Lei n.º 62/2007, art. 75.º n.º 4 b) - Constituem infracção disciplinar dos estudantes: A prática de actos de violência ou coacção física ou psicológica sobre outros estudantes, designadamente no quadro das «praxes académicas».

11
Mar 17

Acima da lei e do Código Civil, está o Código da Praxe.

Embora Jesus diga, sem prova, o contrário.

 

“Terminar com a praxe? Temos é de cumprir as leis do nosso país”
http://www.diariocoimbra.pt/noticia/16678

Código da praxe de Coimbra foi redigido há 60 anos... e quase nada mudou
http://www.tsf.pt/sociedade/educacao/interior/codigo-da-praxe-de-coimbra-foi-redigido-ha-60-anos-e-90-da-sua-base-mantem-se-5717095.html

Código da praxe de Coimbra foi redigido há 60 anos e 90% da sua base mantém-se
https://www.publico.pt/2017/03/10/sociedade/noticia/codigo-da-praxe-de-coimbra-foi-redigido-ha-60-anos-e-90-da-sua-base-mantemse-1764758

publicado por contracorrente às 17:16

07
Mar 17

Se dúvidas houvesse, de quem está acima da lei...

O presidente da Associação Académica de Coimbra (AAC) disse ontem que não vê «com bons olhos» a intromissão das instituições de ensino superior e do Governo na integração dos estudantes, e criticou a tentativa de se «policiar» a praxe. «Não vejo com bons olhos a intromissão das instituições de ensino superior na integração dos estudantes, no sentido de policiar a actividade estudantil. Não é benéfico e é infrutífero», afirmou o presidente da AAC, Alexandre Amado.

http://www.diariocoimbra.pt/noticia/16550

 

Praxes de nojo, de castigo... e músicas que não podem estar neste título

Os dois sítios "onde os rituais de punição e castigo são levados mais a sério são Coimbra e Covilhã".
http://www.tsf.pt/sociedade/educacao/interior/praxes-de-nojo-de-castigo-e-musicas-que-nao-podem-estar-neste-titulo-5707175.html

publicado por contracorrente às 22:08

12
Jan 17

A mais recente actualização do Código da Praxe dos estudantes da Universidade de Coimbra acaba com as dúvidas: o exercício da praxe é totalmente proibido dentro das faculdades. Aliás, conforme consta do artigo 77.º, «debaixo de tecto só pode exercer-se praxe em repúblicas o?cializadas, casas comunitárias reconhecidas pelo Conselho de Veteranos e na sede da Associação Académica». «Já havia restrições, mas, agora, isso foi esclarecido de modo a que não haja dúvidas», explica João Luís Jesus, dux veteranorum.

http://www.diariocoimbra.pt/noticia/14447

publicado por contracorrente às 18:39

15
Set 16

Que precisam de fazer escola. Servir de exemplo.

 

O combate tem que ser de natureza cultural, de mudança de mentalidade
Camilo Soldado, 15/09/2016 - 09:32

https://www.publico.pt/sociedade/noticia/o-combate-tem-que-ser-de-natureza-cultural-de-mudanca-de-mentalidade-1744140#
Três perguntas a Miguel Cardina [investigador do Centro de Estudos Sociais]

 

Quando a alternativa parte dos estudantes
Camilo Soldado, 15/09/2016 - 09:33
https://www.publico.pt/sociedade/noticia/quando-a-alternativa-parte-dos-estudantes-1744143
Em Lisboa é o primeiro ano, em Coimbra já vai na terceira edição. Grupos de estudantes organizam-se para receber os novos colegas sem hierarquias.
Em Coimbra e Lisboa, estudantes criaram alternativas à praxe e ajudam a integrar os novos alunos

o Cria’ctividade apresenta em Coimbra um programa com actividades culturais, desportivas e debates para evitar “o monopólio” da praxe.

https://www.facebook.com/coimbracriactiva

Na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa surgiu este ano um projecto semelhante ao de Coimbra. O AlternAtiva está a ajudar a integrar os novos estudantes pela primeira vez e define-se como “uma alternativa à praxe”

https://www.facebook.com/mov.altern.ativa2016/

https://www.facebook.com/AlternAtivaFMV

 

Apresentada a Praxe+, que propõe a integração dos alunos com ciência e cultura
http://www.dn.pt/portugal/interior/apresentada-apraxe-que-propoe-a-integracao-dos-alunos-com-ciencia-e-cultura-5388410.html
O programa pretende apoiar a integração dos novos alunos no ensino superior com ciência e cultura para respeitar a autonomia pessoal e desenvolver o sentido crítico dos estudantes

 

PRAXE + VAI INTEGRAR ALUNOS COM CIÊNCIA E CULTURA

http://informacao.canalsuperior.pt/noticia/21015#anchor

Ontem, foi apresentado o novo programa da Ciência Viva para a integração dos novos estudantes universitários. O Praxe + quer promover a cultura científica.

publicado por contracorrente às 13:19

13
Jul 16

Se o ridículo matasse há muito tempo que as  pragas estavam extintas.

Antes fosse o seu estertor, mas não. A voz das pragas aqui expressa no seu esplendor.

O comunicado merece uma atenta leitura.


JSD chocada com declarações do Ministro do Ensino Superior
por Notícias de Coimbra,  Julho 12, 2016
A Comissão Política Distrital da JSD Coimbra  afirma que “ficou em choque com as declarações proferidas pelo Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, que disse repudiar totalmente as praxes académicas

Veja o comunicado da distrital de Coimbra da JSD liderada por João Paulo Oliveira:

http://www.noticiasdecoimbra.pt/jsd-chocada-declaracoes-do-ministro-do-ensino-superior/

 

Actualizada, com notícia de 14 de Setembro de 2016:

Vale a pena ler este comunicado, uma pérola. E ver ao que se chegou, um Outdoor para defender as praxes! Fantástica ocupação de uma Jota partidária.

http://www.noticiasdecoimbra.pt/laranjinhas-dizem-praxe-nao-praga/

Alguns excertos:

A praxe académica foi uma arma política contra o Estado Novo em Portugal e essencial para a construção de condições para o 25 de Abril. A sua reposição, depois do PREC (processo revolucionário em curso) na década de setenta, foi uma manifestação da liberdade conquistada.
A praxe académica de Coimbra é, e deve continuar a ser, sinónimo e hino à liberdade e ao regime democrático.
A praxe é, para além de marca característica desta cidade e da região, fonte de inspiração e de liberdade, uma prática com efeitos económicos e turísticos importantíssimos para Coimbra,
“Praxe não é praga. Praxe é Coimbra” e no qual enaltecemos as suas vantagens e apelamos à denúncia dos seus abusos.
Perante esta realidade, não nos resta alternativa a pedir a demissão do Ministro do Ensino Superior, o que fazemos simbolicamente através da colocação deste Outdoor na cidade de Coimbra onde afirmamos que “Praxe não é praga. Praxe é Coimbra” e no qual enaltecemos as suas vantagens e apelamos à denúncia dos seus abusos.

 

À data são estes os Orgãos Distritais da JSD de Coimbra :

http://www.distritalcoimbra.jsd.pt/menu/526/orgaos-regionais.aspx

    Comissão Politica
    Presidente
        João Paulo Oliveira
    Vice-Presidentes
        Francisco Leal
        Lídia Pereira
        Ana Maria Alves
        Vítor Silva
    Secretário-Geral
        José Miguel Ferreira
    Vogais
        André Feiteira
        Luís Alcaide
        Beatriz Sêco
        Manuel Catarino
        Hugo Valente
        Nuno Carvalho
        Carlos Gomes
        Nuno Lopes
        Inês Santos
    Secretário-Geral Adjunto
        João Izidoro
        José Miguel Simões

publicado por contracorrente às 02:07

12
Dez 13

 

"Há alunos que faltam às aulas porque estão na praxe e outros que não vão porque têm medo de ir à praxe", afirmou Catarina Martins, à margem do debate "Sexismo e violência(s) na praxe académica", que se realizou no Teatro da Cerca de São Bernardo.

A coação na praxe é "fortíssima", sendo que esta prática potencia "o conservadorismo, a obediência cega e reproduz modelos de autoridades dominantes. É o poder pelo poder"

 

"A Universidade de Coimbra deveria proibir a praxe, na medida em que é violadora dos direitos a uma boa formação dos alunos", porque estes, segundo Catarina Martins, "são atemorizados".


A antropóloga Cátia Melo, outra das oradoras do debate organizado pela União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR), criticou o facto de a praxe - "uma prática em que o preconceito e a discriminação são exponenciados"


A também membro do núcleo de Coimbra da UMAR considerou que há "assédio sexual", no decorrer da praxe, e que a linguagem usada em canções e palavras de ordem é "extremamente violenta contra a mulher".

 

http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=3581203&referrer=FooterOJ

 

https://pt-br.facebook.com/events/642331739162649/?ref=22

 

http://weblog.aescoladanoite.pt/?tag=sexismo-e-violencias-na-praxe-academica

publicado por contracorrente às 13:45

01
Mar 13

O Conselho de Veteranos da Universidade de Coimbra actualizou o código de praxe, que passa a proibir expressamente a praxe dos caloiros durante o seu horário de aulas, a pintura dos novatos e qualquer forma de violência sobre eles, explica João Luís Jesus, dux veteranorum (responsável pelo Conselho de Veteranos, com 23 matrículas na universidade).

http://www.publico.pt/sociedade/noticia/veteranos-apertam-regras-da-praxe-na-universidade-de-coimbra-1586283

publicado por contracorrente às 17:10

31
Mai 12

O dito CVUC - Conselho de Veteranos da Universidade de Coimbra - decreta a "supensão da praxe durante os próximos três e quatro períodos".

A bem dizer: o CVUC sacode a água do capote pela autoria moral da clara e explícita "Praxe de Gozo e de Mobilização".

Arriscar-se-ia a sentar-se no banco dos réus. Assim, no reino dos brandos costumes, quem tem capa sempre escapa.

 

Conselho de Veteranos de Coimbra suspende oito estudantes por causa de praxes
30.05.2012 - 12:47 Por João d´Espiney
Oito estudantes da Universidade de Coimbra (UC) foram suspensos do exercício da praxe durante os próximos três e quatro períodos, consoante os casos.

http://publico.pt/Educa%C3%A7%C3%A3o/conselho-de-veteranos-suspende-oito-estudantes--1548198

publicado por contracorrente às 01:50

20
Abr 12

Pano para Mangas: cortar a direito.

por João Gobern

18.04.2012

 

http://www.rtp.pt/programas-rtp/index.php?p_id=2587&c_id=1&dif=radio&idpod_audio=110180&idpod=

publicado por contracorrente às 07:55

16
Abr 12

Vamos esperar para ver. Se a intenção se converte em acto.

É um bom princípio, vamos aguardar que tenha consequências e um bom fim.

 

Reitor de Coimbra rejeita violência nas praxes

O reitor da Universidade de Coimbra, João Gabriel Silva, considera “completamente inaceitável qualquer tipo de violência” na praxe académica, com os docentes a defenderem a criação de um gabinete de apoio aos alunos visados.
“Os relatos que tenho visto são no sentido de ter havido actos de violência”, lamenta o reitor, numa alusão a queixas de alunos, que levaram o Conselho de Veteranos a abrir um inquérito e a suspender, “por tempo indeterminado”, a chamada Praxe de Gozo e de Mobilização, ou seja, a interação dos “doutores” com os caloiros.

O dux veteranorum entende que participar na praxe implica “civismo, juízo e educação, exige uma postura de cavalheiros, no sentido figurado”.
http://publico.pt/Educa%C3%A7%C3%A3o/reitor-de-coimbra-rejeita-violencia-nas-praxes-1542306

publicado por contracorrente às 23:58

01
Abr 12

Docentes de Letras fazem petição para interditar praxe académica indigna em Coimbra
01.04.2012 - 19:20 Por PÚBLICO, Lusa

Um grupo de docentes da Faculdade de Letras de Coimbra pôs, neste domingo, a circular entre os colegas um abaixo-assinado a solicitar aos órgãos da universidade a interdição de certas formas de praxe académica que consideram indignas.
Catarina Martins, uma das promotoras do abaixo-assinado, disse à Lusa que tais práticas, dentro e fora das instalações da faculdade, põem em causa a imagem da instituição, e são atentatórias “ao que deve ser a universidade e a sua função”, de educação para a cidadania, promoção dos direitos individuais, do saber e do sentido crítico.
Afirma que os docentes promotores do documento entendem que “não podem continuar a ficar passivos face à passividade dos órgãos responsáveis”.
Invasões de aulas por grupos de alunos de outras faculdades, cânticos obscenos envolvendo o nome de docentes e “coacção violenta a alunos”, gravadas em vídeo de forma ilegal, são alguns dos comportamentos que identifica e censura.

 

http://publico.pt/Sociedade/docentes-de-letras-fazem-peticao-para-interditar-praxe-academica-indigna-em-coimbra-1540325

publicado por contracorrente às 21:57
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31
Mar 12

Violência
Praxe suspensa em Coimbra após agressões a duas alunas
31.03.2012 - 17:51 Por PÚBLICO

As duas “caloiras” do curso de Psicologia foram esbofeteadas e cabeceadas por um aluno mais velho, que conduzia uma praxe na madrugada de quinta-feira da semana passada, escreve o Jornal de Notícias. Segundo as testemunhas anónimas citadas pelo diário, as alunas recusaram-se a participar, devido à hora avançada, o que não foi aceite. De seguida, o colega tê-las-á obrigado a assinar um documento que as impediria de participar em futuras actividades académicas.

A violência usada pelo aluno mais velho levou as duas “caloiras” ao hospital, para receber cuidados médicos, e depois à apresentação de uma queixa formal na polícia contra o agressor. As jovens, que foram ainda examinadas no Instituto de Medicina Legal, pretendem levar o caso a tribunal.

http://publico.pt/Sociedade/atitudes-desviantes-conduzem-a-suspensao-da-praxe-academica-em-coimbra-1540221#Comentarios

 
Praxe suspensa em Coimbra devido à agressão violenta a duas alunas

http://www.jn.pt/PaginaInicial/Sociedade/Educacao/Interior.aspx?content_id=2395540&page=-1

publicado por contracorrente às 23:06

01
Nov 09

O Conselho de Veteranos (CV) de Coimbra, que zela pela aplicação da praxe como meio de integrar os caloiros na academia, rejeita todas as práticas ilegais que “ultrapassem os limites”.

 

O dux veteranorum João Luís de Jesus, que presidente ao CV, disse à agência Lusa que este órgão rejeita “tudo o que ultrapasse o limite do bom-senso e da integridade física e psicológica” dos estudantes recém-chegados à Universidade de Coimbra (UC).
No entanto, segundo o dux, a praxe “não serve apenas para dar as boas-vindas aos caloiros” e proporcionar-lhes “uma boa integração” na comunidade universitária e na cidade.
“A praxe é uma mostra da evolução das tradições dos estudantes e da universidade”, visando também “manter um espírito muito próprio numa comunidade muito única”, refere.
Em 1957, face ao aumento acentuado do número de estudantes nas diferentes faculdades da UC - de escassos milhares antes da II Guerra Mundial para os actuais 22 mil -, as normas da praxe foram reunidas no Código da Praxe, sujeito depois a várias revisões, a última das quais em 2007.
“O código deve ser interpretado como uma orientação de como deve ser vivida a praxe”, salienta João Luís, que está a concluir o mestrado integrado de Engenharia Electrotécnica de Computadores.
Chefe dos universitários veteranos, João Luís realça que a actual praxe, em Coimbra, reflecte um conjunto de “tradições muito próprias”, a que se foi juntando “aquilo que os estudantes foram inventando em termos de brincadeiras” ao longo dos tempos.
“Tudo o que se possa imaginar em termos de relações interpessoais” na mais antiga universidade de Portugal e uma das mais antigas da Europa, adianta.
O dux veteranorum sublinha que a praxe serve ainda “para fazer perceber aos caloiros que estudam na Universidade de Coimbra, que tem uma mística, e não noutro sítio qualquer”.
“Aqui, felizmente, não existem casos extremos como noutros sítios”, congratula-se, explicando que em Coimbra as regras da praxe tiveram uma evolução e “não foram inventadas do nada”, o que contrasta com instituições de ensino superior de criação mais recente.
Eventuais práticas violentas dos doutores (alunos que têm pelo menos duas matrículas) sobre os caloiros “devem ser tratadas nos tribunais”, frisa.
“Isso não é praxe, é falta de juízo e de civismo das pessoas”, classifica.
Em 2008 e 2009, o Conselho de Veteranos não registou qualquer queixa devido à praxe.
Segundo o dux, nos anos anteriores, a maioria das queixas eram “relacionadas com má interpretação das regras” e foram sancionadas à luz do Código da Praxe.
“Nestes anos, na Universidade de Coimbra, não me recordo de queixas devido à praxe”, confirma o presidente da Associação Académica (AAC), Jorge Serrote.
Já as actividades de cariz solidário, que têm marcado algumas recepções aos caloiros, não são reconhecidas em Coimbra como praxe.

 

http://publico.pt/Educa%C3%A7%C3%A3o/veteranos-de-coimbra-rejeitam-praxes-que-ultrapassem-os-limites_1407762

publicado por contracorrente às 20:36

09
Mai 08

Sexta-feira, 9 de Maio de 2008

 

Minha crónica do "Público" de hoje:

E eles, Pimba!


A tradição já não é o que era. Pela primeira vez em muitos anos o cortejo dos quartanistas da Queima das Fitas de Coimbra realizou-se num domingo e não numa terça-feira. Para manter a tradição, um grupo de descontentes decidiu desfilar não só no domingo, mas também na terça-feira, depois de terem tentado invadir algumas escolas básicas da cidade.

A quebra de tradição, que segundo o Dux Veteranorum, foi ditada pelo Acordo de Bolonha que agora rege o ensino superior europeu, não se ficou por aí. Está tudo trocado. A serenata monumental foi adiada de um dia e a missa com bênção das pastas passou para o final de tudo. Mas a mudança foi ainda mais radical: na “noite do parque” de domingo, que agora não é no parque mas no “queimódromo”, pela primeira vez em 22 anos, o espectáculo não foi do inefável Quim Barreiros, mas sim de José Malhoa. Apesar de haver descontentes (Queima sem Quim não é Queima), dentro do género pimba, foi troca por troca. Em vez do Chupa Teresa cantou-se e dançou-se o Baile de Verão (A lua estava a sorrir / A tua boca a pedir / E toda a aldeia também / A querer nos ver acertar.) Houve gritos a pedir casamento: Zé dá-me a tua filha. A cerveja é que continua a ser da mesma marca que nos outros anos.

O Porto tem feito tudo para imitar Coimbra. Também tem um Dux Veteranorum, “noites do parque”, um “queimódromo” e um acordo com uma marca de cervejas (a mesma de Coimbra). Mas não a imitou nas mudanças deste ano. No Norte, a tradição ainda é o que era, com a missa antes do cortejo de terça-feira e com Quim Barreiros depois. Em Lisboa, que tem mais escolas superiores, a Semana Académica é talvez menos intensa, tendo sido desterrada para os arredores. E há outras queimas, com esse ou outros nomes, em todas as cidades com universidades ou politécnicos. Eles, nesta altura do ano, pimba!

Por mim, que estudei num tempo em que as praxes estavam interrompidas, confesso que estes festivais de berraria não me dizem muito. Mas, embora incomodado pelos decibéis do Baile de Verão que me entram pela janela (por isso é que sei a letra do baile), acho bem que os jovens se divirtam nesta época do ano, desde que não exagerem nos exageros. Trata-se não só de uma praxe juvenil como de uma festa familiar: os filhos bêbedos e os pais babados (ao contrário seria pior).

Há, todavia, nas praxes académicas coisas que não acho nada bem. Está em tribunal o caso de uma aluna da Escola Agrária de Santarém que foi besuntada com excrementos de suíno e, depois de ter sido vítima de sevícias sexuais, pendurada, de cabeça para baixo, em cima de um penico. Não acho bem que o julgamento, com sentença prevista para fins de Maio, tenha demorado cinco anos. E também não acho bem que o Ministério Público só tenha pedido uma “pena simbólica” para os seis energúmenos. Este é apenas um exemplo, porque há mais. Um caso de outra praxe violenta e sexista em Macedo de Cavaleiros terminou em Março passado com a absolvição. Em Dezembro último um estudante da Escola Agrária de Coimbra ficou paraplégico numa praxe ao escorregar sobre uma vala com bosta (não sei se haverá julgamento). O ministro bem poderia imitar D. João V na morte de um caloiro: Hey por bem e mando que todo e qualquer estudante que por obra ou palavra ofender a outro com o pretexto de novato, ainda que seja levemente, lhe sejam riscados os cursos.

E não posso aprovar – até porque é anticonstitucional – a discriminação de que as mulheres são vítimas nos códigos da praxe. O Dux Veteranorum de Coimbra declarou que elas não podiam usar colete no traje académico, ficando essa peça reservada aos homens. Por seu lado, e na mesma linha, o Dux do Porto defendeu que os fados e as serenatas são coisas de homens. Segundo ele, a interpretação do fado académico pelas mulheres seria inverter os papéis do macho e da fêmea, se as fêmeas fossem fazer serenatas aos homens onde é que íamos chegar? Parece que há mulheres que aceitam este tipo de restrições. Eu, se fosse mulher, revoltava-me. Mas não sou e revolto-me na mesma.

 

Carlos Fiolhais

http://dererummundi.blogspot.com/2008/05/e-eles-pimba.html

 

publicado por contracorrente às 00:07

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