Lei n.º 62/2007, art. 75.º n.º 4 b) - Constituem infracção disciplinar dos estudantes: A prática de actos de violência ou coacção física ou psicológica sobre outros estudantes, designadamente no quadro das «praxes académicas».

14
Out 07

 http://gae-iscte.blogspot.com/2007/10/carta-aberta-ao-presidente-do-iscte.html

 9 de Outubro de 2007

CARTA ABERTA AO PRESIDENTE DO ISCTE

O GAE enviou a semana passada esta carta ao Presidente do ISCTE, com o conhecimento do Ministro da tutela.
Até agora não recebemos respota do "nosso" presidente, mas, curiosmanete, respondeu-nos o gabinete do sr. ministro, a quem nem cabia responder.

A sua resposta será em breve aqui colocada (ainda temos de a passar por um scanner).

Juntamente com a carta, enviámos o Manual de Guerra dos praxistas da nossa escola. O Manual está disponivel para tod@s que queiram dar uma vista de olhos à estratégia militar seguida pelos nossos "dignissímos veteranuns"...

Não percam!!!

Exmo. Sr. Presidente do ISCTE,
Com o conhecimento d Sr. Ministro da Tutela

No dia 24 de Setembro, segunda-feira, teve inicio a recepção aos alunos do primeiro ano. A sessão solene de abertura do ano lectivo, onde estiveram presentes o Presidente do ISCTE, Professor Doutor Luís Reto, o Presidente da AEISCTE, Pedro Inácio e, o aluno Paulo Lopes, que se auto-intitula presidente da “Comissão de Recepção ao novo aluno”. Esta comissão é, na verdade, fictícia, pois mais não é do que a comissão de praxe do ISCTE. Aparte de considerações pessoais que se possam ter sobre a prática da praxe, parece-nos consensual que o Presidente de uma instituição de ensino superior, que reúne no seu seio pessoas das mais diversas opiniões, não deve nem pode estar associado a situações de promoção da praxe como a que ocorreu durante a já mencionada sessão. Pela primeira vez, numa recepção oficial aos alunos do primeiro ano, esteve representada na mesa dos oradores a comissão de praxe com o aval do Presidente do ISCTE, inclusivamente este prestou-se ao papel de ser instrumentalizado pelo, mais uma vez, auto-intitulado presidente da “Comissão de Recepção ao novo aluno”, com o fim de garantir a boa conduta da praxe. O que é que isto significa? Muito simples:
- Estivemos presentes numa recepção ao novo aluno, em que a comissão de praxe esteve oficialmente representada. A que propósito? Com que objectivos?
- O presidente do ISCTE alinhou com a comissão da praxe, servindo de salvaguarda da mesma. Mas o que é isto? O presidente do ISCTE vai começar a praxar?
- A praxe não é nem obrigatória, nem oficial, nem regulamentada/legalizada, não deveriam os/as alunos/as ser informados disso?
- Não teria sido mais democrático ter estado presente alguém para falar de outras formas de integração?

Muita gente, entre estudantes, funcionários e docentes, estão cansados de ver alunos/as cabisbaixos, convencidos de que ou são praxados/as ou não se integram, de mãos dadas porque assim o exigem, a ouvir berros a toda a hora, a terem que berrar a toda a hora. É por todas estas razões que exigimos uma resposta esclarecedora por parte do Presidente do ISCTE, pois parece-nos o mínimo exigível face ao cargo que ocupa e às responsabilidades representativas que se lhe impõem.

O grave nesta situação não é haver praxistas e praxados. O grave desta situação é os/as novos/as alunos não terem alternativa de integração que não seja a praxe.

Aguardamos resposta
GAE
Grupo d’Acção Estudantil

++++++++++++++++

 

 14 de Outubro de 2007

RESPOSTA DO GABINETE DO MINISTRO DO MCTES

MINISTÉRIO DA CIÊNCIA, TECNOLOGIA E ENSINO SUPERIOR
GABINETE DO MINISTRO

ASSUNTO: INSTITUTO SUPERIOR DE CIÊNCIAS DO TRABALHO E DA EMPRESA
PRAXE ACADÉMICA


Encarrega-me o Senhor Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior de acusar a recepção da sua carta referente ao assunto em epígrafe, que lhe mereceu a melhor atenção, e de informar V. Exa. que nesta data foi solicitada ao Senhor Presidente do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa informação acerca do que expõe.

Na oportunidade permito-me assinalar que nos termos do disposto na alínea b) do n.° 4 do artigo 75.° da Lei n.° 62/2007, de 10 de Setembro (Regime jurídico das instituições de ensino superior), é qualificada como infracção disciplinar dos estudantes “a prática de actos de violência ou coacção física ou psicológica sobre outros estudantes, designadamente no quadro das «praxes académicas»”.

Com os melhores cumprimentos,
O Chefe do Gabinete
(Armando Trigo de Abreu)

publicado por contracorrente às 07:30
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Isto de praxe tem muito que se lhe diga...
Eu sou do ISCTE do primeiro ano de Antropologia e desde que pus os pés nesta instituição que me foram informadas as praxes académicas, da qual não prescindo e mais informo de que para o ano vou praxar!
Ainda posso afirmar de que me foi também informado que se não quisesse não era obrigada, e nem vi ninguém contra sua vontade na praxe.
Posso ainda dizer que AINDA BEM QUE EXISTE PRAXE!! Isto porque se não fosse esta maravilhosa ocasião não teria oportunidade de me integrar, conviver e festejar a minha entrada nesta prestigiada instituição.
Acho que os auto-intitulados de anti-praxe " não se deviam expor tanto, pois nós praxantes , praxados, etc. também não nos expomos contra os demais "anti-praxe ". Sem mais assunto, estou ao vosso dispor para mais esclarecimentos.
anacmacie@gmail.com
Magda a 11 de Maio de 2009 às 01:59

E viva o ISCTE, e viva a PRAXE DO ISCTE.

100% orgulho em ter sido praxada e praxar nestas instalações
Ana a 1 de Setembro de 2011 às 19:37

Há gostos para tudo! Neste caso, desgostos...
contracorrente a 6 de Setembro de 2011 às 23:57

Eu vi as praxes no ano passado e sinceramente deu-me a ideia de estar numa colonia de ferias, porque nada eram mais do que jogos, que promoviam o trabalho de equipa e a integração no ambiente escolar. Não vi ninguém lá triste nem contrariado, quem não queria ser praxado não era e podia estar ali simplesmente a ver. Este ano vou eu ser praxado no ISCTE e estou muito contente por o ser, pois sei que a praxe será uma oportunidade única para conhecer novas pessoas. Quanto aos alunos anti-praxe, não querem ser praxados nem praxar a escolha é vossa, simplesmente não acabem com a diversão dos outros. Cada um obtém a experiência que mais lhe agrada, se querem estar na faculdade apenas para aprender e obterem uma melhor formação a escolha é vossa, agora eu quero o pacote inteiro, quero os amigos, quero as aulas, quero o espirito de equipa, quero as festas, quero tudo! E não vão ser vocês que me vão tirar isso.
Gonçalo Castro a 20 de Setembro de 2011 às 00:28

Muito sinceramente, eu acho que a praxe é nada mais que a humilhação publica de quem se sujeita a isso. Pode parecer que nao a voces, mas a verdade é que quem assiste so se ri das vossas figuras tristes. E muito sinceramente é assim que os "veteranos", como assim lhes chamam, se vão lembrar de vocês. Ora eu, nao quero ser lembrado assim, gosto que se lembrem de mim pelo bom que faço e nao pelas figuras tristes que faço. Ora e para mais também acho que a estúpida tradição é mesmo isso: simplesmente estúpida!

Tenho so uma pergunta: porque é que quem se recusa a ser praxado, nao pode usar aquela capa preta que se compra em qualquer loja de roupa? (lol)

Acontece que eu ja vi bons alunos em certas universidades que mereciam muito mais usar esse traje que outros que a unica razao que os levam la é só uma: praxar.

Ora a mim isso parece-me muito errado e para alem do mais, a mim a praxe nao passa tambem de uma grande contradição da sociedade, para alem do facto de num universidad haver "hierarquias", mas isso ja são outros 500...

Espero ter sido bastante esclarecedor. Obrigado
Neon a 28 de Setembro de 2011 às 01:39

Ninguém diz que não pode usar, poder pode, simplesmente é desacreditado pelo facto de não pertencer à comunidade da praxe. A faculdade, mais do que uma instituição de ensino, é uma micro-sociedade, onde existe claro uma hierarquia, da mesma forma que numa instituição de ensino regular. Desta forma, existem certos aspectos desta micro-sociedade que necessitam de certos requisitos, como por exemplo a praxe. Se não preencheres os requisitos não pertences, tão simples quanto isso. Ninguém te obriga e ninguém te julga. Decides a tua própria experiência na faculdade. Agora, como um veterano me disse há uns dias atrás, se quiseres vir ver a faculdade, é uma coisa, agora se quiseres VIVER tudo o que a vida universitária te pode oferecer, aconselho fortemente a serem praxados e a praxar. É um legado que passa, e acredita que por baixo de toda aquela suposta "humilhação" existe muita solidariedade, muita união, cooperação e amizade. Se não acreditas, aconselho-te a experimentares apenas por umas horas. Quando um elemento do teu curso está a representar o teu curso numa actividade, todos puxam por ele. Quando alguém se sente mal ou magoa, todos ajudam. Quando alguém precisa de algo, todos se oferecem. Agora diz-me se a tua experiência universitária é igual à minha. Eu digo já que não. Se me sinto humilhado? Não. Porquê? Porque comigo estão mais 599 pessoas, cada uma com o seu disfarce, e estamos todos completamente ridiculos. O que isto provoca? Boa disposição. Se os meus veteranos se irão lembrar de mim nos meus tempos de praxe? Completamente. Pela força com que grito pelo curso, pelas dores que manifesto mas ignoro para dar força ao meu curso, pela prontidão com que me ofereço para as actividades, pela boa disposição todos os dias. Se todos passaram pelo mesmo, como poderei sentir-me ridiculo? Isto é tudo gente adulta rapaz.
Gonçalo Castro a 28 de Setembro de 2011 às 22:44

Eu sou do Iscte e participei na praxe, continuo a participar. Ninguem me obrigou a ser praxada. Enquando caloira nao tive o dever de ser praxada mas sim, direito!
Tenho o maior orgulho na minha instituic,ao e na praxe do iscte!
Daniela a 15 de Setembro de 2013 às 16:43

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