Lei n.º 62/2007, art. 75.º n.º 4 b) - Constituem infracção disciplinar dos estudantes: A prática de actos de violência ou coacção física ou psicológica sobre outros estudantes, designadamente no quadro das «praxes académicas».

24
Set 16

Salvo seja.

Não é preciso ir a Braga ou Bragança, para ver que as boas recomendações do Ministro da Ciência e Ensino Superior, Manuel Heitor, são tábua rasa. E de como as boas intenções superiores são, criminalmente no caso, ignoradas pelas bases.

Mérito não tira a quem tem boa intenção, bem pelo contrário. Mas antes nos faz questionar sobre os valores de um grupo de estudantes, apesar de tudo minoritário, que toma de assalto o início de ano das academias.

 

O praxódromo de Lisboa é o jardim do Campo Grande
http://www.dn.pt/sociedade/interior/o-praxodromo-de-lisboa-e-o-jardim-do-campo-grande-5405838.html

Rute Coelho, 24 DE SETEMBRO DE 2016, 01:35

Com a Cidade Universitária de um lado, a Universidade Lusófona do outro e ainda a proximidade de outras universidades, como o ISCTE, o Jardim do Campo Grande, em Lisboa, é por estes dias de arranque do ano escolar um gigantesco praxódromo.
[...] indiferentes aos apelos do Governo para se combaterem as praxes que humilham.

"Vão ser batizados aqui com a água do lago", explicava ao DN João Antão, de 19 anos, membro da comissão de praxes do curso de Engenharia de Telecomunicações e Informática (ETI) do ISCTE.

Entre gargalhadas, palmas, saltos e gritos de "ETI", João Antão e João Cardoso lá vinham garantir em apartes que "as praxes do ISCTE não têm má fama" e "os caloiros não são obrigados a nada".

No Jardim do Campo Grande tem-se logo uma ideia dessa dimensão. Um grupo de raparigas do curso de Direito da Universidade Clássica de Lisboa descansava na relva com uns copos de cerveja comprados a 50 cêntimos cada, antes das tradicionais praxes que iam fazer aos caloiros. Beatriz Pires, do 3º ano de Direito, serviu de porta-voz do grupo: "Vamos para o Rossio batizar os caloiros na fonte."

publicado por contracorrente às 05:57

15
Set 16

Que precisam de fazer escola. Servir de exemplo.

 

O combate tem que ser de natureza cultural, de mudança de mentalidade
Camilo Soldado, 15/09/2016 - 09:32

https://www.publico.pt/sociedade/noticia/o-combate-tem-que-ser-de-natureza-cultural-de-mudanca-de-mentalidade-1744140#
Três perguntas a Miguel Cardina [investigador do Centro de Estudos Sociais]

 

Quando a alternativa parte dos estudantes
Camilo Soldado, 15/09/2016 - 09:33
https://www.publico.pt/sociedade/noticia/quando-a-alternativa-parte-dos-estudantes-1744143
Em Lisboa é o primeiro ano, em Coimbra já vai na terceira edição. Grupos de estudantes organizam-se para receber os novos colegas sem hierarquias.
Em Coimbra e Lisboa, estudantes criaram alternativas à praxe e ajudam a integrar os novos alunos

o Cria’ctividade apresenta em Coimbra um programa com actividades culturais, desportivas e debates para evitar “o monopólio” da praxe.

https://www.facebook.com/coimbracriactiva

Na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa surgiu este ano um projecto semelhante ao de Coimbra. O AlternAtiva está a ajudar a integrar os novos estudantes pela primeira vez e define-se como “uma alternativa à praxe”

https://www.facebook.com/mov.altern.ativa2016/

https://www.facebook.com/AlternAtivaFMV

 

Apresentada a Praxe+, que propõe a integração dos alunos com ciência e cultura
http://www.dn.pt/portugal/interior/apresentada-apraxe-que-propoe-a-integracao-dos-alunos-com-ciencia-e-cultura-5388410.html
O programa pretende apoiar a integração dos novos alunos no ensino superior com ciência e cultura para respeitar a autonomia pessoal e desenvolver o sentido crítico dos estudantes

 

PRAXE + VAI INTEGRAR ALUNOS COM CIÊNCIA E CULTURA

http://informacao.canalsuperior.pt/noticia/21015#anchor

Ontem, foi apresentado o novo programa da Ciência Viva para a integração dos novos estudantes universitários. O Praxe + quer promover a cultura científica.

publicado por contracorrente às 13:19

24
Abr 14

Final do ano lectivo e os rituais do "amouxa" perduram.

Quem sabe se não lhes serão úteis na vida futura?

 

Cantando Sérgio Godinho:

"não protestes / não desfiles / não contestes / não refiles"

 

A 23 de Abril de 2014, 22h30. Rossio, Lisboa

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por contracorrente às 01:27
tags:

24
Set 12

Actividades "superiores" de integração. Em Lisboa, em Bragança ou em qualquer outro ponto do país.
Com primazia sobre as aulas e final previsto, mas não garantido, em Maio. Para retomarem no ano seguinte, em que (alguns) dos humilhados de agora passam a humilhadores.

praxes_fotos_bb.jpg

publicado por contracorrente às 00:58

31
Mar 12

Estamos quase em Abril e o ritual das praxes não dá tréguas.

Cabe perguntar, quando começará o ano lectivo?

Esta semana no Largo Camões em Lisboa:

Praxes no Largo Camões
publicado por contracorrente às 23:19
tags:

09
Out 08

 

fui almoçar e antes e depos de ir observei que uma das "brincadeiras para promover a amizade" é meter 1 miúda sentada no chão e rodeá-la por uns 10 batmans a gritar umas merdas quaisquer.

 

Do blog do M.A.T.A.

 

http://blogdomata.blogspot.com/2008/10/sempre-bom-quando-os-amigos-partilham.html

 

publicado por contracorrente às 22:25

23
Set 08
Reacção ao comunicado de Carlos Matos Ferreira

Associação de Estudantes do Técnico considera "precipitada" decisão de proibir praxes 

22.09.2008 - 18h12 Ana Margarida Pereira
O presidente da Associação de Estudantes do Instituto Superior Técnico de Lisboa, Jean Barroca, considera "precipitada" a decisão do presidente do IST, Carlos Matos Ferreira, de proibir as praxes académicas dentro dos recintos daquela instituição de ensino. Na sexta-feira, Matos Ferreira divulgou um comunicado no site do IST a proibir qualquer actividade ligada às praxes, uma decisão que surge em reacção ao aviso enviado aos reitores pelo Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Mariano Gago, a 10 de Setembro.

Matos Ferreira não reconhece "legitimidade a qualquer comissão de praxe” e proíbe "a prática de praxes académicas nos campus da Alameda e do Tagus Park, qualquer que seja a forma como são organizadas”.

Contactado pelo PÚBLICO, o presidente da associação de estudantes do IST, Jean Barroca, sublinha que esta é uma decisão da direcção do Instituto com a qual não concorda: “Não concordamos com a interpretação feita pelo presidente Calos Matos Ferreira ao comunicado do ministro Mariano Gago”.

Segundo o estudante do 3º ano de Engenharia Electrotécnica, o ministro “não fez a proibição da praxe, apenas o apelo para haver regulação e mais controlo”.

Para Barroca trata-se de uma decisão “precipitada” do presidente do IST em reacção a "um acto político do ministro". No comunicado o ministro "não responsabiliza as instituições, pretende responsabilizar os próprios alunos”, acrescenta. Contudo, a associação faz questão de frisar que está de acordo com a chamada de atenção feita pelo ministro.

Jean Barroca sublinha ainda que no Técnico nunca houve historial de violência, nem nunca foi “apanágio qualquer tipo de violência nas praxes”. E acrescenta que a praxe no Técnico não dura mais de uma semana, até porque ”o nível de trabalho começa a aumentar”.

Barroca acredita que “não é de um dia para o outro" que se consegue acabar com uma tradição deste género. “São os próprios caloiros que se dirigem aos mais velhos a perguntar o que lhes vão fazer e vão até à associação de estudantes para saberem mais”.

Comissão de praxe
A Comissão de Praxe é o organismo que dentro do IST organiza as praxes. João Jesus faz parte da Comissão, e considera também “despropositada” a leitura feita da carta de Mariano Gago às faculdades. O estudante do mestrado em Engenharia Civil garante que “estão a ser tomadas medidas com toda a organização para o decorrer normal e sereno das praxes”.

Antes deste anúncio estavam planeadas dentro do campus "algumas actividades que foram alteradas". O que vai ser feito acontecerá fora do campus”, esclarece Jesus. O estudante reforça que a participação das praxes no IST por parte dos caloiros é sempre voluntária.

O líder da associação de estudantes, Jean Barroca acrescenta que “fora dos muros ninguém controla” e adianta que as praxes têm sido agora “mais contidas e reguladas”.
Comentários dos leitores:
Blog Mataternos: aplaude a decisão.
publicado por contracorrente às 13:33

20
Set 08

Por fim alguém ousa quebrar o tabú. Na verdade quando o Ministro do Ensino Superior avisa que punirá os prevaricadores deveria dirigir o seu discurso para os cúmplices por omissão.

Os Presidentes dos Politécnicos e Universidades têm na mão, como agora se vê, tomar uma atitude que dignifique o espaço público que gerem.

 

Será assim tão difícil?

 

Cremos que não. Como o demonstra a atitude exemplar do Presidento do Instituto Superior Técnico, Carlos Matos Ferreira. E que faz justiça à escola de que provém o ministro.

 

----------------------

Comunicado do Presidente sobre praxes académicas no IST

 

Na sequência da carta enviada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior dirigida ao Presidente do Conselho de Reitores no passado dia 10 de Setembro, repudiando de forma veemente a prática das praxes académicas infligidas aos estudantes que ingressam no Ensino Superior, e dando conta da intenção de responsabilizar civil e criminalmente, por acção e por omissão, os órgãos próprios da instituição sempre que se demonstre a existência de práticas ofensivas para os estudantes, fica decidido:

  1. Não reconhecer legitimidade a qualquer auto-denominada comissão de praxe, proibindo as actividades que neste momento lhes estão associadas nos campi da Alameda e do Taguspark;
  2. Proibir a prática de praxes académicas nos campi da Alameda e do Taguspark, qualquer que seja a forma como são organizadas.

Qualquer violação a esta directiva deverá ser comunicada ao Conselho Directivo da Escola, que agirá em conformidade, não estando excluída a possibilidade de abertura de um processo disciplinar ao(s) elemento(s) prevaricador(es).

Carlos Matos Ferreira
Presidente do IST
 

 

http://www.ist.utl.pt/en/information.php?boardId=28368&language=en&archive=true

 

publicado por contracorrente às 13:23
tags: ,

17
Set 08
Faculdade de Medicina de Lisboa
Praxe em Medicina

 

 

17.09.2008 - 16h56 Nicolau Ferreira
Se tudo correr bem, dia 1 de Outubro à tarde, os alunos do primeiro ano da Faculdade de Medicina de Lisboa vão andar pelo Rossio a angariar dadores de medula óssea.A ideia foi “extremamente bem aceite por todos os órgãos, eu sei que as associações de estudantes têm actividades sociais parecidas, mas nunca ninguém se lembrou de as integrar na praxe”, explica o finalista.

Contudo, os alunos que chegam pela primeira vez à Faculdade vão continuar a viver todas as actividades tradicionais. “Vai haver pinturas, cânticos, jantares, pedipapers por Lisboa”, diz Diogo Martins, que vê na praxe uma óptima forma de integrar os alunos e apresentar a cidade a quem vem de fora.

Esta angariação de medula também é uma tentativa de mudança de mentalidade para quem olha para as praxes como uma forma de humilhar. Diogo Martins ficaria feliz se “a mensagem fosse bem recebida pelas outras faculdades e se tornasse num hábito”.
Na semana passada o ministro da Ciência e do Ensino Superior, José Mariano Gago, anunciou que será dado conhecimento ao Ministério Público de qualquer "prática de ilícito" nas praxes. E que vai responsabilizar quem não evitar danos que venham a ocorrer. Apesar de em Lisboa não haver uma grande tradição de praxe e nunca ter assistido a algo que fosse considerado humilhante, Diogo Martins tem dúvidas sobre os resultados desta ameaça: “Não sei até que ponto é que se consegue responsabilizar as pessoas".
****************************************
Comentários dos leitores do Público:
17.09.2008 - 20h39 - António Paiva, Braga-Portigal
Até que enfim, os velhos que se arrastam pelas Faculdades,compreenderam (por enquanto), que praxar, não é humilhar nem ofender, nem exercer vingança por já ter sido ppraxado.As praxes deviam ser proibidas, e substituidas por acções desta natureza. A maior parte dos estudantes que praxam. são pessoas frustadas, sem principios, e que aproveitam essa oportunidade para descarregar todo o ódio que lhes queima as entranhas.

17.09.2008 - 19h58 - H. Rodrigues, Aveiro
Um bom exemplo a seguir este da Faculdade de Medicina da UL! Como antigo estudante da Universidade do Porto, estou totalmente convicto da complacência de Professores e Reitores relativamente aos abusos e absurdo da praxe, que em nada tem dignificado as universidades! E é inacreditável que muitos destes abusos sejam cometidos dentro das portas das faculdades! a indiferença face ao que tem acontecido nos últimos anos, humilha as universidades e mancha a sua reputação! Oxalá que este ano vejamos, FINALMENTE, consequências para os prevaricadores!

 

17.09.2008 - 19h30 - manelovski, figueira da foz
Praxe é humilhação e sevícia dos mais velhos aos mais novos! Com a cobertura da "praxe" cometem-se autênticos atentados à dignidade dos caloiros, e de forma ilegal. Só a cobardia dos Reitores e dos Professores pode explicar que continue a praticar-se a "praxe" nas universidades portuguesas. E claro que se não existisse cumplicidade da procuradoria da república a praxe já tinha acabado! Vergonha!

 

17.09.2008 - 18h59 - Anónimo, Praxe dos Tarados que precisam de ser internados
A praxe faz parte das necessidades que o Ser Humano (ainda na sua infância e por isso, primitivo) possui. É por isso que é usada para rebaixar o outro, humilhando-o e tornando-o alvo de ressentimentos anteriores e recalcados. Esta situação de praxe, é louvável, uma vez que, normalmente, estes rituais tribalistas que as elites tanto gostam e veneram, consistem em métodos que são usados por muitos ditadores para obter informação, a chamada tortura. Parece que o Ser Humano está a evoluir.

17.09.2008 - 18h50 - FAR, Melgaço
E se fossem os praxantes os primeiros a dar, para dar o exemplo. Ou preferem brincar às caridadezinhas?

 

17.09.2008 - 18h46 - ROLF, Setúbal
Esperemos que a rasquice das chamadas praxes académicas tenham os dias contados a partir deste magnifica iniciativa destes estudantes do 1º ano. Que sejam felizes e retomem outras, também úteis a toda a população. Bem hajam rapazes e raparigas da Medicina.

 

 

publicado por contracorrente às 22:09

28
Mai 08

http://jpesperanca.blogspot.com/2008/05/ana-uma-moa-de-coragem.html

 

Ana, uma moça de coragem

 
Ana Francisco Santos, uma moça que foi submetida a brincadeiras de mau gosto conhecidas habitualmente por praxe, teve a coragem de denunciar os agressores e estes acabam de ser condenados em tribunal. Há muitas Anas por este país que passam por experiências semelhantes e tentam relativizar e desculpabilizar esses actos porque têm medo de "levantar ondas"... Ou talvez tenham receio de encontrar um juiz que tenha sido praxista e que nunca tenha chegado a crescer como ser humano. Neste país de gente "que se fica", de amedrontados perante os poderosos e os prepotentes, a atitude da Ana devia ser um exemplo para todos nós.

 

******************

  

Alunos da Escola Superior Agrária de Santarém condenados por praxe violenta a caloira
 


 Os sete alunos foram acusados pelo Ministério Público dos crimes de coacção e ofensa à integridade física de uma caloira que foi barrada com excrementos. Um arguido foi considerado culpado do crime de coacção e seis foram considerados culpados do crime de ofensa à integridade física qualificada. A pena reflectiu o sofrimento da caloira, que se constituiu como assistente no processo, refere o Tribunal de Santarém. A sentença é “inédita” em Portugal e “pedadógica”, tal como havia sido pedido ao tribunal, comenta a advogada da antiga caloira. A representante legal dos acusados admite apresentar recurso, mas para já vai analisar a sentença do Tribunal de Santarém.

 

RTP 2008-05-23
 
*******************************
Ainda a praxe…

Cara leitora, imagina que vais na rua e um desconhecido te exige que lhe entregues o Bilhete de Identidade, que removas uma ou mais peças de roupa, que o deixes pintar-te toda a cara e pôr-te pasta de dentes no cabelo. Imagina que ele te diz que tu és pior que um verme, que te manda cantar canções com letras obscenas e que te faz deitar no chão enquanto um gajo que não conheces de lado nenhum faz flexões em cima de ti. Isso é… Bem, isso é agressão, assédio sexual, atentado contra o pudor, ou outras coisas inventariadas no código penal. Imagina agora que o tal desconhecido está vestido com capa e batina pretas. Isso é praxe!
A praxe não é coisa nova, os rituais de iniciação são velhos como a humanidade. Nas sociedades tradicionais a entrada na vida adulta é normalmente precedida de provas que podem assumir a forma de mutilações como a circuncisão e a excisão. Por cá as práticas foram mudando, mas quem nunca ouviu a geração dos nossos pais a dizer coisas como «não é homem quem nunca foi à tropa»? E o mundo militar é pródigo nestas coisas. As provas são tanto mais duras e os rituais mais elaborados e penosos quanto é restrito o acesso ao estado, grau ou instituição de que se quer fazer parte. Um instrutor de uma tropa de elite pergunta ao jovem recruta exausto e ofegante: «Você está cansado? Ai sim? Então faça lá mais trinta flexões… E agora, está cansado? Não? Ainda bem, nós queremos aqui homens de barba rija e com tomates. Venha de lá uma completa de cinquenta!...» Se o infeliz não faz o que lhe pedem é colocado fora do grupo, indigno de pertencer aos “eleitos”: «Então berre aí bem alto para os seus camaradas ouvirem que você é um paneleiro de merda que só presta para o “arre-macho”». Quem não se submete não pode ser um “iniciado”, um “veterano”, e é ameaçado com a ostracização. «Se não fores praxado, não vais fazer amigos na Faculdade».
Antigamente a praxe coimbrã era altamente ritualizada, quando ser estudante universitário era inacessível à maioria da população. O caloiro não podia andar na rua depois das sete, sob o risco de ser apanhado pelas trupes e ser mimoseado com penas como o cabelo rapado. Tinha também “protecções”, como o facto de estar acompanhado pelo pai ou pela mãe na ocasião, por exemplo, poupando assim ao vexame os familiares. A praxe tinha regras que os veteranos tinham também de seguir. A massificação do acesso à universidade, em vez de tornar obsoletos estes rituais, “apimbalhou-os”, pô-los ao nível da sociedade “Big Show Sic”. Entre a praxe desses tempos (a tal “tradição académica” de que eles falam) e a palhaçada actual há a mesma relação que existe entre o confessionário da aldeia dos avós (onde o pároco ameaçava com o fogo do Inferno quem não cumprisse as penitências todas) e o “Perdoa-me”, aquele programa de televisão execrável que era líder de audiências.
Também já defendi a praxe, mas depois pus-me a pensar, um hábito que se vai tornando cada vez mais raro nas nossas universidades. Que “integração” traz a “praxe”? Não há maneiras melhores de fazer amigos do que ser humilhado, ridicularizado, usado como um boneco masoquista nas mãos de sádicos ou de pessoas com problemas não-resolvidos ao nível da socialização ou da sexualidade? A preocupação com a dignidade do ser humano não pode começar aqui mesmo com os nossos colegas inexperientes, caloiros recém-chegados a este mundo que deveria ser do humanismo, da busca do conhecimento?
P.S. – Não tenho brincos no nariz, nas orelhas, nas sobrancelhas ou em qualquer outro lugar mais íntimo, nem tenho o cabelo verde, nem sou filiado ou simpatizante do Bloco de Esquerda. Evidentemente que não tenho nada – a não ser divergências ideológicas – contra quem é enquadrável nestas características, mas achei pertinente este esclarecimento porque tenho visto algumas mentalidades pequeninas a combater as ideias contra esta praxe com argumentos do género «eles dizem isso porque são radicais com o cabelo roxo».

 

João Paulo Tavares Esperança

 

 

 

Publicado no jornal “Fazedores de Letras” (da Associação de Estudantes da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa), nº30, Dez 99, p.5

publicado por contracorrente às 11:07

14
Out 07

 http://gae-iscte.blogspot.com/2007/10/carta-aberta-ao-presidente-do-iscte.html

 9 de Outubro de 2007

CARTA ABERTA AO PRESIDENTE DO ISCTE

O GAE enviou a semana passada esta carta ao Presidente do ISCTE, com o conhecimento do Ministro da tutela.
Até agora não recebemos respota do "nosso" presidente, mas, curiosmanete, respondeu-nos o gabinete do sr. ministro, a quem nem cabia responder.

A sua resposta será em breve aqui colocada (ainda temos de a passar por um scanner).

Juntamente com a carta, enviámos o Manual de Guerra dos praxistas da nossa escola. O Manual está disponivel para tod@s que queiram dar uma vista de olhos à estratégia militar seguida pelos nossos "dignissímos veteranuns"...

Não percam!!!

Exmo. Sr. Presidente do ISCTE,
Com o conhecimento d Sr. Ministro da Tutela

No dia 24 de Setembro, segunda-feira, teve inicio a recepção aos alunos do primeiro ano. A sessão solene de abertura do ano lectivo, onde estiveram presentes o Presidente do ISCTE, Professor Doutor Luís Reto, o Presidente da AEISCTE, Pedro Inácio e, o aluno Paulo Lopes, que se auto-intitula presidente da “Comissão de Recepção ao novo aluno”. Esta comissão é, na verdade, fictícia, pois mais não é do que a comissão de praxe do ISCTE. Aparte de considerações pessoais que se possam ter sobre a prática da praxe, parece-nos consensual que o Presidente de uma instituição de ensino superior, que reúne no seu seio pessoas das mais diversas opiniões, não deve nem pode estar associado a situações de promoção da praxe como a que ocorreu durante a já mencionada sessão. Pela primeira vez, numa recepção oficial aos alunos do primeiro ano, esteve representada na mesa dos oradores a comissão de praxe com o aval do Presidente do ISCTE, inclusivamente este prestou-se ao papel de ser instrumentalizado pelo, mais uma vez, auto-intitulado presidente da “Comissão de Recepção ao novo aluno”, com o fim de garantir a boa conduta da praxe. O que é que isto significa? Muito simples:
- Estivemos presentes numa recepção ao novo aluno, em que a comissão de praxe esteve oficialmente representada. A que propósito? Com que objectivos?
- O presidente do ISCTE alinhou com a comissão da praxe, servindo de salvaguarda da mesma. Mas o que é isto? O presidente do ISCTE vai começar a praxar?
- A praxe não é nem obrigatória, nem oficial, nem regulamentada/legalizada, não deveriam os/as alunos/as ser informados disso?
- Não teria sido mais democrático ter estado presente alguém para falar de outras formas de integração?

Muita gente, entre estudantes, funcionários e docentes, estão cansados de ver alunos/as cabisbaixos, convencidos de que ou são praxados/as ou não se integram, de mãos dadas porque assim o exigem, a ouvir berros a toda a hora, a terem que berrar a toda a hora. É por todas estas razões que exigimos uma resposta esclarecedora por parte do Presidente do ISCTE, pois parece-nos o mínimo exigível face ao cargo que ocupa e às responsabilidades representativas que se lhe impõem.

O grave nesta situação não é haver praxistas e praxados. O grave desta situação é os/as novos/as alunos não terem alternativa de integração que não seja a praxe.

Aguardamos resposta
GAE
Grupo d’Acção Estudantil

++++++++++++++++

 

 14 de Outubro de 2007

RESPOSTA DO GABINETE DO MINISTRO DO MCTES

MINISTÉRIO DA CIÊNCIA, TECNOLOGIA E ENSINO SUPERIOR
GABINETE DO MINISTRO

ASSUNTO: INSTITUTO SUPERIOR DE CIÊNCIAS DO TRABALHO E DA EMPRESA
PRAXE ACADÉMICA


Encarrega-me o Senhor Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior de acusar a recepção da sua carta referente ao assunto em epígrafe, que lhe mereceu a melhor atenção, e de informar V. Exa. que nesta data foi solicitada ao Senhor Presidente do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa informação acerca do que expõe.

Na oportunidade permito-me assinalar que nos termos do disposto na alínea b) do n.° 4 do artigo 75.° da Lei n.° 62/2007, de 10 de Setembro (Regime jurídico das instituições de ensino superior), é qualificada como infracção disciplinar dos estudantes “a prática de actos de violência ou coacção física ou psicológica sobre outros estudantes, designadamente no quadro das «praxes académicas»”.

Com os melhores cumprimentos,
O Chefe do Gabinete
(Armando Trigo de Abreu)

publicado por contracorrente às 07:30
tags:

26
Set 07

http://valedealmeida.blogspot.com/2007/09/praxe-as-faculdades-que-permitem-as.html

 

26.9.07  

Praxe

As faculdades que permitem as praxes, mesmo que apenas nos pátios ou espaços circundantes (como, infelizmente, acontece com a minha) estão a subscrever e a promover os piores valores. É assim como se nos seus cursos de comunicação social ensinassem o jornalismo com base no 24 Horas, ou nos de antropologia promovessem o racismo "científico", ou nos de física dissessem que Galileu era um herege. Pela minha parte lá vou dando aulas, gritando sobre o barulho que entra pelas janelas. Depois, nos corredores, e sobretudo nos pátios, é uma viagem pelo comboio-fantasma, uma aula viva de etologia animal, um parque temático medieval: orelhas de burro, bonecas insufláveis, machismo, homofobia, humilhações, hierarquias, celebração do privilégio. Ao menos que assumissem o lado animal da coisa: os machos (e as fêmeas adeptas do machismo) que montassem os júniores, seguindo-se um chichizinho para marcar o território. Iam ver que aliviava.

mva | 11:18|


Comments:

A pior memória que tenho da Universidade é a de, quando caloiro de Antropologia, no ISCTE, ver entrar na minha sala de aula (repito: na sala de aula!)alguns alunos do 3º ano do mesmo curso (de Antropologia), mascarados com umas vestes de inspiração eclesiástica e parecidas com a farda do Batman, propondo a realização de diversos rituais "praxísticos" aos presentes. Foi o mais violento e inusitado balde de água fria que levei e que quase me fez abandonar a academia naquele mesmo dia. Como era possível que alunos quase finalistas de uma formação em Antropologia fossem mentores de um ritual estúpido, rídiculo e que desafia a própria essência daquele ramo do saber? Desacreditei completamente o curso, mas achei que deveria insistir um pouco mais e combinei comigo mesmo que ficaria até ao final do 1º semestre e só depois decidiria se batia com a porta. Até porque tinha ali um novo desafio: tentar compreender como era possível que aqueles quase antropólogos, ao fim de três anos de curso, pareciam não terem ainda percebido o que andavam ali a fazer. Não desisti e acabei por conseguir algumas interpretações sobre o que está subjacente àquelas atitudes, embora isso seja um assunto demasiado complexo e extenso para explanar aqui.
Ainda assim, ainda hoje estranho que alguns professores de Antropologia, ao presenciarem semelhante espectáculo com os seus alunos, não se sintam impelidos a reflectir sobre a pedagogia utilizada na licenciatura.
Mesmo sem exigir que todos os licenciados em medicina fossem clones de Hipócrates acredito que os docentes de medicina ficariam seriamente preocupados se os seus formandos se dedicassem a práticas que atentassem contra a vida alheia. Para um antropólogo, a praxe é tão contranatura como seria, para um engenheiro de ambiente, fomentar indústrias poluentes!
Será que a obsessão relativista está a impedir a afirmação de uma ética na Antropologia? Mais do que a "matéria dada" não seria importante os docentes reflectirem sobre o que alunos fazem com essa "matéria" e que espécie de antropólogos estão a produzir? Não é importante lembrar que os docentes não são apenas produtores de artigos e teses científicas mas também "produtores" de antropólogos? E que é nas mãos desses alunos que estão a depositar o futuro da ciência que tão dilectamente defendem nas revistas da especialidade? Já terão reparado que as críticas que muitos alunos fazem ao curso e aos docentes são de tal modo inadequadas que só revelam que, mesmo depois de acabado o curso, nunca perceberam o que lá andaram a fazer?
Bem, estou com vontade de dizer muitas mais coisas, mas estou cheio de trabalho e não me posso perder por aqui. Aliás, acho mesmo que tenho de deixar de passar por este Blog, porque me provoca uma terrível incontinência verbal que incomoda toda a gente e não me deixa trabalhar. E eu até sou um tipo muito discreto e caladinho, mas há coisas que "mexem" comigo.
Obrigado ao autor e a todos os "colegas comentadores" por tudo o que me têm permitido aprender.

publicado por contracorrente às 07:40

09
Jan 03

A Estupidez da Praxe


José Pacheco Pereira (Professor do ISCTE)
 

Público, 9 de Janeiro de 2003

Rito de passagem? Mas que passagem? A única coisa que os estudantes transportam do liceu para a universidade é a sua carga de ignorância. A cultura juvenil revê-se num mundo de grosseria e ignorância.

Se existisse uma colecção de retratos do nosso atraso, a cena da praxe ocorrida em Macedo de Cavaleiros era um deles. Saliente-se, aliás, que é apenas uma cena entre muitas que se repetem por todo o país de Braga a Faro e que esporadicamente são noticiadas, quando há uns estudantes corajosos que as denunciam, ou quando o abuso é intolerável e provoca danos. Ninguém, muito menos o ministério, nem os responsáveis pelas escolas, pode alegar desconhecimento.Parece que entre as cenas habituais das praxes aos caloiros, a julgar pela de Macedo de Cavaleiros, existe a prática de pôr os rapazes e as raparigas a quatro, feitos asno, cabra ou carneiro, mais ou menos vestidos, mas, pelo menos neste caso, com a roupa interior por fora, a ter que dizer umas obscenidades e a responder a umas perguntinhas perversas.
Conhecem-se mil e uma variantes, todas boçais, destas práticas.

Desta vez, mais uma vez, a brincadeira correu torta, porque a rapariga seviciada resolveu e bem queixar-se. O mais espantoso foi ver alguns estudantes, dirigentes académicos locais, a justificar o que se tinha passado - provavelmente já tinham estado numa idêntica postura a quatro a fazer de carneiros a balir e gostaram da experiência - e a dividir o mundo entre os a favor da praxe e "antipraxe". Sugeriam que alguém poderia evitar as cenas de humilhação sado-eróticas, com que se entretêm, proclamando-se "antipraxe", o que teria a penalização de serem excluídos das "actividades académicas".

Gostaria de saber se dinheiros das instituições universitárias, que vem dos nossos impostos, podem ser canalizados para grupos de estudantes que excluem das actividades financiadas que patrocinam os que se recusam a fazer tristes figuras de asno.

Rito de passagem? Mas que passagem? Cada vez mais a única coisa que os estudantes transportam do liceu para a universidade é a sua carga de ignorância. A cultura juvenil revê-se no Quim Barreiros, nas peripécias futebolísticas e no Big Brother, num mundo de grosseria e ignorância em que ler alguma coisa mais do que os jornais desportivos ou a "Caras" é excepcionalíssimo.
Aliás, a praxe e as claques futebolísticas partilham muita coisa em comum - a violência latente, o culto pela obscenidade, a demarcação clubística entre "nós" e "eles".
Tenho para mim que um dos sinais de degradação do ensino universitário nos últimos anos foi a progressiva introdução da praxe. Subitamente, após uma sadia desaparição da praxe nos anos 70, começou-se de novo a ver rapazes e raparigas vestidos de uma imitação de padres de gravata, o chamado "traje académico". Em muitos sítios onde este nunca fora "tradição", inventaram-se novos "trajes", todos eles ridículos e um pouco à moda dos bobos da corte das imagens medievais. Só lhes faltava pôr uns sininhos para parecerem o "coringa" dos baralhos de cartas.

A praxe acompanhou a progressiva perda de qualidade do ensino básico e secundário, a crescente diminuição da importância da leitura e da oralidade consistente no ensino, a substituição de critérios de exigência e qualidade pelo mito do ensino "sedutor", em que as crianças "bons selvagens" se tornavam "bons" e menos "selvagens", por uma escola amável e onde não era preciso o esforço. A praxe mostra que um dos resultados finais da ideia da escola "soft", das pedagogias não directivas, foi mais o despertar do "selvagem" do que do "bom", para desgosto de Rosseau.

A praxe estudantil foi sempre uma marca da mais provinciana universidade portuguesa - Coimbra -e dificilmente se implantou nas universidades de Lisboa e Porto, onde a população estudantil vivia em verdadeiras cidades, com vida própria fora do fechado mundo estudantil. Em Coimbra, uma cidade em grande parte dependente dos estudantes, dominada pela universidade, povoada por uma multidão de gente vinda do interior que aí habitava, vivendo em quartos e casas alugadas, o mundo do Palito Métrico floresceu. Os estudantes praxistas eram activos participantes da boémia da cidade e cultivavam uma cultura de estúrdia e do vinho, sob a suprema autoridade do estudante mais cábula, o "dux veteranorum", que obtinha o lugar na exacta proporção ao número de chumbos que tinha nos exames e aos anos que demorava a acabar o curso.

A crise de 1969 provocou uma rara união entre os praxistas e os estudantes mais politizados, com o "dux" a apoiar a greve e com a suspensão da praxe pelo "luto académico". Este acto acabou por muitos anos com a praxe em Coimbra e varreu-a das universidades onde era claramente uma importação e uma imitação - Lisboa e Porto.
No Porto, tenho no meu currículo de dirigente estudantil ter ajudado activamente a acabar com a ridícula parafernália dos "grelados" e "fitados", com as cartolas e penduricalhos que passeavam pela cidade durante a Queima das Fitas. Fui igualmente o autor anónimo, por razões óbvias, de um escrito com umas teses contra a Queima que circulou abundantemente nas três cidades universitárias.Nele, contrariamente ao que faziam os estudantes do PCP - que aceitavam a praxe, apenas achavam que ela devia ser suspensa por razões de "luto académico" -, combatia a praxe pela mundividência cultural que lhe estava associada, pelo seu conteúdo machista e marialva, pelo seu reaccionarismo estético, pela sua infantilização dos estudantes como seres irresponsáveis, que só serviam para brincadeiras de mau gosto.
A Queima era então no Porto uma sucessão de "saraus", entremeados de "rallies", touradas, bênçãos, bailes, culminando num cortejo de carros e piadas que não tinham graça nenhuma e deixavam um rasto de gente bêbada por toda a cidade. Há poucos anos tive ocasião de observar o mesmo espectáculo decadente em Coimbra, só que o vinho tinto era substituído por "shots" e cerveja, não encontrando praticamente um estudante que estivesse sóbrio no dia do fim da Queima.

Os hábitos da praxe que hoje são um anacronismo insensato remetem para um mundo corporativo medieval, para uma época em que as universidades tinham regimento e polícia e em que os estudantes se defendiam da autoridade dos "lentes", construindo um mundo de regras autónomas que reproduziam, aliás, o ambiente igualmente claustrofóbico da universidade "séria". Mas Coimbra nunca foi Heidelberg e o ambiente fechado, que páginas e páginas de sátira e de crítica já tinham denunciado, pela pena dos escritores século XIX e XX, não favorecia a liberdade de espírito, nem qualquer irreverência. Hoje no século XXI, a praxe é um traço anacrónico que puxa Portugal para um passado de que, mais que tudo, as universidades o deviam libertar.

publicado por contracorrente às 07:36

mais sobre mim
Visitantes

- Objectores -

FREEMUSE - Freedom for Musicians
“Quando fizermos uma reflexão sobre o nosso séc. XX, não nos parecerão muito graves os feitos dos malvados, mas sim o escandaloso silêncio das pessoas boas." Martin Luther King "O mal não deve ser imputado apenas àqueles que o praticam, mas também àqueles que poderiam tê-lo evitado e não o fizeram." Tucídedes, historiador grego (460 a.c. - 396 a.c.)
Na Pista de Outros
Free Global Counter
Google Analytics