Lei n.º 62/2007, art. 75.º n.º 4 b) - Constituem infracção disciplinar dos estudantes: A prática de actos de violência ou coacção física ou psicológica sobre outros estudantes, designadamente no quadro das «praxes académicas».

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Out 14

... para não dizermos outra coisa!

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Jornal Público, 7 de Outubro de 2014

por Francisco Louçã    
Oito estudantes dedicaram-se a uma praxe luminosa: numa minúscula piscina de plástico, com a palavra “Meco” escrita nas bordas, simulavam um mergulho ou, na falta dele, molhavam os pés. São do curso de Engenharia Electrónica do Politécnico de Leiria e, manda a verdade, o facto foi logo repudiado pela direcção da escola e pela associação de estudantes, como deviam. Mas aconteceu, como pode ver na imagem.

No entanto, a imagem engana. Olhe para ela. Vemos os oito estudantes, ar pateta, agarrados uns aos outros, pés na água, a serem gozados a gozar com as vítimas do Meco. Mas não vemos quem os mandou, quem inventou a praxe e quem assistiu ao espectáculo. Vemos a praxe e os praxados mas não vemos os praxistas.

O problema das praxes, sinistras ou simplesmente humilhantes, só se resolve quando olharmos para os praxistas (um extraordinário documentário recente, de Bruno Moraes Cabral, fá-lo pela primeira vez). A cara dos que inventam ignomínias como esta. Os que acham que estas praxes inofensivas não ofendem. Os que acham que é divertido gozar com os mortos, insultar as suas famílias e exibir a boçalidade da brincadeira. Mostrar quem são os praxistas é a condição para que a sociedade saiba do que falamos quando falamos da tragédia do Meco ou da brincadeira de Leiria.

http://blogues.publico.pt/tudomenoseconomia/2014/10/07/foram-mesmo-so-oito-os-que-trocaram-das-vitimas-do-meco/

publicado por contracorrente às 13:39

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