que só revelam que, mesmo depois de acabado o curso, nunca perceberam o que lá andaram a fazer?
Bem, estou com vontade de dizer muitas mais coisas, mas estou cheio de trabalho e não me posso perder por aqui. Aliás, acho mesmo que tenho de deixar de passar por este Blog, porque me provoca uma terrível incontinência verbal que incomoda toda a gente e não me deixa trabalhar. E eu até sou um tipo muito discreto e caladinho, mas há coisas que "mexem" comigo.
Obrigado ao autor e a todos os "colegas comentadores" por tudo o que me têm permitido aprender.

publicado por contracorrente às 07:40

09
Jan 03

A Estupidez da Praxe


José Pacheco Pereira (Professor do ISCTE)
 

Público, 9 de Janeiro de 2003

Rito de passagem? Mas que passagem? A única coisa que os estudantes transportam do liceu para a universidade é a sua carga de ignorância. A cultura juvenil revê-se num mundo de grosseria e ignorância.

Se existisse uma colecção de retratos do nosso atraso, a cena da praxe ocorrida em Macedo de Cavaleiros era um deles. Saliente-se, aliás, que é apenas uma cena entre muitas que se repetem por todo o país de Braga a Faro e que esporadicamente são noticiadas, quando há uns estudantes corajosos que as denunciam, ou quando o abuso é intolerável e provoca danos. Ninguém, muito menos o ministério, nem os responsáveis pelas escolas, pode alegar desconhecimento.Parece que entre as cenas habituais das praxes aos caloiros, a julgar pela de Macedo de Cavaleiros, existe a prática de pôr os rapazes e as raparigas a quatro, feitos asno, cabra ou carneiro, mais ou menos vestidos, mas, pelo menos neste caso, com a roupa interior por fora, a ter que dizer umas obscenidades e a responder a umas perguntinhas perversas.
Conhecem-se mil e uma variantes, todas boçais, destas práticas.

Desta vez, mais uma vez, a brincadeira correu torta, porque a rapariga seviciada resolveu e bem queixar-se. O mais espantoso foi ver alguns estudantes, dirigentes académicos locais, a justificar o que se tinha passado - provavelmente já tinham estado numa idêntica postura a quatro a fazer de carneiros a balir e gostaram da experiência - e a dividir o mundo entre os a favor da praxe e "antipraxe". Sugeriam que alguém poderia evitar as cenas de humilhação sado-eróticas, com que se entretêm, proclamando-se "antipraxe", o que teria a penalização de serem excluídos das "actividades académicas".

Gostaria de saber se dinheiros das instituições universitárias, que vem dos nossos impostos, podem ser canalizados para grupos de estudantes que excluem das actividades financiadas que patrocinam os que se recusam a fazer tristes figuras de asno.

Rito de passagem? Mas que passagem? Cada vez mais a única coisa que os estudantes transportam do liceu para a universidade é a sua carga de ignorância. A cultura juvenil revê-se no Quim Barreiros, nas peripécias futebolísticas e no Big Brother, num mundo de grosseria e ignorância em que ler alguma coisa mais do que os jornais desportivos ou a "Caras" é excepcionalíssimo.
Aliás, a praxe e as claques futebolísticas partilham muita coisa em comum - a violência latente, o culto pela obscenidade, a demarcação clubística entre "nós" e "eles".
Tenho para mim que um dos sinais de degradação do ensino universitário nos últimos anos foi a progressiva introdução da praxe. Subitamente, após uma sadia desaparição da praxe nos anos 70, começou-se de novo a ver rapazes e raparigas vestidos de uma imitação de padres de gravata, o chamado "traje académico". Em muitos sítios onde este nunca fora "tradição", inventaram-se novos "trajes", todos eles ridículos e um pouco à moda dos bobos da corte das imagens medievais. Só lhes faltava pôr uns sininhos para parecerem o "coringa" dos baralhos de cartas.

A praxe acompanhou a progressiva perda de qualidade do ensino básico e secundário, a crescente diminuição da importância da leitura e da oralidade consistente no ensino, a substituição de critérios de exigência e qualidade pelo mito do ensino "sedutor", em que as crianças "bons selvagens" se tornavam "bons" e menos "selvagens", por uma escola amável e onde não era preciso o esforço. A praxe mostra que um dos resultados finais da ideia da escola "soft", das pedagogias não directivas, foi mais o despertar do "selvagem" do que do "bom", para desgosto de Rosseau.

A praxe estudantil foi sempre uma marca da mais provinciana universidade portuguesa - Coimbra -e dificilmente se implantou nas universidades de Lisboa e Porto, onde a população estudantil vivia em verdadeiras cidades, com vida própria fora do fechado mundo estudantil. Em Coimbra, uma cidade em grande parte dependente dos estudantes, dominada pela universidade, povoada por uma multidão de gente vinda do interior que aí habitava, vivendo em quartos e casas alugadas, o mundo do Palito Métrico floresceu. Os estudantes praxistas eram activos participantes da boémia da cidade e cultivavam uma cultura de estúrdia e do vinho, sob a suprema autoridade do estudante mais cábula, o "dux veteranorum", que obtinha o lugar na exacta proporção ao número de chumbos que tinha nos exames e aos anos que demorava a acabar o curso.

A crise de 1969 provocou uma rara união entre os praxistas e os estudantes mais politizados, com o "dux" a apoiar a greve e com a suspensão da praxe pelo "luto académico". Este acto acabou por muitos anos com a praxe em Coimbra e varreu-a das universidades onde era claramente uma importação e uma imitação - Lisboa e Porto.
No Porto, tenho no meu currículo de dirigente estudantil ter ajudado activamente a acabar com a ridícula parafernália dos "grelados" e "fitados", com as cartolas e penduricalhos que passeavam pela cidade durante a Queima das Fitas. Fui igualmente o autor anónimo, por razões óbvias, de um escrito com umas teses contra a Queima que circulou abundantemente nas três cidades universitárias.Nele, contrariamente ao que faziam os estudantes do PCP - que aceitavam a praxe, apenas achavam que ela devia ser suspensa por razões de "luto académico" -, combatia a praxe pela mundividência cultural que lhe estava associada, pelo seu conteúdo machista e marialva, pelo seu reaccionarismo estético, pela sua infantilização dos estudantes como seres irresponsáveis, que só serviam para brincadeiras de mau gosto.
A Queima era então no Porto uma sucessão de "saraus", entremeados de "rallies", touradas, bênçãos, bailes, culminando num cortejo de carros e piadas que não tinham graça nenhuma e deixavam um rasto de gente bêbada por toda a cidade. Há poucos anos tive ocasião de observar o mesmo espectáculo decadente em Coimbra, só que o vinho tinto era substituído por "shots" e cerveja, não encontrando praticamente um estudante que estivesse sóbrio no dia do fim da Queima.

Os hábitos da praxe que hoje são um anacronismo insensato remetem para um mundo corporativo medieval, para uma época em que as universidades tinham regimento e polícia e em que os estudantes se defendiam da autoridade dos "lentes", construindo um mundo de regras autónomas que reproduziam, aliás, o ambiente igualmente claustrofóbico da universidade "séria". Mas Coimbra nunca foi Heidelberg e o ambiente fechado, que páginas e páginas de sátira e de crítica já tinham denunciado, pela pena dos escritores século XIX e XX, não favorecia a liberdade de espírito, nem qualquer irreverência. Hoje no século XXI, a praxe é um traço anacrónico que puxa Portugal para um passado de que, mais que tudo, as universidades o deviam libertar.


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“Quando fizermos uma reflexão sobre o nosso séc. XX, não nos parecerão muito graves os feitos dos malvados, mas sim o escandaloso silêncio das pessoas boas." Martin Luther King "O mal não deve ser imputado apenas àqueles que o praticam, mas também àqueles que poderiam tê-lo evitado e não o fizeram." Tucídedes, historiador grego (460 a.c. - 396 a.c.)
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