Lei n.º 62/2007, art. 75.º n.º 4 b) - Constituem infracção disciplinar dos estudantes: A prática de actos de violência ou coacção física ou psicológica sobre outros estudantes, designadamente no quadro das «praxes académicas».

29
Jan 14

CONTRA A PRAXE, NÃO FICAREMOS EM SILÊNCIO

Somos estudantes e não ficaremos em silêncio. Há muitos colegas que pensam como nós: a Universidade seria melhor sem praxe. Há muitas formas de integração. Gostamos de ser estudantes, dos espaços de convívio, da aprendizagem coletiva. Gostamos de festas. Nada disso é a praxe. A Universidade que queremos não se rege pela hierarquia cega, pela constante humilhação, pelas práticas e os cânticos machistas, racistas, xenófobos ou homofóbicos como é tão recorrente na maioria das praxes. A tradição académica que reivindicamos é a da liberdade, a do pensamento crítico, a dos movimentos de estudantes que, noutras épocas, substituíram a praxe por coisas mais úteis e muito mais interessantes.

Nos últimos dias, a opinião pública tem-se debruçado sobre os acontecimentos do Meco, sobre os seis jovens que morreram enquanto estavam num fim-de-semana de praxe. A praxe tem sido amplamente debatida na comunicação social. Mas não é a primeira vez que acontecem tragédias no âmbito de actividades praxistas.

Nada disto é novo para qualquer estudante universitário. Mesmo quem se recusa a pactuar com estas práticas, é obrigado a assistir a elas diariamente, especialmente em Setembro, sem ter para si qualquer outra alternativa de integração. Os estudantes de primeiro ano, com placas no pescoço que os intitula de “bestas”, mascarados como os praxistas desejam e a fazer o que os praxistas desejam, percorrem as universidades, percorrem as salas de aula, percorrem o espaço comum.

A praxe não é integração, mesmo que nela haja atividades que integrem A praxe é um conjunto de princípios que estão plasmados nos seus códigos: a obediência cega, sem questionar, a humilhação, a falta de humanidade, o conformismo.
Esta tragédia foi a “gota de água”. Percebemos que é preciso combater estas práticas, quando há tantas formas de integração que não passam por praxe. Somos um conjunto de estudantes universitários. Falamos por nós, mas sabemos que muitos colegas se remetem ao silêncio por medo, por serem coagidos ou por falta de informação. É também para quebrar esse silêncio que aqui estamos. E para apoiar todos os nossos colegas que queiram denunciar práticas de abuso. Iremos até às últimas consequências.

http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT72396

publicado por contracorrente às 23:26
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Boa Noite

A praxe é vivida, sentida por quem tem vontade de a viver, por quem a sente.
Humilhadas?! Nunca ninguém o foi na "minha" faculdade?! Besta?! Fui chamada muitas vezes e então?! Continuo aqui, a viver a minha vida.
Valores?! Aprendi muito, cresci muito e sobretudo fiz grandes amizades na PRAXE ( lá está, a tal questão da integração).
Antes da praxe sabia distinguir o que era certo e errado, o que era humilhante...porque tive alguém que me soube ensinar isso desde criança, a minha família.
Sou a favor das praxes, no entanto, sou contra a falta de caráter de algumas pessoas, de alguns doutores que nem sequer o traje deviam usar. E aqui, refiro-me aos incidentes que aconteceram, que causaram danos irreparáveis nas vidas de alguns caloiros ( não estou a falar do meco, porque isso é um caso à parte).
Por último, humilhante é o estado curtar nas bolsas de estudo, aumentar as propinas e ser hipócrita, isso sim, É HUMILHANTE!
Andreia a 7 de Fevereiro de 2014 às 00:18

Bolsas de estudo, propinas, humilhante? Recomendo-lhe a ilustração de Luís Afonso (post 04.02.2014).
contracorrente a 7 de Fevereiro de 2014 às 02:47

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